É engraçado. Sempre "volto dos mortos", mas nunca em um sentido amplo. Hoje eu volto dos mortos de uma forma mais real. Não, não estava em coma ou doente ou morrendo. Mas acredito que espiritualmente sim. Muito de mim esteve morrendo desde o meu último post e publicar o que vou publicar agora foi uma luta/vitória. Aprendi muito, vivi muito, chorei muito, sofri muito, sorri bastante, amei sem fim. Mas só agora, hoje, me sinto livre pra ser feliz e mudar o rumo.
Não estou plena, não me livrei de fantasmas, ainda não atingi a maestria na arte de ser firme no que considero melhor para mim. Lembranças me assombram, tenho pesadelos bizarros, o coração dói. Vejo fotos e tenho lembranças que me deixam desconfortável. Mas minha cura está em reconhecer que não foi bom, não foi como deveria ter sido e que eu preciso superar muito. Está também em olhar para trás e reconhecer meus erros, minhas infantilidades e a malícia de algumas pessoas.
Grande parte do crescimento pessoal está em saber ler as pessoas. E como eu sou falha nesse quesito. Quantas vezes fui "língua solta" demais, acreditei demais, duvidei de más intenções, demorei a tomar atitudes contra o que me incomodava.
A grande sacada da malícia, do assédio (de qualquer tipo), da falta de consideração, do abuso de poder é que tudo isso te faz duvidar dos seus sentimentos, do seu incômodo. Será mesmo que as intenções são ruins, não sou eu que estou exagerando? Ele(a) sempre foi tão legal, será que ele(a) realmente tem controle dessas coisas? Será que ele(a) realmente tá dando em cima ou tá só querendo ser meu (minha) amigo(a)? Ele(a) disse que "gostava muito e era muito amigo de fulano(a), mas...", deve ser verdade, né? Meu Deus, ele(a) quase chorou, deve ser verdade, né? Não, ele(a) não faria isso, faria?
Eu sou ridiculamente falha. Erro muito, mesmo. E sinto uma baita vergonha. Mas um os meus erros se confunde muito com virtude. Eu estabeleço vínculos com quem eu devo e com quem eu não devo. Isso me atrapalha profissionalmente, tira de mim uma frieza que talvez seja a chave do sucesso. Não sei. Quando o trabalho gera um falso vínculo de amizade, a decepção é certa. A explicação chega a ser boba... Um falso vínculo de amizade faz com que você confie e acredite em reciprocidade. E é aí que a brincadeira acaba.
Não existe reciprocidade, não existe almoço de graça. A consideração que se dá não é a que se recebe e tudo que for dito pode e será usado contra você. Ninguém que te aconselha a questionar ou brigar com alguém (do qual se diz muito amigo, amigo de anos, amigo irmão) é uma pessoa legal, por mais que essa pessoa diga conhecer o outro muito bem. Ninguém compartilha, de forma pejorativa, detalhes da vida pessoal de pessoas que diz gostar pra ser engraçado. Ninguém menospreza e diminui um suicídio só de brincadeira. A consideração e identificação dura enquanto durar sua submissão à vontade as pessoas. Mijou for do penico, amigo? Não importa o quanto você pode ter ajudado ou sido um bom profissional antes, ali acaba o amor e começa o inferno.
E esse é o grande mal dos nossos tempos, da nossa vida profissional "moderna" e "evoluída". Nos tornamos tão atrelados à necessidade de contatos, dinheiro, posição, emprego, que passamos a nos submeter a determinadas coisas e sorrir quando em situações totalmente bizarras. Falo da minha experiência na área acadêmica, mas não duvido que a mesma realidade se repita para muitas carreiras (senão todas). O mundo de hoje é cão, pitbull criado em vala sem luz e sem comida.
Quase coloquei muita coisa a perder por essa ideia errada de que eu precisava daquilo, precisava ser bacana, precisava de contatos, tinha uma dívida com não-sei-quem etc.
Mas deixa eu te contar umas verdades... Tem gente que torce o nariz pros seus contatos, porque você se liga cm gente sem noção e mal-vista. Tem gente que te responde sem você precisar ser indicado, tem gente de carne e osso, daquelas que a gente conversa como os seres humanos fazem desde as cavernas. Tem gente que não vale a pena tentar atingir no alto da torre de marfim, porque não vai te acrescentar nada e nem o "grande nome" vai te dar qualquer vantagem.
Tive que sofrer dores imensas para me convencer de que o tempo te tira muito e não vai ser o teu colega de trabalho ou o teu chefe que vai valorizar seu "grande esforço profissional" de continuar trabalhando mesmo estando péssimo. Ninguém se lembra de onde veio ou as trevas que teve que atravessar, quando a vida tá bacana; todo esforço e sofrimento para atingir um objetivo se torna nada mais do que uma obrigação quando enxergamos de cima. As escolhas sempre foram minhas e eu nunca me arrependo delas, fazem parte do todo, ensinam. Mas dizer que foi tudo muito legal seria mentir até para mim mesma.
Meu remédio veio quando resolvi que era um absurdo me submeter às vontades irracionais e aos pedidos interesseiros de quem provavelmente esqueceu o que é viver longe de casa ou talvez nunca tenha vivido. Talvez a decisão e o método não tenham sido os melhores, mas ainda assim me decepcionei com os desdobramentos de tudo. No fim, quem se dizia amigo rapidamente tornou-se colega/chefe e aqueles que falavam mal dos outros passaram a falar mal de mim. O que esperar de pessoas que fizeram isso com outros, com os tais "amigos-irmãos" e pessoas "queridas"? Ilusão a minha. E mais uma vez vivi a dúvida e o questionamento dos meus próprios princípios, a insegurança e o medo de ter destruído tudo que deu tanto trabalho pra construir.
E quantos não foram os choros doídos, as broncas, os sonhos bizonhos (como os que tive até recentemente), os abraços e os consolos daqueles que realmente são amigos, colegas, familiares e parceiros nessa vida, até que eu começasse a confiar nas minhas escolhas e no meu taco de novo? Quantas vezes não precisei repetir pra mim mesma que nem tudo estava perdido? Quantas tentativas de retomar qualquer tipo de trabalho foram arruinadas por um medo ou bloqueio inexplicável? Quanto tempo foi jogado fora?
Não. Chega. A volta dos mortos começou com o meu casamento (num próximo post) e, depois, com a ida ao Japão, há um mês. Começou quando resolvi que essa Marina tem capacidade de decidir com quem ela quer se relacionar, com quem ela quer continuar a trabalhar, com quem ela tem interesse em estabelecer relações. Não mais presa às necessidades burras de lamber o chão de qualquer um que apareça com promessas vazias ou ao pensamento de que não vou evoluir se não me sujeitar a certas coisas.
Palavras são vento... Vou realizar e ver realizarem antes de qualquer outra coisa.
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24 de julho de 2016
5 de julho de 2015
Nova casa, novo trabalho, África do Sul, Japão e a saga da academia
Minha vida daria numa comédia bem boa, daquelas de doer a barriga de tanto rir. Sei disso porque eu mesma rio... Às vezes pra não chorar, mas rio.
Quase DOIS anos completinhos depois de dormir no topo do Monte Fuji, estou de volta. É aquela velha relação blogueiro-blog, que só as duas partes entendem. Você escreve enquanto as inspirações duram, daí você pára, depois você volta. Mas é gostoso voltar vendo o quanto o blog continuou vivo durante esse tempo. Bom saber que não escrevo só pra mim mesma.
Muita coisa mudou desde aquele agosto de 2013. O trabalho de doutorado, infinito e sofrido, acabou. Sou doutora (e, sim, isso ainda soa estranho pra mim... mas falamos sobre isso mais tarde!), voltei pro Brasil, trabalhei no Brasil, fiquei noiva no Brasil (UHUUUL!!!) e minha carreira me puxou pelo pé e me jogou na África do Sul.
“Mas menina, comassim?”, vocês perguntam. E eu respondo “O Japão, queridos... Sempre o Japão”. Lá para fins de fevereiro desse ano, em uma conversa com um amigo que também se formou no Japão – em meio às lamúrias da falta de oportunidade e das dificuldades de ser um doutor em lugares que não se mostram muito abertos para doutores, mesmo sendo as nossas casas –, soube de uma novidade... Um projeto... O mesmo projeto no qual trabalhei no mês anterior a voltar para o Brasil (lá no Japão). Uma vaga ainda estava aberta para 10 meses de trabalho na África...
Dúvidas, discussões, dúvidas, lamentos, dúvidas, esperanças, dúvidas, projetos... Já disse dúvidas? A organização de um casamento à distância, valhei-me secretária-representante-administradora-mãe... A organização de uma vida pós-casamento à distância... Visto tirado às pressas, passagem comprada às pressas... Tudo corrido, tudo suado. Ajuda de muitos amigos queridos. O pensamento focado em construir um futuro, que agora não vai ser mais só meu, seremos dois em um... E a vantagem de ter O Cara dando aquele empurrãozinho quando as coisas não pareciam ir bem.
E aqui estou eu, na África. Minha primeira vez no continente da origem... E quem diria que ia ser algo tão definitivo, né? 10 meses morando aqui, trabalhando e pesquisando aqui. Pela primeira vez uma pesquisa sobre a África. Relacionada com a pesquisa anterior sim, um pouco de ONU na jogada, mas minha primeira conexão africana.
O lugar? Bloemfontein. A fonte das flores. A cidade das rosas. A capital judicial da África do Sul (uma das três capitais, na verdade – junto a Pretória e Cidade do Cabo). Uma grande pequena cidade, com muitos shoppings, poucos prédios e cercada por fazendas. Nenhum Burguer King, nenhum Starbucks, mas um McDonald’s, um mercado de fim de semana muito legal, pessoas incrivelmente simpáticas e uma universidade fantástica. Comparada com Johanesburgo, onde estive no mês passado, Bloemfontein é muito pequena. Mas isso salva cidade de índices elevados de violência, garante o menor índice de poluição atmosférica do país e ainda dá de presente para os habitantes a melhor qualidade de água da África do Sul.
Durante esse primeiro mês não tive muitas chances de explorar meu novo endereço no planeta. A espera pelo primeiro salário é sempre angustiante. Mas pude ver algumas coisas que, em geral me intrigaram e também agradaram, na maior parte. A África do Sul é um país de pessoas amigáveis, felizes, simpáticas. Existem os “cara de orifício anal”? Existem, mas são a minoria. E não há um sorriso bem dado que não arranque um sorriso igualmente bonito. Sinto-me em casa nesse continente, realmente acho que herdamos a parte boa daqui.
Ao mesmo tempo, as semelhanças com o Brasil também são grandes no sentido não tão bom da coisa. Como na saga da academia, por exemplo...
Há três semanas encontrei a academia do campus. Isso, em si, já foi uma saga. Todos (ou uma parte das pessoas) sabem que a academia existe, ninguém sabe onde fica. Levei duas semanas para achar o lugar. Quando encontrei, achei muito legal; as academias aqui do Brasil, ops, da África do Sul são muito parecidas com as academias da África do Sul, ops, do Brasil. Cheguei na secretaria e perguntei sobre a inscrição e fui informada que só acontece às sextas-feiras. ”Ok! Volto na semana que vem!”, respondi. Uma semana depois, lá estava eu e mais uma vez não consegui me registrar, porque, segundo o funcionário, os registros aconteciam das 10h às 11h da manhã. ”Mas não me informaram isso...”, respondi ao funcionário brasileiro, ops, sulafricano. Na semana seguinte, pra ser mais precisa, na última sexta-feira, voltei à academia para ouvir que os registros não são feitos durante o mês de julho, agora só em agosto. E, ali, me senti na África do Sul, ops, no Brasil...
Brincadeiras à parte, é bem verdade... Somos semelhantes em muitos pontos. Às vezes é impossível não fazer a comparação e fica até chato repetir sempre a frase ”É, nós temos isso no Brasil também”. Para as semelhanças boas, parece uma certa necessidade de não estar por baixo. Para as coisas ruins, fica parecendo uma eterna competição de quem está mais caído...
No meio de julho recebo visita ilustre (MÔÔÔÔ!!!!) e, aí, vou poder ver mais coisas dessa terra ainda não explorada por mim. Estou animada! Acho que esse continente tem uma certa magia, me encanta...
Quase DOIS anos completinhos depois de dormir no topo do Monte Fuji, estou de volta. É aquela velha relação blogueiro-blog, que só as duas partes entendem. Você escreve enquanto as inspirações duram, daí você pára, depois você volta. Mas é gostoso voltar vendo o quanto o blog continuou vivo durante esse tempo. Bom saber que não escrevo só pra mim mesma.
Muita coisa mudou desde aquele agosto de 2013. O trabalho de doutorado, infinito e sofrido, acabou. Sou doutora (e, sim, isso ainda soa estranho pra mim... mas falamos sobre isso mais tarde!), voltei pro Brasil, trabalhei no Brasil, fiquei noiva no Brasil (UHUUUL!!!) e minha carreira me puxou pelo pé e me jogou na África do Sul.
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| Nascer do sol na África do Sul, visto do avião |
Dúvidas, discussões, dúvidas, lamentos, dúvidas, esperanças, dúvidas, projetos... Já disse dúvidas? A organização de um casamento à distância, valhei-me secretária-representante-administradora-mãe... A organização de uma vida pós-casamento à distância... Visto tirado às pressas, passagem comprada às pressas... Tudo corrido, tudo suado. Ajuda de muitos amigos queridos. O pensamento focado em construir um futuro, que agora não vai ser mais só meu, seremos dois em um... E a vantagem de ter O Cara dando aquele empurrãozinho quando as coisas não pareciam ir bem.
E aqui estou eu, na África. Minha primeira vez no continente da origem... E quem diria que ia ser algo tão definitivo, né? 10 meses morando aqui, trabalhando e pesquisando aqui. Pela primeira vez uma pesquisa sobre a África. Relacionada com a pesquisa anterior sim, um pouco de ONU na jogada, mas minha primeira conexão africana.
O lugar? Bloemfontein. A fonte das flores. A cidade das rosas. A capital judicial da África do Sul (uma das três capitais, na verdade – junto a Pretória e Cidade do Cabo). Uma grande pequena cidade, com muitos shoppings, poucos prédios e cercada por fazendas. Nenhum Burguer King, nenhum Starbucks, mas um McDonald’s, um mercado de fim de semana muito legal, pessoas incrivelmente simpáticas e uma universidade fantástica. Comparada com Johanesburgo, onde estive no mês passado, Bloemfontein é muito pequena. Mas isso salva cidade de índices elevados de violência, garante o menor índice de poluição atmosférica do país e ainda dá de presente para os habitantes a melhor qualidade de água da África do Sul.
Durante esse primeiro mês não tive muitas chances de explorar meu novo endereço no planeta. A espera pelo primeiro salário é sempre angustiante. Mas pude ver algumas coisas que, em geral me intrigaram e também agradaram, na maior parte. A África do Sul é um país de pessoas amigáveis, felizes, simpáticas. Existem os “cara de orifício anal”? Existem, mas são a minoria. E não há um sorriso bem dado que não arranque um sorriso igualmente bonito. Sinto-me em casa nesse continente, realmente acho que herdamos a parte boa daqui.
Ao mesmo tempo, as semelhanças com o Brasil também são grandes no sentido não tão bom da coisa. Como na saga da academia, por exemplo...
Há três semanas encontrei a academia do campus. Isso, em si, já foi uma saga. Todos (ou uma parte das pessoas) sabem que a academia existe, ninguém sabe onde fica. Levei duas semanas para achar o lugar. Quando encontrei, achei muito legal; as academias aqui do Brasil, ops, da África do Sul são muito parecidas com as academias da África do Sul, ops, do Brasil. Cheguei na secretaria e perguntei sobre a inscrição e fui informada que só acontece às sextas-feiras. ”Ok! Volto na semana que vem!”, respondi. Uma semana depois, lá estava eu e mais uma vez não consegui me registrar, porque, segundo o funcionário, os registros aconteciam das 10h às 11h da manhã. ”Mas não me informaram isso...”, respondi ao funcionário brasileiro, ops, sulafricano. Na semana seguinte, pra ser mais precisa, na última sexta-feira, voltei à academia para ouvir que os registros não são feitos durante o mês de julho, agora só em agosto. E, ali, me senti na África do Sul, ops, no Brasil...
Brincadeiras à parte, é bem verdade... Somos semelhantes em muitos pontos. Às vezes é impossível não fazer a comparação e fica até chato repetir sempre a frase ”É, nós temos isso no Brasil também”. Para as semelhanças boas, parece uma certa necessidade de não estar por baixo. Para as coisas ruins, fica parecendo uma eterna competição de quem está mais caído...
No meio de julho recebo visita ilustre (MÔÔÔÔ!!!!) e, aí, vou poder ver mais coisas dessa terra ainda não explorada por mim. Estou animada! Acho que esse continente tem uma certa magia, me encanta...
19 de março de 2013
WE LOVE SUIHANKI!
O nome sui-han-ki significa, ao pé da letra, utensílio de cozinhar arroz. Sui de ferver, cozinhar. Han (de goHAN), que significa arroz ou refeição. E ki, que significa utensílio, máquina.
A suihanki é uma panela elétrica japonesa, voltada para o preparo de arroz. O uso é muito prático e ajuda muito quem tem uma vida agitada, ainda mais em um país onde o arroz é o prato principal. Além de preparar o arroz japonês normal, algumas suihankis também preparam arroz integral e o okayu, que parece uma canja sem galinha e nem tempero.
O processo é bem simples, depois de ter lavado o arroz, é só adicionar a quantidade de água correspondente à quantidade de copos do arroz e ligar a bichinha. Dependendo do tipo de arroz, da quantidade e da velocidade que você prefere, é só aguardar entre 30 minutos e 1 hora. E, depois do ‘bip’, está pronto o seu arroz japonês...
Bem... Isso é o que os fabricantes dizem. Porque a suihanki vai muito além do arroz japonês.
O arroz, no Japão, é preparado só na água, sem sal, temperos e tudo que há de bom, como fazemos no Brasil. Confesso que adoro a versão japa, mas também adoro um arrozinho bem temperado. Mas a suihanki não te impede de ser brasileiro não. PELO CONTRÁRIO! Ela só facilita a sua vida. A diferença é que na suihanki você só joga tudo na água e deixa ela fazer o resto por você. É muito amor.
Arroz com Kimchi e Arroz com Pequi, feitos na suihanki.
A única dificuldade que eu encontrei no arroz temperado de suihanki foi a cebola, que desfaz quando cozida nesse tipo de panela e deixa o arroz pegajoso. O problema é que a suihanki está mais para uma panelinha de pressão, daí a cebola se desfazendo, mas nada nos impede de juntar uma cebolinha refogada ao arroz já pronto. Os demais temperos funcionam muito bem.
Além de temperos, nada te impede de juntar outros ingredientes ao arroz de suihanki. Carne seca, bacon, pedacinhos de liguiça, salsicha, camarão, milho, ervilha, cenoura, brócolis, kimchi. Já me aventurei num arroz com brócolis e bastante alho; não foi em vão, ficou uma delícia.
Indo um pouquinho mais além, nem só de arroz vive uma suihanki. Sendo essa panelinha super especial, ela prepara coisas que muita gente duvida. Uma amiga já prepara bolos e tortas na panela de arroz e diz que funciona muito bem (ainda não tentei, mas pretendo e, depois de tentar, conto pra vocês como foi). Outro amigo prepara feijão (sim, nosso feijão brasileiro) na suihanki e jura que dá certo (essa eu já tentei, mas a primeira tentativa não foi muito bem sucedida). Eu preparo espaguete e digo pra todo mundo ouvir: é o melhor macarrão que eu já provei. Por cozinhar tudo ali, misturadinho na água, a suihanki deixa a massa do espaguete muito saborosa e o tempero “pega” mesmo!
Nas minha tentativas, já falhei, fiz papinha ao invés de macarrão e tudo mais. Mas nada por culpa da máquina e sim por falha humana mesmo. Usei a massa errada, com a quantidade errada de água. Acontece...
Eu, sinceramente, ainda pretendo testar minha panela de arroz pra muitas outras coisas. Acredito que ainda não alcancei o limite dessa belezura. E mamãe já pode ficar feliz, porque logo logo vai ter uma dessas em casa também.
Pros brasileiros no Japão ou pra quem tem suihanki no Brasil, fica a receitinha do meu “Macarrão de Suihanki”.
Você vai precisar de:
- Espaguete (quantidade dependendo do tamanho da panela e das bocas pra alimentar);
- Bacon em cubinhos;
- Provolone, também em cubinhos;
- Queijo processado, em fatias (no Japão, de preferência, o do tipo torokeru);
- Cebolinha, pimenta do reino, cheiro verde, alho e cebola granulada a gosto.
Pra preparar essa massa, vc só precisa quebrar o espaguete em até três partes, colocar uma quantidade de água suficiente pra cobrir o macarrão no fundo da panela e mais um pouquinho (tomem cuidado em deixar a massa no fundo mesmo, pra quantidade de água não ficar grande demais), adicionar todos os ingredientes, tomando o cuidado de rasgar grosseiramente o queijo processado, e pronto. É só apertar o botão e esperar.
O cheiro, enquanto a suihanki realiza a magia, é de agitar as lombrigas. Vocês vão sentir... E é um prato que não dá trabalho por mais de 10 minutinhos, além do “trabalho” de comer. Hahaha!
E é por essas e outras que eu AMO MINHA SUIHANKI!!!!
7 de março de 2013
Morar no Japão
“Como é uma casa japonesa?” “Quanto custa morar no Japão?” “Como é procurar um apartamento no Japão?” “Todas as casas são pequenas?” “Todo mundo dorme em futon, sobre o tatami?” “Todas as portas são de correr e todas as cidades tem muitos samurais, ninjas e lutas de espada na rua?” “O Naruto e o Jiraya são seus vizinhos?” São perguntas muito comuns sobre o Japão...
Respondendo, consecutivamente: Diferente; caro; difícil; a maior parte; não; não; e NÃO, GRAÇAS A DEUS. (rs)
A moradia, no Japão, é um caso bem diferente do Brasil, eu acho.
Primeiramente, se existe uma grande adaptação que precisamos passar, quando resolvemos viver no Japão, o nome dela é ESPAÇO. Parece besteira, mas a verdade é que sair do nosso (literalmente) grandioso Brasil e vir parar em um arquipélago como o Japão é complicado em termos de organização de espaço. Quando digo que virei a rainha do Tetris nessa terra, não brinco.
Já vivi em dois lugares diferentes aqui e, hoje, estou me preparando pra mudar de novo. O primeiro foi o dormitório e, como já disse por aqui, foi uma... Experiência... O quarto tinha 9 metros quadrados, com banheiro e cozinha compartilhados, e lá tive minhas primeiras lições de organização espacial, além de lições de convivência (aprendi que nunca mais quero dividir nada com desconhecidos lunáticos). O segundo lugar foi o Cafofo, que dividi com o namorado, e também falei um pouquinho aqui. O apartamento tem 42 metros quadrados, varanda e é um lugar bem legal, com soluções legais de aproveitamento de espaço e conforto. O terceiro vai ser minha Choupana na montanha, onde vou passar a viver a partir de abril. A Choupana tem 21 metros quadrados, varanda e é o típico apartamento japonês para uma só pessoa, mas ainda uma boa opção.
Agora, sabendo o tamanho desses apartamentos, procure lembrar de quantos metros quadrados tem a sua casa (ou apartamento) no Brasil... Pois é... Logicamente existem casas grandes no Japão, mas essas pertencem a pessoas com bastante dinheiro ou são mais antigas, naquele formato clássico que conhecemos, com lindos jardins japoneses.
Existem dois tipos de apartamentos japoneses, os apatos e as manshons. Manshon é um apartamento pequeno, de menor custo e, geralmente, de até dois quartos ou ambientes. Apato é um apartamento maior, mais caro e, geralmente, para famílias, com mais ambientes.
Os apartamentos mais novos (ou reformados recentemente), tem piso e não tatami, mas nada nos impede de encontrar ainda quartos com tatami por aí. Acredito que a proporção de quartos com e sem tatami são iguais. E, tirando a extrema dificuldade de limpar ou manter limpo um tatami, quartos tradicionais não são assim tão ruins. As portas de correr continuam muito comuns, mas acredito que seja mais por uma questão de economia de espaço e não por samurais, papel de arroz e tradição. (rs) A maior parte dos japoneses, hoje, ainda usa futon para dormir, mas as camas com armação e colchão tem se tornado mais comuns ultimamente.
Outro ponto disso tudo é a questão do custo. Considerando a falta de espaço no Japão, principalmente nos grandes centros e nas áreas próximas às grandes cidade, o valor do aluguel, por metro quadrado, é justo. Mas, em termos brasileiros, os aluguéis japoneses são extremamente caros. Só pra constar, o valor do meu aluguel no dormitório era de 28 mil ienes, o que equivale a cerca de R$550... Por um quarto de NOVE METROS QUADRADOS, mais os espaços comuns. Não sei vocês, mas eu acho isso absurdamente caro. Não comento também a compra de imóveis, porque não sei bem como funciona e imagino que seja incrivelmente mais salgada.
Existem várias imobiliárias super famosas no Japão e, geralmente, é nelas que conseguimos encontrar apartamentos legais com mais facilidade. Numa imobiliária japonesa, você chega, descreve exatamente o tipo de apartamento que você quer, o quanto quer gastar e a área, depois disso, o corretor vai te apresentar as opções e você vai poder visitar todas que preferir. As visitas são fundamentais, porque nem sempre as plantas nos dizem exatamente como é o apartamento e, na maioria das vezes, pelo menos nas nossas cabeças nativas de países de proporções continentais, a planta sempre parece muito maior do que encontramos de espaço ao chegar no local. Falo por experiência própria. Além dos prédios estranhíssimos, com costumes estranhos e meio porcões que podemos encontrar. No caso imobiliário japonês, realmente, nem tudo que reluz é ouro.
Acredito que encontrar um lugar pra morar, no Japão, é uma tarefa complicada para quem gosta de ter detalhes bem específicos na casa também. Como separações de cômodos e tudo mais. Você sempre terá que abrir mão de alguma coisa. Além de ter de lidar com uma burocracia infernal. Mas, no fim das contas, ainda é possível encontrar um lugar legal, que fique aconchegante.
Respondendo, consecutivamente: Diferente; caro; difícil; a maior parte; não; não; e NÃO, GRAÇAS A DEUS. (rs)
A moradia, no Japão, é um caso bem diferente do Brasil, eu acho.
Primeiramente, se existe uma grande adaptação que precisamos passar, quando resolvemos viver no Japão, o nome dela é ESPAÇO. Parece besteira, mas a verdade é que sair do nosso (literalmente) grandioso Brasil e vir parar em um arquipélago como o Japão é complicado em termos de organização de espaço. Quando digo que virei a rainha do Tetris nessa terra, não brinco.
Já vivi em dois lugares diferentes aqui e, hoje, estou me preparando pra mudar de novo. O primeiro foi o dormitório e, como já disse por aqui, foi uma... Experiência... O quarto tinha 9 metros quadrados, com banheiro e cozinha compartilhados, e lá tive minhas primeiras lições de organização espacial, além de lições de convivência (aprendi que nunca mais quero dividir nada com desconhecidos lunáticos). O segundo lugar foi o Cafofo, que dividi com o namorado, e também falei um pouquinho aqui. O apartamento tem 42 metros quadrados, varanda e é um lugar bem legal, com soluções legais de aproveitamento de espaço e conforto. O terceiro vai ser minha Choupana na montanha, onde vou passar a viver a partir de abril. A Choupana tem 21 metros quadrados, varanda e é o típico apartamento japonês para uma só pessoa, mas ainda uma boa opção.
Agora, sabendo o tamanho desses apartamentos, procure lembrar de quantos metros quadrados tem a sua casa (ou apartamento) no Brasil... Pois é... Logicamente existem casas grandes no Japão, mas essas pertencem a pessoas com bastante dinheiro ou são mais antigas, naquele formato clássico que conhecemos, com lindos jardins japoneses.
Existem dois tipos de apartamentos japoneses, os apatos e as manshons. Manshon é um apartamento pequeno, de menor custo e, geralmente, de até dois quartos ou ambientes. Apato é um apartamento maior, mais caro e, geralmente, para famílias, com mais ambientes.
Os apartamentos mais novos (ou reformados recentemente), tem piso e não tatami, mas nada nos impede de encontrar ainda quartos com tatami por aí. Acredito que a proporção de quartos com e sem tatami são iguais. E, tirando a extrema dificuldade de limpar ou manter limpo um tatami, quartos tradicionais não são assim tão ruins. As portas de correr continuam muito comuns, mas acredito que seja mais por uma questão de economia de espaço e não por samurais, papel de arroz e tradição. (rs) A maior parte dos japoneses, hoje, ainda usa futon para dormir, mas as camas com armação e colchão tem se tornado mais comuns ultimamente.
Outro ponto disso tudo é a questão do custo. Considerando a falta de espaço no Japão, principalmente nos grandes centros e nas áreas próximas às grandes cidade, o valor do aluguel, por metro quadrado, é justo. Mas, em termos brasileiros, os aluguéis japoneses são extremamente caros. Só pra constar, o valor do meu aluguel no dormitório era de 28 mil ienes, o que equivale a cerca de R$550... Por um quarto de NOVE METROS QUADRADOS, mais os espaços comuns. Não sei vocês, mas eu acho isso absurdamente caro. Não comento também a compra de imóveis, porque não sei bem como funciona e imagino que seja incrivelmente mais salgada.
Existem várias imobiliárias super famosas no Japão e, geralmente, é nelas que conseguimos encontrar apartamentos legais com mais facilidade. Numa imobiliária japonesa, você chega, descreve exatamente o tipo de apartamento que você quer, o quanto quer gastar e a área, depois disso, o corretor vai te apresentar as opções e você vai poder visitar todas que preferir. As visitas são fundamentais, porque nem sempre as plantas nos dizem exatamente como é o apartamento e, na maioria das vezes, pelo menos nas nossas cabeças nativas de países de proporções continentais, a planta sempre parece muito maior do que encontramos de espaço ao chegar no local. Falo por experiência própria. Além dos prédios estranhíssimos, com costumes estranhos e meio porcões que podemos encontrar. No caso imobiliário japonês, realmente, nem tudo que reluz é ouro.
Acredito que encontrar um lugar pra morar, no Japão, é uma tarefa complicada para quem gosta de ter detalhes bem específicos na casa também. Como separações de cômodos e tudo mais. Você sempre terá que abrir mão de alguma coisa. Além de ter de lidar com uma burocracia infernal. Mas, no fim das contas, ainda é possível encontrar um lugar legal, que fique aconchegante.
27 de fevereiro de 2013
Devaneios e um "Risotto" de Camarão
Era uma vez uma menina feliz, ela gostava de música, livros e internet. Essa menina também tinha um blog e adorava escrever. Mas, em um dia sombrio, veio a vida acadêmica e destruiu tudo isso. (rs)
Há exatos 4 meses não consigo tempo, inspiração, vontade ou qualquer outra coisa relativa a esse blog. Me processem...
Tem sido complicado. A pesquisa tem exigido e a vida igualmente. Problemas pra resolver, sorrisos pra sorrir e choros pra chorar. Nesse intervalo ENORME de tempo, estudei, construí um novo projeto, me qualifiquei, dei escapulidas nos fins de semana, conheci lugares maravilhosos, recebi visitas maravilhosas, corri pra cima e pra baixo, descobri novidades na cozinha, descobri temas legais de escrever.
Bem, material não me falta e, agora, estou de volta. YAAAAAY!!! Descobri, na realidade, que escrever é a minha terapia favorita e meus blogs tem sido grandes companheiros (já há uns bons 13 anos). Desde a época da menina “Nina_Na_Net” até a madurona que escreve sobre “Cores, Amores e Afins”. (rs)
Hoje, pra não passar em branco, vou deixar uma receita BACANUDA! (valha-me Rei Julian)
Tenho usado bastante a minha panela de arroz (em japonês: suihanki) ultimamente e os resultados tem sido muito legais. Pretendo escrever bem sobre as maravilhas da suihanki pra vocês, mais pra frente. Nas minhas várias experiências com a panela de arroz, descobri um jeito gostoso de preparar um “arroz maluco”, que mais parece um risotto. E assim surgiu meu ”Risotto” de Camarão.
Você vai precisar de:
- 2 copos de arroz;
- 300g de camarão (dos pequenininhos);
- Cebolinha;
- Pimenta do reino à gosto;
- 1 caldo de galinha (usei o “Galinha com Azeite” da Maggi e acho q foi o segredo);
- 1 Knnor Meu Arroz de cebola;
- 2 colheres de sopa de cream cheese
O segredo, como na panela de arroz japonesa, é misturar TUDO (menos o cream cheese) na água do arroz e deixar cozinhar junto. A panela de arroz controla tudo sozinha e desliga quando a água seca, mas funciona na panela normal também, com a tecnologia de ponta de vigiarmos bem.
Depois de secar a água, com o arroz bem quente, adicione as duas colheres de cream cheese, tampe a panela por 5 minutinhos (para derreter) e, depois, misture bem.
PRONTO!!! Pode ir comer à vontade.
Lembrando que nada te impede de temperar o arroz como quiser. Cebola e alho sempre são bem-vindos. A diferença é que, na panela de arroz, a cebola não funciona bem. Outro detalhe é que usei o arroz japonês, mas acho que deve ficar uma delícia com arroz parbolizado também.
20 de outubro de 2012
IRASHAIMASE!!!!!!!
Muitos de vocês já viram essa cena, da série “The Big Bang Theory”:
Uma coisa é certa, depois de viver no Japão, o mundo se torna mais barulhento e silencioso, ao mesmo tempo. Hoje vou contar pra vocês como é a vida diária no Japão, quando o assunto é barulho.
Algo engraçado sobre esse país são os extremos. No Japão, o oito e o oitenta estão tão próximos, que se esbarram. Como diz Amelie Nothomb, escritora de uma das mais perfeitas obras no que diz respeito à compreensão de “mente e sociedade japonesas” - o livro “Medo e Submissão”, você pode ser o quão 'freaky' você desejar no Japão, mas dentro de um padrão japonês das coisas. E nem ouse pensar em desrespeitar as regras dessa sociedade (somente no caso de você não ser um japonês, claro). Fazer aqueles tipos de coisa extremamente irritantes que só bêbados fazem (tipo gritar vomitar ou encher o saco dos outros) é muito normal, mas falar no telefone, no trem, não pode. Às vezes fico tão confusa, que não sei dizer se a maluca sou eu ou se as regras aqui são realmente o oposto de tudo que mamãe me ensinou. Mas a gente vai aprendendo que estar longe de casa é também estar na terra dos outros, na cultura dos outros e tendo que aturar os outros.
O silêncio e a falta dele têm um limite muito tênue, no meio de todas essas regras.
Num país onde desastres naturais são mais comuns do que colheitas bem sucedidas, as construções são, obviamente, feitas do material mais leve possível, impedindo soterramentos mortais ou sendo mais maleáveis em casos de tremores. Isso é muito aceitável do ponto de vista de SOBREvivência, mas extremamente desagradável do ponto de vista de CONvivência. Não espere por privacidade em um apartamento japonês, até seu ronco pode ser ouvido através das paredes (sim, eu já ouvi o ronco do vizinho). E não pense que a compreensão de uma estrutura mais leve torna seus 'barulhinhos' perdoáveis para os implacáveis vizinhos nipônicos. As reclamações vão ser mais constantes do que você imagina, ainda mais se você é um 'baka gaijin' ('estrangeiro idiota'), que indiscutivelmente nunca vai entender a forma correta de se viver no Japão. Use chinelos, porque posso ouvir seus passos, ou ponha um tapete na sua casa, pra abafar o som das suas terríveis idas à geladeira ou ao banheiro. Instrumentos musicais? NUNCA! Animais de estimação? Talvez peixes. Amigos visitando? Ensine-os bons modos.
Outras regras rígidas sobre barulho tem a ver, principalmente, com celulares. Nunca entendi muito bem a diferença de uma conversa com um amigo pessoalmente e uma conversa por telefone no Japão. Acompanhado de um amigo, é claro que se pode conversar dentro de um trem. Mas nem pense em atender ao telefone na mesma situação. Já vi situações embaraçosas, onde idosos deram boas “carraspanas” em alguns jovens, por estarem falando no telefone. Preferi aceitar, na minha cabeça, que é muito chato ouvir uma conversa unilateral, os japoneses gostam mesmo de ouvir o pacote completo. Hahaha!
O oposto de tudo isso também está em cada esquina do país.
Não pense que a cena do Sheldon é invenção da TV! Sim, os japoneses têm o costume de receber clientes, em restaurantes ou lojas de qualquer tipo, gritando e mostrando entusiasmo. Eles têm a intenção, na realidade, de mostrar ao cliente que ele é bem vindo ou que pode voltar sempre ou que todos são muito agradecidos pela preferência. É também costume das lojas usarem musiquinhas e barulhinhos sonoros, sempre que possível.
‘Irashaimase’ (‘seja bem vindo’), é o mantra no momento de entrada na loja ou sempre que um funcionário passa por você. É claro que existem as variações, de acordo com o grau de formalidade, mas o basicão é o ‘irashai’. ‘Arigatou gozaimasu! Mata okoushikudasaimase!’ (‘Muito obrigado! Até a próxima!’) é a calorosa despedida, nos mostrando o quão acolhedora e grata é a loja e o quanto nós somos esperados novamente.
Cortesias à parte, é extremamente desagradável comer, fazer compras ou qualquer outra coisa com esses gritos. Imagine em uma loja muito movimentada, quantas vezes a cada 5 minutos somos obrigados a ouvir isso? Às vezes chega a ser desesperador, dependendo da vozinha que a vendedora escolher fazer (o que também é muito comum entre as mulheres japonesas, fazer vozes ‘kawaii’ para se mostrarem bonitinhas).
Pachinkos, os famosos caça-níqueis japoneses, são portões do inferno pra aqueles que preferem um pouco mais de sossego. Passar na calçada de um desses “centros de lazer” nos leva a pensar em quanto tempo seria possível sobreviver dentro de um lugar como aquele e como as pessoas conseguem, às vezes, passar dias inteiros dentro daqueles lugares.
O resumo da ópera é: ao vir para o Japão, lembre-se sempre que andar dentro do seu próprio apartamento pode ser um incômodo mortal para o seu vizinho, mas, se gritarem no seu ouvido no meio do jantar, é só gentileza.
E, depois de 2 anos e meio aqui, passei a falar baixo demais pra padrões brasileiros, praticar a arte de andar em ovos sem quebrá-los sempre que estou dentro de casa e estranhar a falta de gritos quando entro ou saio do McDonald’s (ou qualquer outro restaurante) fora do Japão.
Uma coisa é certa, depois de viver no Japão, o mundo se torna mais barulhento e silencioso, ao mesmo tempo. Hoje vou contar pra vocês como é a vida diária no Japão, quando o assunto é barulho.
Algo engraçado sobre esse país são os extremos. No Japão, o oito e o oitenta estão tão próximos, que se esbarram. Como diz Amelie Nothomb, escritora de uma das mais perfeitas obras no que diz respeito à compreensão de “mente e sociedade japonesas” - o livro “Medo e Submissão”, você pode ser o quão 'freaky' você desejar no Japão, mas dentro de um padrão japonês das coisas. E nem ouse pensar em desrespeitar as regras dessa sociedade (somente no caso de você não ser um japonês, claro). Fazer aqueles tipos de coisa extremamente irritantes que só bêbados fazem (tipo gritar vomitar ou encher o saco dos outros) é muito normal, mas falar no telefone, no trem, não pode. Às vezes fico tão confusa, que não sei dizer se a maluca sou eu ou se as regras aqui são realmente o oposto de tudo que mamãe me ensinou. Mas a gente vai aprendendo que estar longe de casa é também estar na terra dos outros, na cultura dos outros e tendo que aturar os outros.
O silêncio e a falta dele têm um limite muito tênue, no meio de todas essas regras.
Num país onde desastres naturais são mais comuns do que colheitas bem sucedidas, as construções são, obviamente, feitas do material mais leve possível, impedindo soterramentos mortais ou sendo mais maleáveis em casos de tremores. Isso é muito aceitável do ponto de vista de SOBREvivência, mas extremamente desagradável do ponto de vista de CONvivência. Não espere por privacidade em um apartamento japonês, até seu ronco pode ser ouvido através das paredes (sim, eu já ouvi o ronco do vizinho). E não pense que a compreensão de uma estrutura mais leve torna seus 'barulhinhos' perdoáveis para os implacáveis vizinhos nipônicos. As reclamações vão ser mais constantes do que você imagina, ainda mais se você é um 'baka gaijin' ('estrangeiro idiota'), que indiscutivelmente nunca vai entender a forma correta de se viver no Japão. Use chinelos, porque posso ouvir seus passos, ou ponha um tapete na sua casa, pra abafar o som das suas terríveis idas à geladeira ou ao banheiro. Instrumentos musicais? NUNCA! Animais de estimação? Talvez peixes. Amigos visitando? Ensine-os bons modos.
Outras regras rígidas sobre barulho tem a ver, principalmente, com celulares. Nunca entendi muito bem a diferença de uma conversa com um amigo pessoalmente e uma conversa por telefone no Japão. Acompanhado de um amigo, é claro que se pode conversar dentro de um trem. Mas nem pense em atender ao telefone na mesma situação. Já vi situações embaraçosas, onde idosos deram boas “carraspanas” em alguns jovens, por estarem falando no telefone. Preferi aceitar, na minha cabeça, que é muito chato ouvir uma conversa unilateral, os japoneses gostam mesmo de ouvir o pacote completo. Hahaha!
O oposto de tudo isso também está em cada esquina do país.
Não pense que a cena do Sheldon é invenção da TV! Sim, os japoneses têm o costume de receber clientes, em restaurantes ou lojas de qualquer tipo, gritando e mostrando entusiasmo. Eles têm a intenção, na realidade, de mostrar ao cliente que ele é bem vindo ou que pode voltar sempre ou que todos são muito agradecidos pela preferência. É também costume das lojas usarem musiquinhas e barulhinhos sonoros, sempre que possível.
‘Irashaimase’ (‘seja bem vindo’), é o mantra no momento de entrada na loja ou sempre que um funcionário passa por você. É claro que existem as variações, de acordo com o grau de formalidade, mas o basicão é o ‘irashai’. ‘Arigatou gozaimasu! Mata okoushikudasaimase!’ (‘Muito obrigado! Até a próxima!’) é a calorosa despedida, nos mostrando o quão acolhedora e grata é a loja e o quanto nós somos esperados novamente.
Cortesias à parte, é extremamente desagradável comer, fazer compras ou qualquer outra coisa com esses gritos. Imagine em uma loja muito movimentada, quantas vezes a cada 5 minutos somos obrigados a ouvir isso? Às vezes chega a ser desesperador, dependendo da vozinha que a vendedora escolher fazer (o que também é muito comum entre as mulheres japonesas, fazer vozes ‘kawaii’ para se mostrarem bonitinhas).
Pachinkos, os famosos caça-níqueis japoneses, são portões do inferno pra aqueles que preferem um pouco mais de sossego. Passar na calçada de um desses “centros de lazer” nos leva a pensar em quanto tempo seria possível sobreviver dentro de um lugar como aquele e como as pessoas conseguem, às vezes, passar dias inteiros dentro daqueles lugares.
O resumo da ópera é: ao vir para o Japão, lembre-se sempre que andar dentro do seu próprio apartamento pode ser um incômodo mortal para o seu vizinho, mas, se gritarem no seu ouvido no meio do jantar, é só gentileza.
E, depois de 2 anos e meio aqui, passei a falar baixo demais pra padrões brasileiros, praticar a arte de andar em ovos sem quebrá-los sempre que estou dentro de casa e estranhar a falta de gritos quando entro ou saio do McDonald’s (ou qualquer outro restaurante) fora do Japão.
24 de setembro de 2012
Lasanha de Berinjela
Eu sei bem que a maioria da galera não gosta de berinjela, então já vou dizendo aqui, no início, que eu vou mudar sua vida. Porque não há nada que uma boa dose de queijo não mude na vida de uma pessoa, ok? E uma berinjela bem feita é a diferença que falta pra você.
Parece mais um daqueles contos de ‘internê’, mas a berinjela é um alimento super saudável e é famosa por reduzir o colesterol. Além de, definitivamente, reduzir muito a quantidade de calorias de uma lasanha, porque substitui toda aquela quantidade de massa e carboidratos que a nossa amada e tradicional lasanha traz.
A receitinha que eu tenho pra vocês hoje é muito simples, rápida e mudou a opinião do senhor meu namorado sobre berinjela na segunda-feira passada, ok? O moço chegou a me dizer que possivelmente não conseguiria comer a lasanha, quando soube que a berinjela não era o recheio e sim a massa. No fim, não sobrou um cantinho de lasanha pra contar a história, porque o rapaz comeu TUDO, ok? Então fiquem comigo, me acompanhem e vamos mudar essa imagem feia da berinjela que as pessoas têm.
Você vai precisar de:
- 3 berinjelas
- mussarela ralada (realmente não sei a quantidade exata, fui no ‘olhometro’ e, aqui no Japão, usei o queijo que tem pra usar; você pode usar fatias se quiser, acho que o resultado pode ficar até melhor)
- 300g de carne moída
- 1 pct de molho de tomate - 1 cebola
- 2 dentes de alho
- pimenta do reino, sal manjericão e cheiro verde a gosto
Preparar tudo é muito simples. Corte as berinjelas em rodelas (prefiro rodelas, porque facilita o corte da lasanha depois de pronta e, sim, eu sou preguiçosa com comida difícil de cortar) e ferva em uma panela com água, sal, pimenta e o manjericão. O manjericão foi jogada de mestre, no fim, porque deixou as berinjelas cheirosas e muito saborosas mesmo; então deixe tudo chegar à fervura e ficar por uns 5 minutos ou até a berinjela mudar um pouco de aspecto.
Depois de cozidas as berinjelas, vamos preparar o molho à Bolonhesa DELÍCIA. Refogue a cebola e o alho, como mamãe fazia, no azeite. Adicione a carne e deixe cozinhar. Antes de todo o processo, deixei a carne marinar no sal, pimenta do reino e alecrim, mas isso cada um faz como quer. Eu prefiro assim, porque pega mais o tempero. Depois de cozida a carne, adicione o molho de tomate, deixe ferver e vá acertando o tempero, até ficar do seu gosto a quantidade de sal, pimenta do reino e cheiro verde (ou o que mais você quiser usar).
Com tudo pronto, vamos montar essa delícia. Repita camadas de berinjela, molho e queijo, quantas vezes o recipiente que você escolheu te permitir. Dando umas ‘apertadinhas’ com uma espátula de vez em quando, pra caber mais e ter mais delícia, né gente?
Lasanha montada? Agora é colocar no forno até o queijinho derreter, dourar e seduzir você de dentro do forno.
Sério, fica bem delicioso! Minha próxima tentativa com ela vai ser uma aos 4 queijos, se eu conseguir o milagre de encontrar queijo de verdade nesse país. Pros ‘haters’ de berinjela, só digo uma coisa: “VOU MUDAR A SUA VIDA!”. rs
Parece mais um daqueles contos de ‘internê’, mas a berinjela é um alimento super saudável e é famosa por reduzir o colesterol. Além de, definitivamente, reduzir muito a quantidade de calorias de uma lasanha, porque substitui toda aquela quantidade de massa e carboidratos que a nossa amada e tradicional lasanha traz.
A receitinha que eu tenho pra vocês hoje é muito simples, rápida e mudou a opinião do senhor meu namorado sobre berinjela na segunda-feira passada, ok? O moço chegou a me dizer que possivelmente não conseguiria comer a lasanha, quando soube que a berinjela não era o recheio e sim a massa. No fim, não sobrou um cantinho de lasanha pra contar a história, porque o rapaz comeu TUDO, ok? Então fiquem comigo, me acompanhem e vamos mudar essa imagem feia da berinjela que as pessoas têm.
Você vai precisar de:
- 3 berinjelas
- mussarela ralada (realmente não sei a quantidade exata, fui no ‘olhometro’ e, aqui no Japão, usei o queijo que tem pra usar; você pode usar fatias se quiser, acho que o resultado pode ficar até melhor)
- 300g de carne moída
- 1 pct de molho de tomate - 1 cebola
- 2 dentes de alho
- pimenta do reino, sal manjericão e cheiro verde a gosto
Preparar tudo é muito simples. Corte as berinjelas em rodelas (prefiro rodelas, porque facilita o corte da lasanha depois de pronta e, sim, eu sou preguiçosa com comida difícil de cortar) e ferva em uma panela com água, sal, pimenta e o manjericão. O manjericão foi jogada de mestre, no fim, porque deixou as berinjelas cheirosas e muito saborosas mesmo; então deixe tudo chegar à fervura e ficar por uns 5 minutos ou até a berinjela mudar um pouco de aspecto.
Depois de cozidas as berinjelas, vamos preparar o molho à Bolonhesa DELÍCIA. Refogue a cebola e o alho, como mamãe fazia, no azeite. Adicione a carne e deixe cozinhar. Antes de todo o processo, deixei a carne marinar no sal, pimenta do reino e alecrim, mas isso cada um faz como quer. Eu prefiro assim, porque pega mais o tempero. Depois de cozida a carne, adicione o molho de tomate, deixe ferver e vá acertando o tempero, até ficar do seu gosto a quantidade de sal, pimenta do reino e cheiro verde (ou o que mais você quiser usar).
Com tudo pronto, vamos montar essa delícia. Repita camadas de berinjela, molho e queijo, quantas vezes o recipiente que você escolheu te permitir. Dando umas ‘apertadinhas’ com uma espátula de vez em quando, pra caber mais e ter mais delícia, né gente?
Lasanha montada? Agora é colocar no forno até o queijinho derreter, dourar e seduzir você de dentro do forno.
Sério, fica bem delicioso! Minha próxima tentativa com ela vai ser uma aos 4 queijos, se eu conseguir o milagre de encontrar queijo de verdade nesse país. Pros ‘haters’ de berinjela, só digo uma coisa: “VOU MUDAR A SUA VIDA!”. rs
11 de setembro de 2012
Going GLOBAL!
O quão global é você, querido leitor? Digamos que tanto eu quanto você, aí, lendo, do outro lado dessa linhazinha – nos conectando no meio dessa rede imensa –, somos bastante globais. Quer argumento melhor do que o fato de estarmos, cada um, em um ponto diferente do planeta (mais especificamente, cada um de um lado do planeta!) e, ainda assim, recebermos as idéias uns dos outros? Eu, aqui, do Japão, escrevendo pra vocês, aí, onde quer que vocês estejam... E mais milhares de pessoas escrevendo para outros milhares... Essa é a internet, essa é a nossa realidade.
Há, não exagerados, 15 anos atrás, eu era uma menininha de 10 anos. O computador da minha casa era um dinossauro, o telefone era ruim, celulares eram monstros pré-históricos e os orelhões eram os salvadores da distância, apesar de raramente funcionarem bem. Antes disso, na época dos meus pais, computadores eram máquinas que ocupavam uma sala inteira, ninguém tinha acesso, a internet não existia e os orelhões, suas filas e fichinhas (confesso que ainda usei fichinhas de orelhão, porque, sim, eu sou dessa época) eram os salvadores das distâncias. Nem cito celulares nessa última parte, porque seria obviamente ridículo.
Afortunadas criancinhas de hoje em dia nascem num mundo onde suas carinhas já estão à disposição para milhões, apenas algumas horas depois de nascidas. Isso quando a magia da ultra-sonografia computadorizada E 3D não expõe suas minúsculas figurinhas, antes mesmo delas resolverem vir ao mundo. Com pouco mais ou pouco menos da idade que eu tinha quando criei meu primeiro blog (12 anos), as criancinhas de hoje já tem seus celulares, isso porque, com MUITO menos idade, toda já sabem mexer em computadores muito melhor do que muito marmanjo por aí.
Hoje temos: Twitter, Facebook, Skype, Tumblr, Orkut (ainda não falecido), Google+, YouTube, 9gag, Skoob, Foursquare, MySpace... Só no Brasil, hoje, existem 50 redes sociais listadas pela Wikipedia. E nós sabemos que isso é bem pouco pra realidade do número de redes existentes no mundo. A própria Wikipédia acaba se tornando uma rede, a partir do momento em que alguém se preocupa em escrever um artigo informativo que será usado por mais um monte de gente. Afinal, redes não são formadas somente pela obrigatória troca de informações, mas também pelo simples fato de uma informação ser passada a diante, atingindo mais e mais gente, ‘going global’. Isso sem contar com a imensidade de outras possibilidades que os moderníssimos smart phones trouxeram pras nossas vidas, tanto em termos de interação entre conhecidos como no sentido de possibilitar um maior acesso e uma maior inserção de informação na rede. Graças ao meu iPhone, hoje eu posso falar gratuitamente com a minha família, do outro lado do mundo a hora que quiser, bem como posso fazer updates no meu Twitter ou postar aqui nesse blog na hora que bem entender.
E isso, amiguinho, gera uma circulação de informação que era inimaginável lá na época de papai e mamãe. Em tempo real, é possível saber sobre desastres naturais, por exemplo, antes mesmo de as agências laçarem notificações oficiais. É possível acompanhar eventos de qualquer parte do planeta ao vivo. É possível saber sobre as reações populares a acontecimentos dentro de seus respectivos países na hora em que esses eventos ocorrem. Hoje eu falo com o meu pai quando quiser, pra saber se ele já melhorou da gripe (outro exemplo), enquanto sei que na época dele, se ele conseguia ligar pra casa do exterior, pelo menos uma vez por semana, era uma vitória.
Resolvi escrever sobre isso, porque estava aqui, mais uma vez, fascinada com o fato de nunca ter sido tão fácil conseguir informações. E nunca ter sido tão simples gerar informações. Na verdade, nunca na história foi tão fácil ser um cientista humano (historiador, sociólogo etc.). Nunca foi tão rápido se ‘transportar’ para qualquer lugar do mundo. Hoje somos moradores do mundo, somos globais, capazes de receber de qualquer lugar qualquer dado que tenhamos interesse. Hoje somos capazes de agir mais em prol de um todo, de protestar, de mostrar nossos pontos de vista, de nos manter cientes sobre nós mesmos.
Pela primeira vez o homem rompeu as antigas barreiras estatais e descobriu o quão legal pode ser assumir a posição de ser humano, para além de sua identidade nacional. A realidade que vivemos é a da descoberta de uma ferramenta que nos coloca na posição de atores globais. Os homens e mulheres de hoje são aqueles que geram uma amedrontadora ‘opinião pública’, são aqueles que geram ‘primaveras’ por aí... O que antes era domínio da mídia passou às mãos de todos nós. Transferir informação deixou de ser privilégio de quem tinha a tecnologia pra tal, porque a tecnologia passou a ser de todos. Tendo acesso à rede, todos nós somos capazes de informar e sermos informados.
Apesar das ‘desgraças da inclusão’ que encontramos por aí (Pelo amor de Deus, alguém já parou pra ler comentários de sites de notícias? Eu morro um pouquinho a cada vez que me dou ao trabalho. Mas, como dizem as más línguas, opinião é q nem...Vesícula Biliar, cada um tem a sua... õ.o), a grande rede se tornou uma máquina poderosíssima. Cada um de nós se tornou global em um clique, literalmente.
Há, não exagerados, 15 anos atrás, eu era uma menininha de 10 anos. O computador da minha casa era um dinossauro, o telefone era ruim, celulares eram monstros pré-históricos e os orelhões eram os salvadores da distância, apesar de raramente funcionarem bem. Antes disso, na época dos meus pais, computadores eram máquinas que ocupavam uma sala inteira, ninguém tinha acesso, a internet não existia e os orelhões, suas filas e fichinhas (confesso que ainda usei fichinhas de orelhão, porque, sim, eu sou dessa época) eram os salvadores das distâncias. Nem cito celulares nessa última parte, porque seria obviamente ridículo.
Afortunadas criancinhas de hoje em dia nascem num mundo onde suas carinhas já estão à disposição para milhões, apenas algumas horas depois de nascidas. Isso quando a magia da ultra-sonografia computadorizada E 3D não expõe suas minúsculas figurinhas, antes mesmo delas resolverem vir ao mundo. Com pouco mais ou pouco menos da idade que eu tinha quando criei meu primeiro blog (12 anos), as criancinhas de hoje já tem seus celulares, isso porque, com MUITO menos idade, toda já sabem mexer em computadores muito melhor do que muito marmanjo por aí.
Hoje temos: Twitter, Facebook, Skype, Tumblr, Orkut (ainda não falecido), Google+, YouTube, 9gag, Skoob, Foursquare, MySpace... Só no Brasil, hoje, existem 50 redes sociais listadas pela Wikipedia. E nós sabemos que isso é bem pouco pra realidade do número de redes existentes no mundo. A própria Wikipédia acaba se tornando uma rede, a partir do momento em que alguém se preocupa em escrever um artigo informativo que será usado por mais um monte de gente. Afinal, redes não são formadas somente pela obrigatória troca de informações, mas também pelo simples fato de uma informação ser passada a diante, atingindo mais e mais gente, ‘going global’. Isso sem contar com a imensidade de outras possibilidades que os moderníssimos smart phones trouxeram pras nossas vidas, tanto em termos de interação entre conhecidos como no sentido de possibilitar um maior acesso e uma maior inserção de informação na rede. Graças ao meu iPhone, hoje eu posso falar gratuitamente com a minha família, do outro lado do mundo a hora que quiser, bem como posso fazer updates no meu Twitter ou postar aqui nesse blog na hora que bem entender.
E isso, amiguinho, gera uma circulação de informação que era inimaginável lá na época de papai e mamãe. Em tempo real, é possível saber sobre desastres naturais, por exemplo, antes mesmo de as agências laçarem notificações oficiais. É possível acompanhar eventos de qualquer parte do planeta ao vivo. É possível saber sobre as reações populares a acontecimentos dentro de seus respectivos países na hora em que esses eventos ocorrem. Hoje eu falo com o meu pai quando quiser, pra saber se ele já melhorou da gripe (outro exemplo), enquanto sei que na época dele, se ele conseguia ligar pra casa do exterior, pelo menos uma vez por semana, era uma vitória.
Resolvi escrever sobre isso, porque estava aqui, mais uma vez, fascinada com o fato de nunca ter sido tão fácil conseguir informações. E nunca ter sido tão simples gerar informações. Na verdade, nunca na história foi tão fácil ser um cientista humano (historiador, sociólogo etc.). Nunca foi tão rápido se ‘transportar’ para qualquer lugar do mundo. Hoje somos moradores do mundo, somos globais, capazes de receber de qualquer lugar qualquer dado que tenhamos interesse. Hoje somos capazes de agir mais em prol de um todo, de protestar, de mostrar nossos pontos de vista, de nos manter cientes sobre nós mesmos.
Pela primeira vez o homem rompeu as antigas barreiras estatais e descobriu o quão legal pode ser assumir a posição de ser humano, para além de sua identidade nacional. A realidade que vivemos é a da descoberta de uma ferramenta que nos coloca na posição de atores globais. Os homens e mulheres de hoje são aqueles que geram uma amedrontadora ‘opinião pública’, são aqueles que geram ‘primaveras’ por aí... O que antes era domínio da mídia passou às mãos de todos nós. Transferir informação deixou de ser privilégio de quem tinha a tecnologia pra tal, porque a tecnologia passou a ser de todos. Tendo acesso à rede, todos nós somos capazes de informar e sermos informados.
Apesar das ‘desgraças da inclusão’ que encontramos por aí (Pelo amor de Deus, alguém já parou pra ler comentários de sites de notícias? Eu morro um pouquinho a cada vez que me dou ao trabalho. Mas, como dizem as más línguas, opinião é q nem...Vesícula Biliar, cada um tem a sua... õ.o), a grande rede se tornou uma máquina poderosíssima. Cada um de nós se tornou global em um clique, literalmente.
7 de setembro de 2012
Cachorro de Forma
Hoje vou inovar o blog mais um pouquinho e começar a contar pra vocês minhas aventuras culinárias. Então o site vai passar a ter sua categoria “Comidinhas”; de vez em quando, vou compartilhar umas invenções malucas que dão certo e, porque não, as que não dão certo também, que acabam sendo muito divertidas/traumáticas.
Já tenho algumas coisinhas registradas, que logo-logo posto aqui, mas, essa semana, eu tive uma vontade louca de cozinhar e meti a mão na massa. Literalmente. Ontem o namorado não tinha idéia do que comer, eu também. Sabia que tinha umas linguicinhas na geladeira, então pensei: cachorro-quente! Mas, como, sem pão do cachorro-quente?
Tive uma idéia maluca na hora e fui tentar... Morrendo de medo de ficar uma porcaria! Hahahahaha! Uma vez ouvi que umedecer o pão de forma e amassá-lo, fazia com que a massa ficasse fácil de modelar, então a idéia foi fazer um cachorro-quente de pão de forma. Assim nasceu o “Cachorro de Forma”. Fica a receita...
Já tenho algumas coisinhas registradas, que logo-logo posto aqui, mas, essa semana, eu tive uma vontade louca de cozinhar e meti a mão na massa. Literalmente. Ontem o namorado não tinha idéia do que comer, eu também. Sabia que tinha umas linguicinhas na geladeira, então pensei: cachorro-quente! Mas, como, sem pão do cachorro-quente?
Tive uma idéia maluca na hora e fui tentar... Morrendo de medo de ficar uma porcaria! Hahahahaha! Uma vez ouvi que umedecer o pão de forma e amassá-lo, fazia com que a massa ficasse fácil de modelar, então a idéia foi fazer um cachorro-quente de pão de forma. Assim nasceu o “Cachorro de Forma”. Fica a receita...
Você vai precisar de:
- fatias de pão de forma (quantas você quiser; cada fatia vale um rolinho);
- lingüiça (lingüiças são mais finas e mais fáceis de enrolar);
- fatias de queijo;
- mostarda/molho de tomate/ketchup (o que você achar mais gostoso num cachorro-quente).
Fazer os rolinhos é muito fácil. Sério! Leva menos de cinco minutos! A não ser que você queira fazer uma produção em massa...
Primeiro, corte as cascas do pão de forma. Já descascado, umedeça a massa com as mãos, apertando enquanto faz isso. Parece complexo, mas não é. É só você ir molhando a mão e apertando o pão num prato ou tábua. A massa vai ficar com uma aparência estranha, bem compactada, mas é isso mesmo que você precisa fazer pra dar certo. Não é preciso molhar o pão demais, é só umedecer um pouco mesmo, deixar a massa meio molenga e o menos quebradiça possível.
Depois de umedecido, espalhe sobre o pão a mostarda, o molho de tomate ou o ketchup ( ou os três, com parcimônia... rs). Enrole a lingüiça na fatia de queijo e, gentilmente, faça o mesmo com o pão. Tomando cuidado pra não quebrar a fatia (fica bem mais difícil de quebrar com o pão molhado, por isso todo aquele processo no início).
No fim, é colocar numa assadeira e levar ao forno até dourar. O resultado foi totalmente aprovado pelo senhor meu namorado, e esse entende (e gosta muito) de uma comidinha gostosa, viu? Espero que a experiência maluca dê certo pra vocês também!
- fatias de pão de forma (quantas você quiser; cada fatia vale um rolinho);
- lingüiça (lingüiças são mais finas e mais fáceis de enrolar);
- fatias de queijo;
- mostarda/molho de tomate/ketchup (o que você achar mais gostoso num cachorro-quente).
Fazer os rolinhos é muito fácil. Sério! Leva menos de cinco minutos! A não ser que você queira fazer uma produção em massa...
Primeiro, corte as cascas do pão de forma. Já descascado, umedeça a massa com as mãos, apertando enquanto faz isso. Parece complexo, mas não é. É só você ir molhando a mão e apertando o pão num prato ou tábua. A massa vai ficar com uma aparência estranha, bem compactada, mas é isso mesmo que você precisa fazer pra dar certo. Não é preciso molhar o pão demais, é só umedecer um pouco mesmo, deixar a massa meio molenga e o menos quebradiça possível.
Depois de umedecido, espalhe sobre o pão a mostarda, o molho de tomate ou o ketchup ( ou os três, com parcimônia... rs). Enrole a lingüiça na fatia de queijo e, gentilmente, faça o mesmo com o pão. Tomando cuidado pra não quebrar a fatia (fica bem mais difícil de quebrar com o pão molhado, por isso todo aquele processo no início).
No fim, é colocar numa assadeira e levar ao forno até dourar. O resultado foi totalmente aprovado pelo senhor meu namorado, e esse entende (e gosta muito) de uma comidinha gostosa, viu? Espero que a experiência maluca dê certo pra vocês também!
4 de setembro de 2012
A China “não-China” [parte 2]
No início de agosto, como falei no outro post, fomos nos aventurar nas regiões administrativas especiais do vizinho. Nossa aventura de 4 dias foi conhecer Hong Kong e Macau. Agora chegou a vez de falar um pouquinho sobre nossa ex-colônia irmã, Macau.
Macau
Macau é um lugar interessante, eu diria. Imaginava chegar lá e ver, como no Brasil, mais influência portuguesa, mas confesso que fiquei um pouco decepcionada. A arquitetura portuguesa é indiscutível, as placas têm, todas, informações em cantonês (a língua local) e português, é possível achar montanhas de Pastel de Belém (se você não conhece esse pedacinho de céu, Google it e vai correndo se virar pra achar um pra comer, é divino!) e ainda se vê muitos portugueses por lá. Mas não vá pra Macau esperando usar o português ou interagir com as pessoas ou ver algo tão legal quanto Hong Kong.
Apesar de ter sido colônia portuguesa até 20 de dezembro de 1999, hoje Macau é China (MENOS DE 15 ANOS DEPOIS!). Foi impressionante perceber que o que ficou de forte influência inglesa em Hong Kong não acontece em Macau, com os traços portugueses. Pode-se perceber algo na comida, é possível visitar os locais turísticos com antigas construções coloniais, mas a sensação é muito estranha. Ao mesmo tempo em que via muita semelhança arquitetônica com o Rio, via que as pessoas não tinham nada de influência daquilo. Me senti como se o Rio tivesse sido invadido e dominado pelos chineses, e eles só mantivessem algumas coisas pra usar e ganhar dinheiro com os turistas.
Mas não pense que foi um dia jogado no lixo, porque realmente não foi (apesar do meu momento desabafo acima... hehehe...). Cruzamos o delta do Rio das Pérolas (Zhujiuang) de manhã e chegamos à Macau por volta da hora do almoço. A travessia é super rápida, leva no máximo umas duas horas e é feita numa barca super legal. Logo que chegamos lá, tivemos o primeiro choque com o sistema... O transporte em Macau é meio caótico e ninguém sabe te dar informações em inglês ou é simpático. Então, se você planeja ir pra lá, use um bom guia e prepare-se pra gastar algum tempo lendo mapas e tentando se achar.
O primeiro lugar que visitamos foi o Largo do Senado, um lugar super parecido com o centro do Rio. Calçadão de pedrinhas portuguesas, prédios que me lembraram muito os prédios da Cinelândia (no Rio) e os benditos Pastéis de Belém por todos os lados. Ainda no Largo, nos embrenhamos pela Travessa de S. Domingos, uma vielinha que mais parecia aquelas de Santa Teresa (também no Rio), onde encontramos um restaurante legal e almoçamos comida portuguesa e macaense (juro que tive que pesquisar, achei que fosse ‘macauana’ ou sei lá). A culinária de Macau é muito curiosa, uma mistura deliciosa da culinária chinesa com a portuguesa. Nesse dia, comemos um chan-han (arroz frito ou arroz colorido chinês) com bacalhau, que estava maravilhoso.
Depois do almoço, visitamos a Catedral de Macau, andamos mais pelo centro histórico e subimos uma ladeira super íngreme pra chegar à Fortaleza do Monte, uma construção lindíssima, do século XVI, que hoje abriga o museu de Macau. Depois de sair da fortaleza, visitamos as Ruínas de São Paulo, que são lindas e interessantes, porque se trata da fachada (só a fachada mesmo) da Igreja da Madre de Deus, a única coisa que sobrou do incêndio que atingiu o complexo do Colégio de São Paulo em 1835 (valei-me Wikipédia, porque lá não tinha uma placa de explicação).
Depois das ruínas, visitamos o mercado que fica logo abaixo da escadaria, tomamos suco de fruta de verdade (coisa que não existe no Japão) e fomos visitar o prédio do Clube Militar, que era muito lindo, e a vila de Tai O, um típico vilarejo português, na parte sul de Macau.
O fim da nossa aventura por lá foi visitar os cassinos. Pra quem não sabe, Macau é conhecida como a “Las Vegas da Ásia” e, se você gosta de uma jogatina, vale a pena tentar. Mas acabamos não encontrando uma mesa de pôquer descente pro namorado (tadico) e fomos comer num pé sujo na estação das barcas, pra depois voltar pra Hong Kong.
Macau foi, eu acho, o primeiro lugar que eu saí sem dizer que gostaria de voltar, como vocês devem ter percebido ao longo do post. Mas não me levem a mal, foi a minha impressão estranha. Ainda acho que valeu a pena conhecer e foi uma experiência boa. O que digo a vocês é o seguinte: corram pra Hong Kong, curtam muito, aproveitem o lugar, depois visitem Macau por um dia (não acho que precise mais do que isso), conheçam, comam Pastéis de Belém e viagem por aí, que é sempre delicioso.
Macau
Macau é um lugar interessante, eu diria. Imaginava chegar lá e ver, como no Brasil, mais influência portuguesa, mas confesso que fiquei um pouco decepcionada. A arquitetura portuguesa é indiscutível, as placas têm, todas, informações em cantonês (a língua local) e português, é possível achar montanhas de Pastel de Belém (se você não conhece esse pedacinho de céu, Google it e vai correndo se virar pra achar um pra comer, é divino!) e ainda se vê muitos portugueses por lá. Mas não vá pra Macau esperando usar o português ou interagir com as pessoas ou ver algo tão legal quanto Hong Kong.
Apesar de ter sido colônia portuguesa até 20 de dezembro de 1999, hoje Macau é China (MENOS DE 15 ANOS DEPOIS!). Foi impressionante perceber que o que ficou de forte influência inglesa em Hong Kong não acontece em Macau, com os traços portugueses. Pode-se perceber algo na comida, é possível visitar os locais turísticos com antigas construções coloniais, mas a sensação é muito estranha. Ao mesmo tempo em que via muita semelhança arquitetônica com o Rio, via que as pessoas não tinham nada de influência daquilo. Me senti como se o Rio tivesse sido invadido e dominado pelos chineses, e eles só mantivessem algumas coisas pra usar e ganhar dinheiro com os turistas.
Mas não pense que foi um dia jogado no lixo, porque realmente não foi (apesar do meu momento desabafo acima... hehehe...). Cruzamos o delta do Rio das Pérolas (Zhujiuang) de manhã e chegamos à Macau por volta da hora do almoço. A travessia é super rápida, leva no máximo umas duas horas e é feita numa barca super legal. Logo que chegamos lá, tivemos o primeiro choque com o sistema... O transporte em Macau é meio caótico e ninguém sabe te dar informações em inglês ou é simpático. Então, se você planeja ir pra lá, use um bom guia e prepare-se pra gastar algum tempo lendo mapas e tentando se achar.
O primeiro lugar que visitamos foi o Largo do Senado, um lugar super parecido com o centro do Rio. Calçadão de pedrinhas portuguesas, prédios que me lembraram muito os prédios da Cinelândia (no Rio) e os benditos Pastéis de Belém por todos os lados. Ainda no Largo, nos embrenhamos pela Travessa de S. Domingos, uma vielinha que mais parecia aquelas de Santa Teresa (também no Rio), onde encontramos um restaurante legal e almoçamos comida portuguesa e macaense (juro que tive que pesquisar, achei que fosse ‘macauana’ ou sei lá). A culinária de Macau é muito curiosa, uma mistura deliciosa da culinária chinesa com a portuguesa. Nesse dia, comemos um chan-han (arroz frito ou arroz colorido chinês) com bacalhau, que estava maravilhoso.
Depois do almoço, visitamos a Catedral de Macau, andamos mais pelo centro histórico e subimos uma ladeira super íngreme pra chegar à Fortaleza do Monte, uma construção lindíssima, do século XVI, que hoje abriga o museu de Macau. Depois de sair da fortaleza, visitamos as Ruínas de São Paulo, que são lindas e interessantes, porque se trata da fachada (só a fachada mesmo) da Igreja da Madre de Deus, a única coisa que sobrou do incêndio que atingiu o complexo do Colégio de São Paulo em 1835 (valei-me Wikipédia, porque lá não tinha uma placa de explicação).
Depois das ruínas, visitamos o mercado que fica logo abaixo da escadaria, tomamos suco de fruta de verdade (coisa que não existe no Japão) e fomos visitar o prédio do Clube Militar, que era muito lindo, e a vila de Tai O, um típico vilarejo português, na parte sul de Macau.
O fim da nossa aventura por lá foi visitar os cassinos. Pra quem não sabe, Macau é conhecida como a “Las Vegas da Ásia” e, se você gosta de uma jogatina, vale a pena tentar. Mas acabamos não encontrando uma mesa de pôquer descente pro namorado (tadico) e fomos comer num pé sujo na estação das barcas, pra depois voltar pra Hong Kong.
Macau foi, eu acho, o primeiro lugar que eu saí sem dizer que gostaria de voltar, como vocês devem ter percebido ao longo do post. Mas não me levem a mal, foi a minha impressão estranha. Ainda acho que valeu a pena conhecer e foi uma experiência boa. O que digo a vocês é o seguinte: corram pra Hong Kong, curtam muito, aproveitem o lugar, depois visitem Macau por um dia (não acho que precise mais do que isso), conheçam, comam Pastéis de Belém e viagem por aí, que é sempre delicioso.
22 de agosto de 2012
Novo visual
Oie!
Passei só pra mostrar a nova cara do blog. Bonitinho? =D
Lutei contra a idade pra relembrar o que sabia de HTML, quando era uma jovem 'manceba' (essa palavra existe? acho que não... hahahaha!), e tá aí, meu novo template.
O novo post vai estar online logo logo, então não fiquem longe por muito tempo, ok?
Beijo!
Passei só pra mostrar a nova cara do blog. Bonitinho? =D
Lutei contra a idade pra relembrar o que sabia de HTML, quando era uma jovem 'manceba' (essa palavra existe? acho que não... hahahaha!), e tá aí, meu novo template.
O novo post vai estar online logo logo, então não fiquem longe por muito tempo, ok?
Beijo!
15 de agosto de 2012
A China “não-China” [parte 1]
No início do mês, eu e Carlos pegamos as trouxinhas e fomos nos aventurar por Hong Kong e Macau. Nada melhor do que uma viagem pra comemorar dois anos muito bem sucedidos de namoro, né? E foi a melhor escolha, uma das grandes viagens que fizemos desde a vinda pro Japão.
Saímos de Osaka no dia 31 de julho e voltamos no dia 5 de agosto. Durante esse tempo, passamos 3 dias em Hong Kong e um em Macau. Foi nossa primeira vez na China, ou melhor, em algo parecido com a China (hehehe!). Hong Kong e Macau, após um período de, consecutivamente, 100 e 442 anos como colônias européias, são hoje regiões administrativas da China. Macau foi “alugada” pelos portugueses em meados do século XVI, como porto comercial, e devolvida em 1999. Hong Kong, por sua vez, se tornou colônia inglesa em 1898, após a Guerra do Ópio, e foi devolvida cem anos depois, em 1997. Hoje ambas são as regiões administrativas especiais da China, possuindo certa liberdade em relação à “main land” chinesa.
Hong Kong
Hong Kong é um lugar muito legal. Bastante organizado, limpo, com um transporte invejável e com um comércio sempre borbulhante. Tive a impressão de que em Hong Kong as marcas inglesas ficaram com muito mais força do que as portuguesas em Macau.
Algo que realmente nos chocou em Hong Kong (num bom sentido, é claro), foi a receptividade das pessoas. Por três ou quatro vezes, fomos abordados por pessoas que nos viram checando o mapa e vieram oferecer ajuda. Não querendo ser chata e reclamona, mas isso não é o tipo de coisa que vivemos no Japão. Foi algo que achamos diferente e positivo.
No primeiro dia, andamos pelo centro da ilha de Hong Kong, visitamos a torre do Bank of China, a Catedral de S. João, toda a parte histórica,andamos de ‘tram’ (o nosso famoso ‘bonde’ - lá, no estilo inglês, com dois andares), comemos o melhor ‘noodle’ das nossas vidas, visitamos mercados, chegamos ao templo Man Mo, andamos pela Hollywood Road, tomamos um chopp e subimos pro ponto mais alto da cidade, pra ter uma maravilhosa vista noturna da Baía de Vitória.
O segundo dia foi uma agradável surpresa. Não estávamos muito bem organizados, só sabíamos que o objetivo era visitar o Buda Tian Tan. Mas acabamos descobrindo q o Buda não ficava assim tão perto e que havia a possibilidade de fazer um roteiro litorâneo muito bom, na ilha de Lantau (lembrando que a região de Hong Kong possui uma parte continental e outras insulares). No fim, pudemos visitar a vila de Ngong Ping, no alto de uma montanha, onde fica o Buda e o Monastério dos Mil Budas. Visitamos a aldeia de pescadores de Tai O, toda de palafitas, peixes secos, comida maravilhosa e coisas legais. Fizemos um assustador passeio de barco e ainda voltamos pro centro de Hong Kong a tempo de pegar a barca e ter uma bela vista noturna, dessa vez de dentro da Baía de Vitória.
Após nossa ida a Macau, por um dia, o último dia em Hong Kong foi uma mistura de compras, muitas compras, comida chinesa maravilhosa e mais andança. Andamos tanto durante essa viagem, que voltamos com as pernas malhadas e o corpo doendo. No último dia, depois de visitar vários mercados, não agüentávamos mais nada e partimos pro aeroporto, pra esperar lá pelo vôo e aproveitar nossa última refeição local.
O mais interessante em Hong Kong foi ver o quanto há um esforço de se diferenciar da China. Pareceu pra mim que todos os estereótipos de chineses são rejeitados pela população de lá e há a necessidade de mostrar a quem quer que seja que ‘Hong Kong não é China’. O mesmo que foi repetido para nós, antes e depois da viagem. E essa diferença, nós percebemos ao chegar em Macau, que, hoje em dia, é muito mais China do que Portugal.
No próximo post, conto pra vocês como foi visitar nossa ‘colônia-irmã’, Macau.
Saímos de Osaka no dia 31 de julho e voltamos no dia 5 de agosto. Durante esse tempo, passamos 3 dias em Hong Kong e um em Macau. Foi nossa primeira vez na China, ou melhor, em algo parecido com a China (hehehe!). Hong Kong e Macau, após um período de, consecutivamente, 100 e 442 anos como colônias européias, são hoje regiões administrativas da China. Macau foi “alugada” pelos portugueses em meados do século XVI, como porto comercial, e devolvida em 1999. Hong Kong, por sua vez, se tornou colônia inglesa em 1898, após a Guerra do Ópio, e foi devolvida cem anos depois, em 1997. Hoje ambas são as regiões administrativas especiais da China, possuindo certa liberdade em relação à “main land” chinesa.
Hong Kong
Hong Kong é um lugar muito legal. Bastante organizado, limpo, com um transporte invejável e com um comércio sempre borbulhante. Tive a impressão de que em Hong Kong as marcas inglesas ficaram com muito mais força do que as portuguesas em Macau.
Algo que realmente nos chocou em Hong Kong (num bom sentido, é claro), foi a receptividade das pessoas. Por três ou quatro vezes, fomos abordados por pessoas que nos viram checando o mapa e vieram oferecer ajuda. Não querendo ser chata e reclamona, mas isso não é o tipo de coisa que vivemos no Japão. Foi algo que achamos diferente e positivo.
No primeiro dia, andamos pelo centro da ilha de Hong Kong, visitamos a torre do Bank of China, a Catedral de S. João, toda a parte histórica,andamos de ‘tram’ (o nosso famoso ‘bonde’ - lá, no estilo inglês, com dois andares), comemos o melhor ‘noodle’ das nossas vidas, visitamos mercados, chegamos ao templo Man Mo, andamos pela Hollywood Road, tomamos um chopp e subimos pro ponto mais alto da cidade, pra ter uma maravilhosa vista noturna da Baía de Vitória.
O segundo dia foi uma agradável surpresa. Não estávamos muito bem organizados, só sabíamos que o objetivo era visitar o Buda Tian Tan. Mas acabamos descobrindo q o Buda não ficava assim tão perto e que havia a possibilidade de fazer um roteiro litorâneo muito bom, na ilha de Lantau (lembrando que a região de Hong Kong possui uma parte continental e outras insulares). No fim, pudemos visitar a vila de Ngong Ping, no alto de uma montanha, onde fica o Buda e o Monastério dos Mil Budas. Visitamos a aldeia de pescadores de Tai O, toda de palafitas, peixes secos, comida maravilhosa e coisas legais. Fizemos um assustador passeio de barco e ainda voltamos pro centro de Hong Kong a tempo de pegar a barca e ter uma bela vista noturna, dessa vez de dentro da Baía de Vitória.
Após nossa ida a Macau, por um dia, o último dia em Hong Kong foi uma mistura de compras, muitas compras, comida chinesa maravilhosa e mais andança. Andamos tanto durante essa viagem, que voltamos com as pernas malhadas e o corpo doendo. No último dia, depois de visitar vários mercados, não agüentávamos mais nada e partimos pro aeroporto, pra esperar lá pelo vôo e aproveitar nossa última refeição local.
O mais interessante em Hong Kong foi ver o quanto há um esforço de se diferenciar da China. Pareceu pra mim que todos os estereótipos de chineses são rejeitados pela população de lá e há a necessidade de mostrar a quem quer que seja que ‘Hong Kong não é China’. O mesmo que foi repetido para nós, antes e depois da viagem. E essa diferença, nós percebemos ao chegar em Macau, que, hoje em dia, é muito mais China do que Portugal.
No próximo post, conto pra vocês como foi visitar nossa ‘colônia-irmã’, Macau.
30 de novembro de 2011
Soroban
Para os que não sabem, o Soroban nada mais é do que o ábaco japonês. Sabe? O ábaco, aquele que você ouviu em algum momento da sua vida, numa aula de matemática, pode até ter tido um de brinquedo quando era criança, mas nunca soube exatamente como fazer contas com ele.
Existem vários tipos de ábaco, de várias épocas e várias regiões. O ábaco japonês é uma adaptação do Suanpan chinês (nomes parecidos, nop?) e foi trazido pra cá antes do século XVI. A Coréia também “importou” o ábaco chinês e possui o seu Supan. Muito antes de alguma mente brilhante nascer, crescer, se desenvolver e pensar em inventar uma calculadora, os ábacos já estavam aí pelo mundo. No Japão, o Soroban faz parte da cultura tradicional do país e ainda é parte obrigatória da educação infantil.
Alguns meses depois de chegar no Japão, fui apresentada por uma conhecida ao curso de Soroban para estrangeiros, oferecido aqui em Osaka. No início não me animei muito de perder as sagradas manhãs de sábado para fazer contas, mas acabei cedendo e fui a uma primeira aula. Fiquei tão encantada, que cá estou eu já indo para a minha 4ª prova de proficiência e já sabendo alguma coisa sobre como usar um ábaco. Quem sabe não arranjo um emprego de professora de soroban no ICBJ quando voltar, né? Hihihi!
O esquema do curso é tão gostoso, que não tem como não se apaixonar. Tudo, absolutamente tudo é gratuito no curso para estrangeiros coordenado pelo Moritomo-sensei. Material em papel para as aulas, soroban (sim, nós ganhamos!) e até o lanchinho do intervalo. As aulas acontecem todo sábado, entre 11h e meio-dia, na Câmara de Comércio de Osaka, no centro da cidade. Resumindo bastante, meu único gasto com o soroban são as passagens de ida e volta. Com certeza, o que se ganha com esse curso nunca poderemos retribuir. Além da gratuidade, somos tratados com muito carinho, treinamos nosso japonês, conhecemos outros estrangeiros e temos os professores mais fofos.
Como se já não fosse muito, todo ano temos duas cerimônias muito importantes. A primeira é a “Cerimônia de Dedicação”, que acontece no início do ano, para agradecermos pelo ano que passou e prometermos nos dedicar ainda mais no ano que se inicia. Nessa cerimônia, que acontece no templo Tenmangu (o mais famoso de Osaka), fazemos algumas contas compartilhando um grande soroban com outras pessoas e acontece um ritual shintoísta. Após a cerimônia, almoçamos uma deliciosa comida tradicional e ganhamos vários brindes. Ainda recebemos o ‘otoshidama’, que é o presente em dinheiro dado pelos pais ou avós às crianças japonesas nas comemorações de Ano Novo japonesas (a virada do ano é a época mais importante do calendário japonês). A segunda grande cerimônia é a apresentação da turma à Associação de Soroban de Osaka, na qual não fazemos nada, mas dizem ser a mais importante para a turma (eu acho a outra mais legal, daí a ordem). Após essa cerimônia também ganhamos um almoço gostoso e um novo ábaco.
Resumindo bastante, esse curso é uma das melhores coisas que eu encontrei aqui. Nele ganhei maior velocidade de raciocínio, aprendi e aprendo muito, conheci pessoas maravilhosas e vi um lado muito gentil do Japão. Espero aprender ainda mais e poder levar isso pra sempre.
Fica a dica pra quem um dia passar algum tempo em Osaka! Procurem pelo Curso de Soroban para Estrangeiros e experimentem um pouquinho da cultura tradicional japonesa de um jeito muito legal.
12 de julho de 2011
Prevendo o futuro
Quem prevê futuro é Mãe Diná, mas que atire a primeira pedra quem nunca quis prever, né? O mais engraçado é nos pegar imaginando determinadas coisas...
Por exemplo, há quase 3 semanas, nasceu a Manu, filha de uma amigona minha, amiga de infância. Manu é minha 1ª sobrinha postiça e estou adorando declamar isso aos sete ventos. Mas, com a chegada de Manu, me peguei pensando em filhos. Não que eu os queira agora, porque... Né? Não! Mas me peguei pensando em quantos filhos vou ter e o quanto vai ser bom ter só dois, até porque a Dona Cláudia, se cada um de seus filhos tiver dois filhos, vai ter 8 netos e eu acho que tá de bom tamanho. Mais engraçado do que pensar isso, foi pesar exatamente nesses termos.
Outra coisa engraçada, relativa a essa mesma amiga, foi que ela casou há mais ou menos 3 meses. PIMBA! Lá estava eu, outro dia, pensando em como vai ser meu casamento. Veja bem! Eu não imagino como eu gostaria que fosse, eu penso em como vai ser! E defini pra mim que não quero uma festa de arromba, quero uma festa gostosa. Com família, amigos de verdade e diversão. Até porque, segundo minha própria imaginação metódica, doentiamente organizada e "não-babaca" (ironia), quem alimenta desconhecido ou é voluntário da UNESCO, ou quer se mostrar, ou é otário.
A única coisa que tem me deixado "bolada" de tentar prever é a minha vida pós-volta pro Brasil. Na verdade, acho que vou ficar tentando resolver o que fazer durante uns bons meses, depois de chegar de volta em casa. Essa é a minha previsão mais acertada até agora.
Observem cuidadosamete o nível de loucura contido nesses pensamentos...
Terminadas as férias de verão - que, aqui, duram da segunda semana de agosto ao fim de setembro - pretendo me mudar do dorm. Vou ter a minha casa, as minhas áreas de higiene e a minha cozinha. Tá, não vão ser só minhas porque a outra novidade do processo é que vou dividir o apartamento (também chamado de apErtamento, no Japão) com o meu namorado, mas, prosseguindo... Vai ser o tipo de nvidade bem nova pra mim. Não só no sentido de ter a miha casa, mas no sentido de dividir com alguém que não é só um roommate.
Mas as previsões relacionadas à nova casa tem pouco a ver com o meu relacionamento, na verdade. Desde que enchi o pote desse dormitório, tenho milhares de "amostras" de mini-apartametos japoneses na minha cabeça. É tipo um catálogo de como vai ser a minha casa. Até em como eu vou viver depois que me mudar eu já penso!
Eu tenho medo de mim, às vezes... Mas nem acho tão ruim assim, ser doida desse jeito.
Por exemplo, há quase 3 semanas, nasceu a Manu, filha de uma amigona minha, amiga de infância. Manu é minha 1ª sobrinha postiça e estou adorando declamar isso aos sete ventos. Mas, com a chegada de Manu, me peguei pensando em filhos. Não que eu os queira agora, porque... Né? Não! Mas me peguei pensando em quantos filhos vou ter e o quanto vai ser bom ter só dois, até porque a Dona Cláudia, se cada um de seus filhos tiver dois filhos, vai ter 8 netos e eu acho que tá de bom tamanho. Mais engraçado do que pensar isso, foi pesar exatamente nesses termos.
Outra coisa engraçada, relativa a essa mesma amiga, foi que ela casou há mais ou menos 3 meses. PIMBA! Lá estava eu, outro dia, pensando em como vai ser meu casamento. Veja bem! Eu não imagino como eu gostaria que fosse, eu penso em como vai ser! E defini pra mim que não quero uma festa de arromba, quero uma festa gostosa. Com família, amigos de verdade e diversão. Até porque, segundo minha própria imaginação metódica, doentiamente organizada e "não-babaca" (ironia), quem alimenta desconhecido ou é voluntário da UNESCO, ou quer se mostrar, ou é otário.
A única coisa que tem me deixado "bolada" de tentar prever é a minha vida pós-volta pro Brasil. Na verdade, acho que vou ficar tentando resolver o que fazer durante uns bons meses, depois de chegar de volta em casa. Essa é a minha previsão mais acertada até agora.
Observem cuidadosamete o nível de loucura contido nesses pensamentos...
Terminadas as férias de verão - que, aqui, duram da segunda semana de agosto ao fim de setembro - pretendo me mudar do dorm. Vou ter a minha casa, as minhas áreas de higiene e a minha cozinha. Tá, não vão ser só minhas porque a outra novidade do processo é que vou dividir o apartamento (também chamado de apErtamento, no Japão) com o meu namorado, mas, prosseguindo... Vai ser o tipo de nvidade bem nova pra mim. Não só no sentido de ter a miha casa, mas no sentido de dividir com alguém que não é só um roommate.
Mas as previsões relacionadas à nova casa tem pouco a ver com o meu relacionamento, na verdade. Desde que enchi o pote desse dormitório, tenho milhares de "amostras" de mini-apartametos japoneses na minha cabeça. É tipo um catálogo de como vai ser a minha casa. Até em como eu vou viver depois que me mudar eu já penso!
Eu tenho medo de mim, às vezes... Mas nem acho tão ruim assim, ser doida desse jeito.
28 de junho de 2011
Nihongo Nouryoukushiken - Prova de Proeficiência em Língua Japonesa
Desde o ano passado, quando assumiu um novo formato, o Nouryoukushiken acontece duas vezes por ano - mais exatamente no meio e no final do ano. Quando fiz essa prova pela primeira vez, ainda estava no Brasil e tinha, acho eu, uns dois anos de estudo de japonês. Bons tempos aqueles, quando o kanji (caractere chinês) mais difícil de lembrar era o de semana (週) ou qualquer outro com mais de 5 traços.
Antigamente (ou nessa época em que fiz pela 1ª vez), o teste tinha 4 níveis (em japonês, kyu), sendo 4 o mais fácil e 1 o mais difícil. Me lembro que, no curso, achávamos nossas senseis as deusas dos kanjis por serem níveis 1 ou 2. Hoje, admiro ainda mais todas elas, porque acho a língua japonesa uma das mais difíceis para nós brasileiros aprendermos; fluência, então, é coisa de kamisama (deus) mesmo!
Hoje, depois de uma mudança que buscou igualar a dificuldade da prova e diminuir o abismo entre os níveis - que era mesmo muito grande -, o Nouryoukushiken tem 5 níveis, com o mesmo esquema de aumento de dificuldade na ordem decrescente dos números. Os conteúdos a serem estudados em cada nível não foram muito alterados, a grande diferença foi a divisão do 2º nível em dois, criando um novo nível de número 3. Ou seja, o 4º nível passou a ser o 5º, o 3º passou a 4º e, entre este antigo 3 e o 1º, foram criados dois níveis que juntos formavam o antigo número 2. Ficou muito confuso? Espero que não...
Cheguei no Japão ainda no antigo nível 4. No Brasil ainda tentei por duas vezes o 3º nível, mas por falta de estudo, stress com outras coisas e falta de vergonha na cara, nunca passei. Talvez, por isso, tenha chegado aqui muito idiota no Nihongo, mesmo depois de 4 anos de estudo. Falta de dedicação é muito, mas muito, feia! "Ai, ai, ai" pra mim! [aqui é a parte que entram as broncas das minhas senseis, quando elas lerem esse post e comentarem...]
No fim do ano passado, com quase um ano de Japão, tentei o novo nível nº 3. Passei. Descobri mesmo que estar imersa na cultura é um catalisador muito sinistro pro aprendizado da língua. Quem fica fluente estudando japonês em seus respectivos países ganhou um pequenino altar na minha casa depois disso.
No próximo domingo (sim, dia 3 de julho. sim, tá perto pra caramba. não, isso não é feliz.), acontece o primeiro teste desse ano. Fiz a bobagem ENORME de me inscrever para o nível 2. Bobagem por que? Bobagem porque não tive tempo de estudar direito de novo. Tive aulas de gramática para a prova, estudei menos de 1/3 do livro de leitura e compreensão e estamos aí, prontos para o resultado e para ter gasto ¥5,500 (correspondente a cerca de R$110), o que é bem mais caro do que no Brasil, por nada.
Mas, enfim, de qualquer forma, vai valer pela experiência e para conhecer a prova, que também é diferente dos outros níveis. A partir do segundo nível, a prova tem 2 etapas – ao contrário dos mais fáceis, que tem 3 – uma que reúne gramática, compreensão, vocabulário e kanji, outra de listening.
Espero sinceramente, que estes últimos meses lendo coisas macarronicamente difíceis, em japonês, para as minhas aulas do doutorado, tenham adiantado de alguma coisa em kanji e vocabulário. Porque minha área, em japonês, não é nada fácil. E que meu dia-a-dia na faculdade e na rua me sirvam para o listening. A única vantagem que tenho é morar aqui... Hahahahaha! Que, talvez, pro ni kyu (nível 2), não seja nada.
Vamos vivendo um dia de cada vez, nesse mundo doido. Queria compartilhar com vocês mais essa experiência, não só daqui do Japão, mas de quem estuda japonês.
Antigamente (ou nessa época em que fiz pela 1ª vez), o teste tinha 4 níveis (em japonês, kyu), sendo 4 o mais fácil e 1 o mais difícil. Me lembro que, no curso, achávamos nossas senseis as deusas dos kanjis por serem níveis 1 ou 2. Hoje, admiro ainda mais todas elas, porque acho a língua japonesa uma das mais difíceis para nós brasileiros aprendermos; fluência, então, é coisa de kamisama (deus) mesmo!
Hoje, depois de uma mudança que buscou igualar a dificuldade da prova e diminuir o abismo entre os níveis - que era mesmo muito grande -, o Nouryoukushiken tem 5 níveis, com o mesmo esquema de aumento de dificuldade na ordem decrescente dos números. Os conteúdos a serem estudados em cada nível não foram muito alterados, a grande diferença foi a divisão do 2º nível em dois, criando um novo nível de número 3. Ou seja, o 4º nível passou a ser o 5º, o 3º passou a 4º e, entre este antigo 3 e o 1º, foram criados dois níveis que juntos formavam o antigo número 2. Ficou muito confuso? Espero que não...
Cheguei no Japão ainda no antigo nível 4. No Brasil ainda tentei por duas vezes o 3º nível, mas por falta de estudo, stress com outras coisas e falta de vergonha na cara, nunca passei. Talvez, por isso, tenha chegado aqui muito idiota no Nihongo, mesmo depois de 4 anos de estudo. Falta de dedicação é muito, mas muito, feia! "Ai, ai, ai" pra mim! [aqui é a parte que entram as broncas das minhas senseis, quando elas lerem esse post e comentarem...]
No fim do ano passado, com quase um ano de Japão, tentei o novo nível nº 3. Passei. Descobri mesmo que estar imersa na cultura é um catalisador muito sinistro pro aprendizado da língua. Quem fica fluente estudando japonês em seus respectivos países ganhou um pequenino altar na minha casa depois disso.
No próximo domingo (sim, dia 3 de julho. sim, tá perto pra caramba. não, isso não é feliz.), acontece o primeiro teste desse ano. Fiz a bobagem ENORME de me inscrever para o nível 2. Bobagem por que? Bobagem porque não tive tempo de estudar direito de novo. Tive aulas de gramática para a prova, estudei menos de 1/3 do livro de leitura e compreensão e estamos aí, prontos para o resultado e para ter gasto ¥5,500 (correspondente a cerca de R$110), o que é bem mais caro do que no Brasil, por nada.
Mas, enfim, de qualquer forma, vai valer pela experiência e para conhecer a prova, que também é diferente dos outros níveis. A partir do segundo nível, a prova tem 2 etapas – ao contrário dos mais fáceis, que tem 3 – uma que reúne gramática, compreensão, vocabulário e kanji, outra de listening.
Espero sinceramente, que estes últimos meses lendo coisas macarronicamente difíceis, em japonês, para as minhas aulas do doutorado, tenham adiantado de alguma coisa em kanji e vocabulário. Porque minha área, em japonês, não é nada fácil. E que meu dia-a-dia na faculdade e na rua me sirvam para o listening. A única vantagem que tenho é morar aqui... Hahahahaha! Que, talvez, pro ni kyu (nível 2), não seja nada.
Vamos vivendo um dia de cada vez, nesse mundo doido. Queria compartilhar com vocês mais essa experiência, não só daqui do Japão, mas de quem estuda japonês.
17 de junho de 2011
Estereótipo
Quando estava na universidade (pra quem não sabe, me formei em História), aprendi incansavelmente sobre o erro do estereótipo etc etc. Estereotipar é tão feio pra um historiador ou para qualquer cientista social, que fica até feio fazer piadinha com samba, futebol e carnaval.
Segundo o nosso amigo Aurélio (dicionário):
O que não falta para pessoas que vivem fora de seus países de origem, são perguntas baseadas em estereótipos.
Hoje mesmo, durante o almoço, um dos meus professores japonês me disse que quando pensa em Brasil, imagina todo mundo dançando e cantando. Confesso que foi a forma mais bonitinha que já ouvi alguém falar sobre algum estereótipo brasileiro. Na maioria das vezes, as pessoas dizem que quando pensam em Brasil, imaginam todo mundo curtindo a vida, sambando e jogando futebol. E, nesse ponto, não falo só sobre o ponto de vista dos japoneses, mas também de todos os outros estrangeiros que já conversaram comigo sobre esse tipo de coisa.
O costume, infelizmente, me levou a encarar na esportiva esse tipo de coisa. Porque não é legal pensar que grande parte das pessoas imagina seu país como uma grande festa O TEMPO INTEIRO. Mas, ao mesmo tempo, procuro ver isso como um certo elogio à nossa alegria. O povo brasileiro (isso eu aprendi conhecendo pessoas de outros lugares e conversando/convivendo com elas, ok?) é muito alegre, caloroso, receptivo e amigável. E vocês talvez não possam perceber o quanto.
Porém, por um lado um pouco mais sombrio, o estereótipo pode construir situações de extrema humilhação e desrespeito entre pessoas de países diferentes. Como aconteceu entre um professor e um aluno brasileiro, aqui em Osaka, quando o dito (e maldito) professor disse que o aluno não tinha qualidade por ser brasileiro. Resumindo bem do que se tratou, o ‘respeitoso acadêmico’, por achar o Brasil um paiseco pobre e sem estrutura, disse que o aluno era ruim porque era fruto de um sistema educacional ruim. Situação desagradável? Eu diria mais! Situação de constrangimento muito feia e, do meu ponto de vista de brigona e encrenqueira, situação de probleminha internacional meio que grave. Mas tá... Queria exemplificar o ‘lado negro da força’ do esteriótipo.
A pior parte de tudo isso, porém, não é nem o que os outros pensam sobre nós brasileiros ou o que nós pensamos sobre os russos ou o que os russos pensam sobre os americanos. O lado ruim mesmo da história é quando nós mesmo construímos uma má imagem dos nossos países. Situação da qual também (e infelizmente) tenho exemplos. Como o da jovem que, ao ser questionada sobre não conhecer bem uma técnica básica de procedimento pelo professor, respondeu que não sabia porque tinha vindo do Brasil e o sistema educacional era muito ruim lá.
Ou seja, se vocês observaram bem, é a representatividade negativa que alimenta o estereótipo e acaba gerando tudo isso. O estereótipo é cíclico, unilateral e redutivo. Cíclico pelo que vocês acabaram de ler. Unilateral porque acaba sendo gerado por uma só prática que se destaca ou pelo discurso de um só grupo/pessoa que o representa. Redutivo porque reduz TODA UMA CULTURA a samba, carnaval e futebol.
Então, pensem bem antes de dizer que todo americano é burro, que todo russo é anti-social ou que mexicano é imigrante ilegal. Fica a dica!
Segundo o nosso amigo Aurélio (dicionário):
estereótipo s.m. Fôrma compacta obtida pelo processo estereotípico; estereotipia, clichê. Lugar-comum; clichê, chavão. [Cf. estereotipo, do v. estereotipar]Resumindo bem, um estereótipo é, quando relativo a um grupo de pessoas ou um país, uma imagem pré-definida dos costumes, da cultura, das práticas. Geralmente um esteriótipo parte de uma característica que se destaque mais, para quem ‘olha de fora’, entre as práticas daquele determinado grupo, mas que não é a única característica dele. O que acaba por transformar, muitas vezes (ou em todas elas), o esteriótipo em um preconceito, no sentido ruim da palavra.
O que não falta para pessoas que vivem fora de seus países de origem, são perguntas baseadas em estereótipos.
Hoje mesmo, durante o almoço, um dos meus professores japonês me disse que quando pensa em Brasil, imagina todo mundo dançando e cantando. Confesso que foi a forma mais bonitinha que já ouvi alguém falar sobre algum estereótipo brasileiro. Na maioria das vezes, as pessoas dizem que quando pensam em Brasil, imaginam todo mundo curtindo a vida, sambando e jogando futebol. E, nesse ponto, não falo só sobre o ponto de vista dos japoneses, mas também de todos os outros estrangeiros que já conversaram comigo sobre esse tipo de coisa.
O costume, infelizmente, me levou a encarar na esportiva esse tipo de coisa. Porque não é legal pensar que grande parte das pessoas imagina seu país como uma grande festa O TEMPO INTEIRO. Mas, ao mesmo tempo, procuro ver isso como um certo elogio à nossa alegria. O povo brasileiro (isso eu aprendi conhecendo pessoas de outros lugares e conversando/convivendo com elas, ok?) é muito alegre, caloroso, receptivo e amigável. E vocês talvez não possam perceber o quanto.
Porém, por um lado um pouco mais sombrio, o estereótipo pode construir situações de extrema humilhação e desrespeito entre pessoas de países diferentes. Como aconteceu entre um professor e um aluno brasileiro, aqui em Osaka, quando o dito (e maldito) professor disse que o aluno não tinha qualidade por ser brasileiro. Resumindo bem do que se tratou, o ‘respeitoso acadêmico’, por achar o Brasil um paiseco pobre e sem estrutura, disse que o aluno era ruim porque era fruto de um sistema educacional ruim. Situação desagradável? Eu diria mais! Situação de constrangimento muito feia e, do meu ponto de vista de brigona e encrenqueira, situação de probleminha internacional meio que grave. Mas tá... Queria exemplificar o ‘lado negro da força’ do esteriótipo.
A pior parte de tudo isso, porém, não é nem o que os outros pensam sobre nós brasileiros ou o que nós pensamos sobre os russos ou o que os russos pensam sobre os americanos. O lado ruim mesmo da história é quando nós mesmo construímos uma má imagem dos nossos países. Situação da qual também (e infelizmente) tenho exemplos. Como o da jovem que, ao ser questionada sobre não conhecer bem uma técnica básica de procedimento pelo professor, respondeu que não sabia porque tinha vindo do Brasil e o sistema educacional era muito ruim lá.
Ou seja, se vocês observaram bem, é a representatividade negativa que alimenta o estereótipo e acaba gerando tudo isso. O estereótipo é cíclico, unilateral e redutivo. Cíclico pelo que vocês acabaram de ler. Unilateral porque acaba sendo gerado por uma só prática que se destaca ou pelo discurso de um só grupo/pessoa que o representa. Redutivo porque reduz TODA UMA CULTURA a samba, carnaval e futebol.
Então, pensem bem antes de dizer que todo americano é burro, que todo russo é anti-social ou que mexicano é imigrante ilegal. Fica a dica!
8 de junho de 2011
Malandragem Inocente e Machismo Feminino
Viver fora é bem assim, de 5 em 5 minutos você ganha algo novo pra contar pros seus netos daqui a uns anos. É lógico que, depois de 1 ano, esse período de tempo aumenta consideravelmente e o encanto passa a rotina num piscar de olhos. Mas ainda podemos considerar, vez ou outra, ocasiões em que você diz “Essa eu vou contar pros meus netos, fazendo apresentação de Power Point, porque foi f***!”.
Sexta-feira passada teve um desses “momentos especiais”. O dia vinha sendo bem comum. Aula pela manhã, almoço gostoso com os amigos e BAM! A volta do almoço acabou sendo algo nunca antes visto na história da hu... Ok! Parei! Mas, depois que eu contar tudo, vocês me dizem se é ou não algo... Como dizer...? Peculiar!
Como voltei de um campus diferente do meu na sexta, por ter ido almoçar com a galera, peguei o trem e desci na estação mais perto da minha casa (do contrário, pegaria o monorail e desceria mais longe). Até aí, tudo belezura. Vinha andando no caminho de casa e vi os senhores que fazem a fiscalização de estacionamento irregular – o que no Japão é pra valer e dá multa MESMO (imaginem, um país desse tamanico, cheio de gente e com a galera parando o carro em qualquer lugar, né?), e eles usam câmeras e tudo mais. Quando vi os tios chegarem, já pensei: “Ih! Ó a quantidade de carro parado em local proibido! Dançaram...”. Nisso, do nada, vem um amiguinho correndo e grita: “Matte!” (“Esperem!”). Os tios gentilmente pararam, olharam para o homem e ele continuou: “Sumimasen, kusuriya ni imashita kedo...” (“Desculpe, é que eu estava na farmácia...”). Na mesma hora me veio “QUE MALANDRO! FUGIU DA MULTA COM A DESCULPA DE COMPRAR REMÉDIO! PARECE BRASILEIRO!” e minha ânsia por compartilhar informações “relevantes” me fez pegar o celular, entrar no Facebook e começar a postar aquilo ali na hora. E aí chegamos na parte interessante da história...
Enquanto caminhava pelo parque, em direção ao dormitório, postando distraidamente no celular, escuto um “Sumimasen!”. Desligada como sou e, além disso, convencida de que japoneses não abordam, nem levantei os olhos e continuei andando. Mas ouvi novamente “Sumimasen!” e não teve jeito, olhei. Um homem, de seus quase 50 anos vinha em minha direção (Notem bem! Era dia e o parque estava cheio! Inclusive onde eu estava.), com uma câmera – daquelas descartáveis – em uma das mãos pedindo que eu tirasse uma foto dele. Nem pensei duas vezes e disse que não podia, estava com pressa. Quando percebeu que eu não ia tirar a tal foto (com mais várias pessoas em volta), o homem guardou a câmera no bolso da calça e foi embora. E você me pergunta: “Ok, e o que tem de ‘peculiar’ nisso?”
Vamos à análise de detalhes... 1o: Japoneses não abordam estrangeiros para pedir qualquer coisa quando há mais japoneses por perto. 2 o: Pedir apenas para mim para tirar uma foto é um tanto ou quanto suspeito, não? Onde ele iria pedir que a foto fosse tirada? 3 o (e repetitivo): Por que, quando eu disse não, ele não pediu, por exemplo, ao velhinho que vinha mais atrás?
A verdade é que se tratava de, segundo os japoneses, um chikan. No bom e velho português, chikan quer dizer tarado. Sim senhores, fui abordada por um tarado nipônico. Daqueles que a gente sempre escuta falar, imagina andando por aí com um sobretudo e sem nada por baixo, mas nunca achou que fosse real e, no caso de nós brasileiros, nunca achou que fosse de uma abordagem tão boba (pelo menos nesse caso). Os japoneses, do meu ponto de vista, são muito inocentes em determinados aspectos, até quando tentam ser malandros.
No Japão, os casos de tentativa de assédio sexual, como essa, são muito comuns. Nos parques, nas ruas desertas à noite, nos trens lotados. E o assédio acontece sim, com muito mais frequência do que no Brasil. No caso de pedir pra tirar foto, como é o meu exemplo dali de cima, o homem pede à menina que tire uma foto, a leva para um lugar deserto e se aproveita da situação para tocar a (muitas vezes) colegial enganada. Como já aconteceu com uma amiga que recebeu o mesmo pedido e quando ela disse sim, o homem tentou levá-la para um local deserto e onde ninguém pudesse socorrê-la rapidamente ao ouvir os gritos. Também soube de casos onde o homem já abordou a moça na rua semi-nu. Entre outros...
Nosso dormitório apresenta, logo na entrada, um aviso às moradoras, que andem por ruas movimentadas e evitem andar sozinhas durante a noite. Na realidade, a forma com que o tarado japonês age é muito boba se formos comparar com os maníacos que atacam mulheres no Brasil. Longe de tentarem (e conseguirem) um estupro, os loucos daqui querem só a chance de passar a mão nos seios ou nas nádegas de uma mulher (pelo menos uma vez na vida).
O grande problema é que, se um homem colocasse as mãos nos seios de uma jovem dentro de um trem no Brasil, ele, muito provavelmente, seria “sutilmente” surrado por quem assistisse a cena e jogado pra fora do trem. No Japão, as pessoas que estão presentes e assistem esse tipo de absurdo não se manifestam e nem mesmo as próprias vítimas chegam, pelo menos, a gritar quando esse tipo de coisa acontece.
Em um país machista como o Japão, não é surpresa esse tipo de atitude por parte das mulheres. Acredito que, aqui, o que acontece é um tipo cultural e socialmente aprovado de “machismo feminino”, onde as atitudes dos homens em relação ao abuso sexual são, talvez, justificáveis; ou onde a vergonha de denunciar este tipo de coisa seja maior do que a vergonha de ficar calada, sofrendo. Aos poucos aumenta o número de avisos nas ruas dizendo que as mulheres denunciem, peçam ajuda ou que as pessoas que presenciarem cenas de abuso também tomem as devidas providências. Mas, no caso de uma sociedade milenar que não aceitas mudanças de comportamento com muita facilidade, acho que isso ainda vai demorar a acontecer por aqui.
É isso aí, meu povo... Nenhum lugar NO MUNDO é perfeito.
Sexta-feira passada teve um desses “momentos especiais”. O dia vinha sendo bem comum. Aula pela manhã, almoço gostoso com os amigos e BAM! A volta do almoço acabou sendo algo nunca antes visto na história da hu... Ok! Parei! Mas, depois que eu contar tudo, vocês me dizem se é ou não algo... Como dizer...? Peculiar!
Como voltei de um campus diferente do meu na sexta, por ter ido almoçar com a galera, peguei o trem e desci na estação mais perto da minha casa (do contrário, pegaria o monorail e desceria mais longe). Até aí, tudo belezura. Vinha andando no caminho de casa e vi os senhores que fazem a fiscalização de estacionamento irregular – o que no Japão é pra valer e dá multa MESMO (imaginem, um país desse tamanico, cheio de gente e com a galera parando o carro em qualquer lugar, né?), e eles usam câmeras e tudo mais. Quando vi os tios chegarem, já pensei: “Ih! Ó a quantidade de carro parado em local proibido! Dançaram...”. Nisso, do nada, vem um amiguinho correndo e grita: “Matte!” (“Esperem!”). Os tios gentilmente pararam, olharam para o homem e ele continuou: “Sumimasen, kusuriya ni imashita kedo...” (“Desculpe, é que eu estava na farmácia...”). Na mesma hora me veio “QUE MALANDRO! FUGIU DA MULTA COM A DESCULPA DE COMPRAR REMÉDIO! PARECE BRASILEIRO!” e minha ânsia por compartilhar informações “relevantes” me fez pegar o celular, entrar no Facebook e começar a postar aquilo ali na hora. E aí chegamos na parte interessante da história...
Enquanto caminhava pelo parque, em direção ao dormitório, postando distraidamente no celular, escuto um “Sumimasen!”. Desligada como sou e, além disso, convencida de que japoneses não abordam, nem levantei os olhos e continuei andando. Mas ouvi novamente “Sumimasen!” e não teve jeito, olhei. Um homem, de seus quase 50 anos vinha em minha direção (Notem bem! Era dia e o parque estava cheio! Inclusive onde eu estava.), com uma câmera – daquelas descartáveis – em uma das mãos pedindo que eu tirasse uma foto dele. Nem pensei duas vezes e disse que não podia, estava com pressa. Quando percebeu que eu não ia tirar a tal foto (com mais várias pessoas em volta), o homem guardou a câmera no bolso da calça e foi embora. E você me pergunta: “Ok, e o que tem de ‘peculiar’ nisso?”
Vamos à análise de detalhes... 1o: Japoneses não abordam estrangeiros para pedir qualquer coisa quando há mais japoneses por perto. 2 o: Pedir apenas para mim para tirar uma foto é um tanto ou quanto suspeito, não? Onde ele iria pedir que a foto fosse tirada? 3 o (e repetitivo): Por que, quando eu disse não, ele não pediu, por exemplo, ao velhinho que vinha mais atrás?
A verdade é que se tratava de, segundo os japoneses, um chikan. No bom e velho português, chikan quer dizer tarado. Sim senhores, fui abordada por um tarado nipônico. Daqueles que a gente sempre escuta falar, imagina andando por aí com um sobretudo e sem nada por baixo, mas nunca achou que fosse real e, no caso de nós brasileiros, nunca achou que fosse de uma abordagem tão boba (pelo menos nesse caso). Os japoneses, do meu ponto de vista, são muito inocentes em determinados aspectos, até quando tentam ser malandros.
No Japão, os casos de tentativa de assédio sexual, como essa, são muito comuns. Nos parques, nas ruas desertas à noite, nos trens lotados. E o assédio acontece sim, com muito mais frequência do que no Brasil. No caso de pedir pra tirar foto, como é o meu exemplo dali de cima, o homem pede à menina que tire uma foto, a leva para um lugar deserto e se aproveita da situação para tocar a (muitas vezes) colegial enganada. Como já aconteceu com uma amiga que recebeu o mesmo pedido e quando ela disse sim, o homem tentou levá-la para um local deserto e onde ninguém pudesse socorrê-la rapidamente ao ouvir os gritos. Também soube de casos onde o homem já abordou a moça na rua semi-nu. Entre outros...
Nosso dormitório apresenta, logo na entrada, um aviso às moradoras, que andem por ruas movimentadas e evitem andar sozinhas durante a noite. Na realidade, a forma com que o tarado japonês age é muito boba se formos comparar com os maníacos que atacam mulheres no Brasil. Longe de tentarem (e conseguirem) um estupro, os loucos daqui querem só a chance de passar a mão nos seios ou nas nádegas de uma mulher (pelo menos uma vez na vida).
O grande problema é que, se um homem colocasse as mãos nos seios de uma jovem dentro de um trem no Brasil, ele, muito provavelmente, seria “sutilmente” surrado por quem assistisse a cena e jogado pra fora do trem. No Japão, as pessoas que estão presentes e assistem esse tipo de absurdo não se manifestam e nem mesmo as próprias vítimas chegam, pelo menos, a gritar quando esse tipo de coisa acontece.
Em um país machista como o Japão, não é surpresa esse tipo de atitude por parte das mulheres. Acredito que, aqui, o que acontece é um tipo cultural e socialmente aprovado de “machismo feminino”, onde as atitudes dos homens em relação ao abuso sexual são, talvez, justificáveis; ou onde a vergonha de denunciar este tipo de coisa seja maior do que a vergonha de ficar calada, sofrendo. Aos poucos aumenta o número de avisos nas ruas dizendo que as mulheres denunciem, peçam ajuda ou que as pessoas que presenciarem cenas de abuso também tomem as devidas providências. Mas, no caso de uma sociedade milenar que não aceitas mudanças de comportamento com muita facilidade, acho que isso ainda vai demorar a acontecer por aqui.
É isso aí, meu povo... Nenhum lugar NO MUNDO é perfeito.
1 de junho de 2011
Dia de Faxina
Na semana passada participei pela primeira vez da faxina mensal da sala de estudantes na OSIPP (Osaka School of International Public Policy). Faltei a primeira do ano, que aconteceu no mês passado, então me senti meio que na obrigação de ir dessa vez. No fim, a faxina foi muito divertida e pude conversar com um monte de gente.
Pode parecer estranho para nós, ocidentais, mas no Japão as crianças são acostumadas, desde pequenas a faxinar suas escolas e, conforme o tempo passa, vão faxinando suas salas no ensino médio, na universidade etc. No meu caso, tenho como "minha sala" a sala dos estudantes, onde ficam os armários e as mesas de estudo, além de um espaço pra "relaxar" - a "refresh room". Mas, no caso de amigos que frequentam "laboratórios ao pé da letra", com aquele esqueminha que aprendemos nas aulas de química do colégio - pipetas, beckers, tubos de ensaio etc. -, as faxinas são mais comuns e envolvem não só os alunos, mas também os professores responsáveis. Mas, na maior parte das vezes, são faxinas simples; só pra tirar a poeira, varrer o chão, passar um pano nas mesas e janelas.
O importante dessas faxinas, na verdade, está em outro aspecto. No ocidente assumimos a faxina como algo que deve ser feito por pessoas pagas para este tipo de serviço. Sim senhores, a mentalidade é essa e não podemos negar. Nunca colocaríamos nossos filhos para varrer o chão da sala de aula ou limpar as janelas, a escola tem funcionários específicos para isso. No Japão, porém, a faxina implica não só no quesito higiênico da coisa, mas sim na construção de uma consciência de grupo e responsabilidade. Aquela sala e aqueles objetos são seus também e você deve cuidar deles, deixá-los limpos. E não apenas fazer uso, sujar e deixar de lado, porque os outros membros do seu grupo, seus colegas, também vão usar. Sem contar que, convenhamos, você sujaria o que te deu trabalho para limpar?
No Brasil não temos esse tipo de prática, mas acho que seria tão bom criarmos. Um pano ou uma vassoura não deixariam nenhuma criança traumatizada e, sinceramente, talvez elas se tornassem seres humanos melhores, reduzindo o número de Paloccis, Antônios Carlos Magalhães, Sarneys etc.
Enfim... Queria só compartilhar mais uma das minhas experiências nipônicas. Mais uma das que eu acho que seriam tão boas se adotadas no Brasil. Qualquer dia desses escrevo melhor (mais especificamente) sobre o meu departamento na universidade e coloco umas fotos de lá.
25 de maio de 2011
Portugeiziu Corrétiu
No último dia 16, Carlos Eduardo Novaes publicou em sua coluna no Jornal do Brasil o seguinte texto:
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Livros pra inguinorantes, por Carlos Eduardo Novaes
Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!
A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.
A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei - como se diz? - magna.
Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.,
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O mais genial de tudo é analisar a posição do governo diante de um absurdo como esse. Porque o Ministério da Educação pode não ser o dono da verdade, mas é o responsável pela educação de TODO UM PAÍS. Longe de mim querer fazer comparações culturais e políticas, mas no Japão o índice de analfabetismo é zero, o governo faz sim o controle de qualidade dos livros didáticos, de acordo com todas as regras de conteúdo e linguagem, e nem por isso existem pessoas que reclamem desse tipo de prática como algo autoritário e violador da liberdade de expressão.
Aliás, não sei se vocês chegaram a assistir esse vídeo, mas o texto me lembrou muito essa fala:
Resumindo bem a papagaiada do governo em relação à educação (que, convenhamos, É SIM o fator principal no desenvolvimento de um país): um monte de ARGUMENTOS ABSURDOS, para justificar um monte de PRÁTICAS ABSURDAS. Desse jeito, o Brasil será uma grande potência internacional, levando-se em consideração o fim do mundo em 21 de dezembro de 2012, a partir do dia 22 de dezembro desse mesmo ano.
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Livros pra inguinorantes, por Carlos Eduardo Novaes
Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!
A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.
A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei - como se diz? - magna.
Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.,
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O mais genial de tudo é analisar a posição do governo diante de um absurdo como esse. Porque o Ministério da Educação pode não ser o dono da verdade, mas é o responsável pela educação de TODO UM PAÍS. Longe de mim querer fazer comparações culturais e políticas, mas no Japão o índice de analfabetismo é zero, o governo faz sim o controle de qualidade dos livros didáticos, de acordo com todas as regras de conteúdo e linguagem, e nem por isso existem pessoas que reclamem desse tipo de prática como algo autoritário e violador da liberdade de expressão.
Aliás, não sei se vocês chegaram a assistir esse vídeo, mas o texto me lembrou muito essa fala:
Resumindo bem a papagaiada do governo em relação à educação (que, convenhamos, É SIM o fator principal no desenvolvimento de um país): um monte de ARGUMENTOS ABSURDOS, para justificar um monte de PRÁTICAS ABSURDAS. Desse jeito, o Brasil será uma grande potência internacional, levando-se em consideração o fim do mundo em 21 de dezembro de 2012, a partir do dia 22 de dezembro desse mesmo ano.
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