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8 de março de 2010

Na onda do Oscar 2010... "The Hurt Locker"

Guerra ao Terror
(EUA - 2009 - 71 min.)
Por: Marina Magalhães B. L. da Silva


Vencedor do Oscar de Melhor Filme, no ano de 2010, The Hurt Locker, conta a história de um pelotão do esquadrão anti-bombas do exército norte-americano, em ação no Iraque. Deixando de lado a abordagem mais comum e específica sobre as motivações da Guerra do Iraque, o filme dirigido por Kathryn Bigelow, procura dar destaque ao dia-a-dia dos soldados em meio à pressão envolvida em suas funções, em especial no caso do esquadrão anti-bombas.
Após a morte em operação do sargento Matt Thompson, logo no início do filme, William James - interpretado por Jeremy Renner - é enviado para ocupar seu lugar nos dias que restam antes da substituição dos membros daquele pelotão. Com extrema frieza durante as operações e amplamente criticado por seus dois colegas de ação, James é a imagem do heróico soldado norte-americano, vindo do serviço no Afeganistão para mais um período de serviço na “guerra contra o terror” no Oriente Médio.
[fonte: Boletim do TEMPO - 08/mar/2010]

21 de julho de 2009

Oh! What a lovely war!

É simplesmente necessário agradecer a determinados gênios da filmografia. Um deles, que conquistou completamente por acaso minha admiração, foi Richard Attenborough.

Attenborough dirigiu a adaptação do musical criado por Joan Littlewood,
Oh! What a lovely war!, para o cinema. Definitivamente um dos meus filmes favoritos, que conheci em uma tarde de "ócio criativo" em casa, trocando os canais da TV e vivendo meu início de paixão por filmes não tão conhecidos mas fundamentais (daqueles bem cult, mesmo!).

O musical inglês mostra a Europa às vésperas e no decorrer da Primeira Guerra Mundial. Tratando de maneira completamente irônica e hilária a forma com que lidou com a guerra o velho continente.

Entre militares montados em cavalos de carrosséis, shows com belas dançarinas convocando recrutas, parques de diversões e jogos de tabuleiro, a produção, adaptada da peça teatral criada em 1963, traz uma visão tragicômica do conflito que foi considerado, ao seu término, a guerra feita para pôr fim a todas as guerras e que, infelizmente, apenas deu início ao que Eric Hobsbawm chamaria, por motivos óbvios, de Era dos Extremos.

Logo na primeira parte do – assim como o cansativo conflito que retrata – extremamente longo filme, é exibido um encontro entre todos os chefes militares europeus, grandes burgueses e os políticos. Este encontro é marcado por um animado jogo de guerra. Em um enorme mapa, estendido em uma sala, os diplomatas e aristocratas caminham sobre os territórios e negociam, simbolizando os tratados e expansões territoriais que marcaram o período antecedente à Grande Guerra. O fim da cena mostra a foto de todo o grupo, tirada por um fotógrafo desconhecido e, após a explosão do flash da máquina, o arquiduque Francisco Ferdinando aparece morto.

Depois se seguem cenas de paradas otimistas, anunciando o novo grande parque de diversões que seria a guerra mundial. Toda a sociedade segue para o parque, animada e os jovens assumem a posição de soldados com alegria. No teatro, um show com belas mulheres convoca os homens ao serviço militar, cantando sobre como devem defender a pátria e sobre como as mulheres adoram homens fardados.

As cenas de guerra trazem a tristeza dos soldados nas trincheiras da guerra e o péssimo estado em que eram colocados durante o conflito, as cartas enviadas, as trocas de tropas no front.

Uma das cenas mais marcantes dos soldados em conflito traz uma conversa entre as trincheiras no meio do combate. Soldados ingleses começam a conversar – gritando, é claro – com as tropas alemãs inimigas. Tal conversa gera amizade entre os combatentes, que, interrompidos os ataques na noite de Natal, comemoram juntos a data no espaço de terra entre as trincheiras – chamado “terra de ninguém” por não estar dominado por nenhum dos lados. Tal simbolismo, somado às imagens dos militares de alta patente dançando e considerando o período uma “adorável guerra”, demonstra a idéia de que todo aquele sofrimento envolvia interesses de pequenos grupos da sociedade. Os mais poderosos, visando o lucro futuro, assistiam de longe a guerra, enquanto apenas a grande massa estava envolvida no conflito propriamente dito, sem ter, na realidade, nada que gerasse inimizade com os combatentes do lado oposto.

O fim emblemático da obra pacifista de 1969 traz um imenso campo, coberto por cruzes, simbolizando os mortos da Grande Guerra – que chegaram a cerca de 19 milhões. A música cantada neste momento, seguindo a cena na qual a câmera se afasta e mostra uma quantidade cada vez maior de sepulturas, tem um título que fala por si só, “We’ll Never Tell Them”, e é cantada pela voz do ator que interpreta o último soldado a morrer, logo que a paz é anunciada.

Segundo relatos, todas as músicas do filme são canções da época, que foram reutilizadas sarcasticamente, de acordo com cada cena e situação. Atualmente pouco conhecido no Brasil, o filme é um retrato que traz, coberto por uma fina e bem elaborada camada de risadas, um forte simbolismo, cheio de significados, sobre o que foi o primeiro grande conflito de proporções mundiais. Tratando com ironia aquilo que marcou fortemente a sociedade européia devido às dimensões que atingiu uma guerra pela primeira vez, o alto nível de violência que se manteve das guerras feudais, em combates corpo a corpo na maior parte das vezes, e o enorme número de sobreviventes traumatizados que gerou em virtude disso.

Recomendo, viu? É um filme muito legal! Principalmente pra quem gosta de estudar as guerras, ou os que gostam de um bom humor negro etc.

9 de março de 2009

Across the universe


Não há nada que você possa fazer que não possa ser feito
Nada que você possa cantar que não possa ser cantado
Nada que você possa dizer, mas você pode aprender como jogar o jogo
É fácil
Não há nada que você possa fazer que não se possa fazer
Ninguém a quem você possa salvar que não possa ser salvo
Nada que você pode fazer, mas você pode aprender como ser com o tempo
É fácil
Não há nada que você possa saber que não possa ser conhecido
Nada que você possa ver que não possa ser visto
Nenhum lugar onde você possa estar que não seja onde você quer estar
É fácil
Tudo o que você precisa é amor
Amor é tudo o que você precisa
[All you need is love - The Beatles]
Nos últimos tempos tenho assistido mais filmes. Por motivos que eu desconheço, há uns 5 anos atrás, não era tão fã de cinema quanto sou agora. Estranho... Talvez fosse parte da preguiça de assistir os filmes ou então de não conseguir ver sentido nas histórias. Pode parecer bobagem, mas meu curso abriu minha mente pra tantas coisas que a gente pode ver em um filme; fiquei chata, muito chata com os detalhes.
No mês passado o HBO começou a passar o musical Across the Universe. Sinceramente não entendo como determinados filmes não são exibidos amplamente no Brasil. Isso me irrita bastante.
Fiz uma resenha para este filme no site http://www.tempopresente.org/ há duas semanas; uma parte dela é essa aqui:

Com direção de Julie Taymor, também diretora do sucesso Frida, a produção conta a história de um casal de jovens apaixonados - Jude e Lucy - que vive a intensa década de 60. O musical, com trilha sonora integralmente constituída por músicas dos Beatles, traz em seu enredo os principais acontecimentos do período no qual se passa a história, entre eles a Guerra do Vietnã, os movimentos de contracultura que surgem na sociedade americana naquele momento, até mesmo a morte de Martin Luther King.
Indicado ao Grammy de Mehor Trilha Sonora, ao Globo de Ouro de Melhor Filme e ao Oscar de Melhor Figurino, o filme traz atores/cantores de extrema qualidade, a ponto de 90% das canções terem sido gravadas sem nenhuma dublagem pós-produção e sim diretamente no set de filmagem. Os nomes dos personagens foram, todos, retirados, também, de músicas dos Beatles - como Jude, de "Hey Jude", e Lucy, de "Lucy in The Sky With Diamonds" -, assim como o nome do filme "Across The Universe". Além das referências a Jimi Hendrix e Janis Joplin, com os personagens de JoJo e Sadie.
[...]
Além de agradar àqueles que possuem bom gosto musical e apreciam belas atuações e vozes, esta produção traz uma exposição poética da década de 60 e os fatos que este momento da história os EUA envolveu.
[Across The Universe - Resenha Cinematográfica - Cine TEMPO]

A história de amor, por sua vez é MARAVILHOSA. Minha resenha tende mais para a parte histórica, que é o objetivo real do site, mas não posso deixar de comentar que é apaixonante.
Recomendo!

23 de setembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira


Minha pós-modernidade intrínseca me impede de afirmar uma interpretação única pra esse filme. Eu luto, mas caio na mesma história sempre.
Bem no senso comum, acredito que esse seja um bom tapa na cara da sociedade. Fugindo de um discurso socialista ou de qualquer outro rótulo desse tipo, acho mesmo que a estória tenha um fundo de crítica ao individualismo que está nos assolando, cada vez mais. A cegueira tem um significado que vai tão além da doença... Talvez demonstre o estágio em que a pessoa deixa mesmo de ver, deixa de enxergar o que o rodeia e se preocupa apenas com o que é palpável. E é fundamental como, após a tal epidemia, com a doença, o que realmente importa acaba tornando-se paupável. E não se pode negar o fato de que tal cegueira atinja a todos, sem nenhuma distinção. Não são apenas brancos ou ricos que estão perdendo a noção do que vale a pena, são todos, do asiático rico ao latino pobre, do Bill Gates ao senhor que dorme na porta da minha faculdade. É uma espécie de crítica a uma inversão de valores por todos nós.
Há uma espécie de "evolução" naquela pequena sociedade formada de maneira forçada. O filme também mistura um pouco de teoria política. Não sei se eu estou ficando louca de vez com essa minha vidinha acadêmica, mas percebi um pouco de Hobbes... A sociedade que sai do estado selvagem e, sem governo, ruma para o caos. A necessidade da autoridade para defender e gerar a paz é uma das teses defendidas por Hobbes no Leviatã. Aquele "micro cosmos" da reclusão para a quarentena acaba tornando-se um tipo de sociedade e, na medida em que essa sociedade começa a organizar-se rejeitando o estabelecimento de uma autoridade, um representante escolhido por todos, o caos se instala, os direitos e liberdades deixam de ser respeitados. Daí toda a trama envolvendo a personagem do ator Gael García Bernal. Mas como ando um tanto imaginativa e não sou mestra em ciência política, posso mesmo estar totalmente errada.
Mas uma das cenas que me derrubou, logo no início do filme, foi o encontro do casal de japoneses [interpretados por Yusuke Isseya e Yoshino Kimura], já dentro do alojamento de quarentena. Além de falada em japonês, o que já mexe comigo naturalmente, a cena mostra um amor tão profundo. Foi impressionante a forma com que fica evidente o amor que une aquelas duas pessoas. Eles se encontram mesmo que não enxerguem um ao outro. E isso tem um peso enorme! [Pelo menos para mim...] Entre outras cenas, como o caso das mulheres... Enfim! Não cabe a mim contar o filme e acho que me odiariam por isso.
Conto nos dedos os momentos em que chorei de forma tão "doída" no cinema. Não que eu tenha coração de pedra, mas não sou tão manteiga derretida. A verdade é que, quando juntamos 2 mais 2 e dá 4, não tem jeito. Foi um filme que mexeu comigo de uma forma assustadora e achei digno escrever sobre. Me senti um tanto vazia e pequena quando saí daquela sala de cinema...