4 de setembro de 2012

A China “não-China” [parte 2]

No início de agosto, como falei no outro post, fomos nos aventurar nas regiões administrativas especiais do vizinho. Nossa aventura de 4 dias foi conhecer Hong Kong e Macau. Agora chegou a vez de falar um pouquinho sobre nossa ex-colônia irmã, Macau.

Macau

Macau é um lugar interessante, eu diria. Imaginava chegar lá e ver, como no Brasil, mais influência portuguesa, mas confesso que fiquei um pouco decepcionada. A arquitetura portuguesa é indiscutível, as placas têm, todas, informações em cantonês (a língua local) e português, é possível achar montanhas de Pastel de Belém (se você não conhece esse pedacinho de céu, Google it e vai correndo se virar pra achar um pra comer, é divino!) e ainda se vê muitos portugueses por lá. Mas não vá pra Macau esperando usar o português ou interagir com as pessoas ou ver algo tão legal quanto Hong Kong.

Apesar de ter sido colônia portuguesa até 20 de dezembro de 1999, hoje Macau é China (MENOS DE 15 ANOS DEPOIS!). Foi impressionante perceber que o que ficou de forte influência inglesa em Hong Kong não acontece em Macau, com os traços portugueses. Pode-se perceber algo na comida, é possível visitar os locais turísticos com antigas construções coloniais, mas a sensação é muito estranha. Ao mesmo tempo em que via muita semelhança arquitetônica com o Rio, via que as pessoas não tinham nada de influência daquilo. Me senti como se o Rio tivesse sido invadido e dominado pelos chineses, e eles só mantivessem algumas coisas pra usar e ganhar dinheiro com os turistas.

Mas não pense que foi um dia jogado no lixo, porque realmente não foi (apesar do meu momento desabafo acima... hehehe...). Cruzamos o delta do Rio das Pérolas (Zhujiuang) de manhã e chegamos à Macau por volta da hora do almoço. A travessia é super rápida, leva no máximo umas duas horas e é feita numa barca super legal. Logo que chegamos lá, tivemos o primeiro choque com o sistema... O transporte em Macau é meio caótico e ninguém sabe te dar informações em inglês ou é simpático. Então, se você planeja ir pra lá, use um bom guia e prepare-se pra gastar algum tempo lendo mapas e tentando se achar.

O primeiro lugar que visitamos foi o Largo do Senado, um lugar super parecido com o centro do Rio. Calçadão de pedrinhas portuguesas, prédios que me lembraram muito os prédios da Cinelândia (no Rio) e os benditos Pastéis de Belém por todos os lados. Ainda no Largo, nos embrenhamos pela Travessa de S. Domingos, uma vielinha que mais parecia aquelas de Santa Teresa (também no Rio), onde encontramos um restaurante legal e almoçamos comida portuguesa e macaense (juro que tive que pesquisar, achei que fosse ‘macauana’ ou sei lá). A culinária de Macau é muito curiosa, uma mistura deliciosa da culinária chinesa com a portuguesa. Nesse dia, comemos um chan-han (arroz frito ou arroz colorido chinês) com bacalhau, que estava maravilhoso.

Depois do almoço, visitamos a Catedral de Macau, andamos mais pelo centro histórico e subimos uma ladeira super íngreme pra chegar à Fortaleza do Monte, uma construção lindíssima, do século XVI, que hoje abriga o museu de Macau. Depois de sair da fortaleza, visitamos as Ruínas de São Paulo, que são lindas e interessantes, porque se trata da fachada (só a fachada mesmo) da Igreja da Madre de Deus, a única coisa que sobrou do incêndio que atingiu o complexo do Colégio de São Paulo em 1835 (valei-me Wikipédia, porque lá não tinha uma placa de explicação).

Depois das ruínas, visitamos o mercado que fica logo abaixo da escadaria, tomamos suco de fruta de verdade (coisa que não existe no Japão) e fomos visitar o prédio do Clube Militar, que era muito lindo, e a vila de Tai O, um típico vilarejo português, na parte sul de Macau.

O fim da nossa aventura por lá foi visitar os cassinos. Pra quem não sabe, Macau é conhecida como a “Las Vegas da Ásia” e, se você gosta de uma jogatina, vale a pena tentar. Mas acabamos não encontrando uma mesa de pôquer descente pro namorado (tadico) e fomos comer num pé sujo na estação das barcas, pra depois voltar pra Hong Kong.

Macau foi, eu acho, o primeiro lugar que eu saí sem dizer que gostaria de voltar, como vocês devem ter percebido ao longo do post. Mas não me levem a mal, foi a minha impressão estranha. Ainda acho que valeu a pena conhecer e foi uma experiência boa. O que digo a vocês é o seguinte: corram pra Hong Kong, curtam muito, aproveitem o lugar, depois visitem Macau por um dia (não acho que precise mais do que isso), conheçam, comam Pastéis de Belém e viagem por aí, que é sempre delicioso.

3 comentários:

  1. Teve boa a viagem! A China nao-China mais chinesa! Um furdunço e uma aventura debaixo de um sol escaldante..haja energia!
    Mas foi legal conhecer Macau, apesar dos tios mal-encarados dos onibus!
    E bem q eu queria ter gasto uns trocadinhos numa mesa de poquer la...!

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  2. Seria Macauense???? Macaense com certeza não. Macaense é de Macaé, não é? kkkkkkkkkkkkk
    Talvez a falta de guia e o pouco tempo de estada tenham colaborado para a sua má impressão.
    A História e a tradição dão uma beleza curiosa a essa região do mar amarelo.
    Programando para passar por lá.

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