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21 de junho de 2013

Uma "confusão" chamada Democracia

Nos últimos dias, um certo "ídolo nacional" declarou que estão acontecendo umas "confusões" no Brasil. Não pretendo escrever aqui pra vocês os conceitos filosóficos de uma democracia, nem ensinar nada. E, antes que me metam o pau nos comentários, as aspas são bem claras sobre o que eu acho da fala daquele senhor. Na minha humilde opinião, o povo brasileiro começou, finalmente, a entender o que é essa “confusão” onde todos têm, além de deveres, direitos; essa “confusão” chamada DEMO-CRACIA. E essa mudança é tão louca e rápida e arrebatadora e emocionante e... e... e real. Visível. O gigante realmente despertou!

As mídias sociais borbulham de informações, opiniões, posições, acusações, defesas, indicações, canções, reivindicações... Vídeos, textos, depoimentos, relatos, chamados, imposições, revoltas... Uma chuva de informações 24/7, em tempo real, vinda de todos os lugares, de todas as gerações, de todo o país. O povo, gigante, acordou e acordou faminto. Com fome de direitos, fome de transparência, fome de um país melhor pra você, pra mim, pros meus filhos, pros meus netos.

Em 26 anos de vida nunca vi algo assim, algo grandioso, algo esplêndido. Já participei de protestos, já tive minhas pequenas atuações por aí, mas nunca vi nada assim. E acho, sinceramente, que, no meio dessa fome, precisamos parar e pensar bastante sobre os rumos de tudo isso. Racionalizar, saber o objetivo, saber como lidar com tanta novidade.

Ver de fora algo assim dói, porque nada seria mais delicioso do que uma participação direta em algo tão importante, acontecendo lá, em casa. Mas a distância nos impõe certa liberdade de análise. Nos dá o delay necessário pra enxergar certas coisas. E a dor de ver os tristes eventos de ontem nos leva a pensar, pensar e pensar. Então, vou desabafar em tópicos o que acho louvável e o que acho que precisa de reflexão. Isso é a minha opinião, o que eu acho sobre tudo isso. Podem me achar burra, alienada, lesada, coxinha, não ligo. Mas vamos debater isso, é sempre bom, é sempre saudável.

1 - Não é por R$0,20. Definitivamente não e sei bem que essa ideia veio da fala de outro desprezível senhor, logo no início de toda essa movimentação. Mas isso não tira a importância desses centavos. É uma ideia meio ambígua mesmo, louca, mas o significado de tudo está nas entrelinhas. São R$0,20 a mais em um serviço estúpido, vergonhoso, em um sistema ainda mais imbecil. E, nesse sentido, é e não é por causa dessas duas dezenas de centavos. O que faz toda essa movimentação social algo mais do que brilhante, genial. É incrível ver todo um povo acordar e enxergar algo tão sensível.

2 - Não aos militantes políticos nos protestos? Essa foi uma das ideias que mais martelou meu cérebro. Martelou e martelou. Fui e voltei em opiniões, parei, respirei, fui e voltei de novo. O Brasil, hoje, passa por uma crise tremenda de representatividade (ou não-representatividade, whatever). E quando digo tremenda, é uma parada muito grande mesmo. Os “representantes” não representam, roubam, abusam, desrespeitam. Nenhum partido, agora, me faz crer em mudança, coisa minha. Mas depois de refletir pesadamente sobre as reações da população à presença de certos partidos nas passeadas, pensei cá comigo: “Por que eu posso participar de um ato político com ideias de mudança e outras pessoas, também com ideias de mudança, não podem se juntar a mim?” Tolher a liberdade de expressão de pessoas que também querem a melhoria não me faz melhor do que a repressão do estado. Um processo de mudança democrática deve acolher, escutar e debater todas as opiniões que visem a melhora do país, que apontem uma tentativa de mudança da porcaria que vivemos agora. A gente precisa tomar muito cuidado com esses vazios, porque tem sempre alguém muito importante e aproveitador (como essa galerinha que está no poder agora) querendo preencher os vácuos.

3 - Impeachment? Na primeira vez que li algo sobre um processo de impeachment de Dilma-Cabral-Paes-Sei-lá-quem, pensei: “Ok... E quem vamos colocar no lugar? Minha mãe (nada contra você, mama! você seria uma presidente muito foda!)? O padeiro? Meu professor de aeróbica? Meu cachorro?” Vejam bem, eu digo e repito, com todas as letras, ODEIO essa máfia inescrupulosa que nós temos no governo agora. E é ódio mesmo, tenho certeza. Mas, se passamos por essa crise imensa de representatividade no nosso corpo político, quem substituiria essa corja, gente? Outra corja? O Collor foi deposto... O país melhorou depois disso? Nós precisamos de uma reforma política, queridos. Uma reforma completa. E isso é um processo longo. Começa assim, como estamos agora, gritando. Passa por uma mudança na forma como cobramos resultados, seja nas urnas como no dia a dia das nossas cidades e estados. E chega, no fim, à formação de uma nova geração política, com outros ideais, outras propostas e outra forma de agir. Sendo que essa última etapa começa a ser realizada agora, mudando a ideia do povo sobre política, mudando a ideia do povo sobre esse “jeitinho” maldito, mudando a ideia de todos sobre como fazer o país crescer, para crescermos juntos, e ensinando às nossas crianças tudo isso (ironicamente, começa no que não temos e precisamos passar a valorizar mais e mais, a educação).

4 - Galera que foi pra rua por modinha. Cansei de ler isso em tudo quanto é canto. “Olha lá! Foi pro protesto pra fazer álbum no Facebook!” ou “Não sabe nem o que tá gritando!”. Gente, pára! Só pára! Quando ninguém faz nada, a gente reclama. Quando alguém faz algo, a gente reclama. Parem de reclamar de coisa besta e reclamem do que merece reclamação. Os mais novos, que foram pra um protesto pela primeira vez, tiraram fotos, gritaram, etc., realizaram um grande passo na formação deles como cidadãos. Tirando fotos pra colocar na internet, indo bonitinhos, levando cartazes engraçadinhos ou não. Eles começaram a ver que ir pra rua protestar é algo legal, que deve acontecer, que é um direito. E é complicado ficar julgando a torto e a direito as atitudes das pessoas que estão do nosso lado numa luta. Isso enfraquece a nossa própria crença no que estamos fazendo. Nós temos é que levar todo mundo pra rua sim, mostrar que protesto é bacana sim e que reclamar nossos direitos tem que virar moda, nesse país com tanta coisa errada.

5 - Paz VS. Violência. Esse é um dos tópicos que mais me doem nesse dia, nesse momento, nesse minutinho. É um dos assuntos que eu sofro mais em falar agora. Na segunda-feira, meti o pau no que aconteceu no fim do protesto, na ALERJ. Meti e meto de novo. Desculpa, gente, mas não dá pra aceitar o que rolou ali e achar normal. Eu não consigo aceitar que o argumento correto tenha que ser defendido quebrando tudo, pra mim não é racional, e aquele evento ali foi muito mais do que estranho. O cheiro de armação foi tão brutal, que chegou aqui. E, aí, hoje, tive meu coração despedaçado, arrancado do peito em decepção, preocupação, tristeza, revolta, incapacidade de agir... Tudo! Vi tanta atrocidade, tanto descaramento, tanta falta de noção. Daqui! De longe! Do outro lado do planeta. E meu mundo caiu ao perceber que eu cheguei a acreditar na integridade de policiais (generalização esdrúxula, mas movida pela raiva), no fato de que “cumprir ordens” poderia ser um álibi. Acreditei que eles eram tão vítimas dessa porcaria quanto nós, que eles eram o escudo humano de um monte de engravatado bandido. Mas não... Eles são o sistema, eles são a pior demonstração da sujeira. Eles são a luva de aço de uma mão estatal que nos espanca a cada dia. E foi exatamente o que fizeram em São Paulo, o que fizeram no Rio, o que fizeram em Salvador... Nos espancaram. Abertamente, sem melindres, sem controle, sem julgamento, sem raciocínio. A comparação que me vem é a de cães loucos, enfurecidos, correndo atrás das crianças que brincavam de bola na rua. Quem jogou molotov, foi mordido. Quem gritou contra a polícia, foi mordido. Quem gritou “sem violência”, foi mordido. Quem não gritou, foi mordido. Quem trabalhou o dia todo e voltava pra casa, foi mordido. Até eu, no Japão, fui mordida. E a mordida está sangrando, doendo, inflamando. E, disso, não vem nada bom, gente! Pensa! Se gentileza gera gentileza, violência só pode gerar mais violência. A massa, agora, tem mais um alvo, tem mais um ódio, mais um ressentimento. O foco nunca foi o confronto contra a polícia, o grupo de assanhadinho que foi xingar os policiais, era um grupo de beócios, mas a reação foi além, foi absurda, foi inescrupulosa. Nada me tira da cabeça que a reação foi justificada pela nossa ingenuidade em condenar toda aquela armação de segunda-feira, tudo foi justificado por eles não terem reagido (muito suspeitamente) ao que aconteceu na ALERJ e terem a “obrigação” de impedir novos atos de “vandalismo” e “depredação”, na cidade inteira, ontem. Tudo cheira a merda, desculpem o termo. A noite de ontem, no Rio, foi a demonstração de que os “mocinhos” são tão bandidos quanto os vilões, e os vilões são mais cruéis do que nós imaginávamos.

6 - Multiplicidade de objetivos. Quando vocês escreviam carta pra Papai Noel também era assim? Vocês pediam o universo inteiro? Acho que sim, né? Todo mundo passou por essa fase de querer tudo ao mesmo tempo. A situação precária que nós vivemos hoje no nosso país nos leva de volta a esse sentimento. Queremos tudo, agora, pra já, pra ontem! Estamos mesmo atolados numa montanha de cocô imensa, me surpreende que não tenhamos afundado de vez nela até agora. Mas nada na vida vem em pacotes completos, nada se transforma da água pro vinho porque nós queremos muito. É papo de cientista humano pentelho (como eu), mas é real; tudo é um processo. Nossas pernas não são longas o suficiente pra abraçar o mundo; nossa força é imensa, mas não o suficiente pra demolir e construir um país novo em 2 segundos. Como mamãe dizia quando queríamos a loja de brinquedo inteira, de uma vez, “escolhe um ou não vai ganhar nada”. Ou nós vamos dando um passo de cada vez nessa mudança do país, ou vamos acabar perdendo o rumo do movimento e vamos parar na montanha de cocô de novo. Nenhuma mudança real acontece da noite pro dia, vide, novamente, o caso Collor; tirar um presidente não significou nenhuma melhoria no nosso sistema político. Acabar com a corrupção é bacana? É! Mas não vai acontecer agora, nesse segundo. Foquem no que é urgente e pode mudar AGORA. A tarifa do ônibus, a PEC 37, essas pequenas-grandes coisas que vão dar o passo inicial pra algo maior. Vamos subir de instância aos poucos e fazer o castelo de cartas marcadas ruir do jeito certo, pra não sobrar nada de ruim de pé, pra não negligenciarmos nada que possa nos fazer retroceder mais à frente.

Três páginas de post, revolta, ranger de dentes, desabafos, ideias doidas e doídas... Desculpe o incômodo, mas eu também estou tentando mudar o Brasil. E a luta continua! Agora, mais do que nunca, tem que continuar. O medo que nossos “poderosos bandidinhos” têm demonstrado é a clara mostra de que estamos no caminho certo. Nunca me orgulhei e senti tanta esperança. Não me decepcionem! (rs) A grande história da Revolta dos Vinte Centavos só começou a ser escrita...

19 de março de 2013

WE LOVE SUIHANKI!


Hoje vou contar pra vocês sobre a minha assistente de cozinha, minha fiel escudeira, a mãe do meu arroz mágico e de outras maluquices que eu invento de testar: a minha suihanki.

O nome sui-han-ki significa, ao pé da letra, utensílio de cozinhar arroz. Sui de ferver, cozinhar. Han (de goHAN), que significa arroz ou refeição. E ki, que significa utensílio, máquina.

A suihanki é uma panela elétrica japonesa, voltada para o preparo de arroz. O uso é muito prático e ajuda muito quem tem uma vida agitada, ainda mais em um país onde o arroz é o prato principal. Além de preparar o arroz japonês normal, algumas suihankis também preparam arroz integral e o okayu, que parece uma canja sem galinha e nem tempero.

O processo é bem simples, depois de ter lavado o arroz, é só adicionar a quantidade de água correspondente à quantidade de copos do arroz e ligar a bichinha. Dependendo do tipo de arroz, da quantidade e da velocidade que você prefere, é só aguardar entre 30 minutos e 1 hora. E, depois do ‘bip’, está pronto o seu arroz japonês...

Bem... Isso é o que os fabricantes dizem. Porque a suihanki vai muito além do arroz japonês.

O arroz, no Japão, é preparado só na água, sem sal, temperos e tudo que há de bom, como fazemos no Brasil. Confesso que adoro a versão japa, mas também adoro um arrozinho bem temperado. Mas a suihanki não te impede de ser brasileiro não. PELO CONTRÁRIO! Ela só facilita a sua vida. A diferença é que na suihanki você só joga tudo na água e deixa ela fazer o resto por você. É muito amor.

Arroz com Kimchi e Arroz com Pequi, feitos na suihanki.

A única dificuldade que eu encontrei no arroz temperado de suihanki foi a cebola, que desfaz quando cozida nesse tipo de panela e deixa o arroz pegajoso. O problema é que a suihanki está mais para uma panelinha de pressão, daí a cebola se desfazendo, mas nada nos impede de juntar uma cebolinha refogada ao arroz já pronto. Os demais temperos funcionam muito bem.

Além de temperos, nada te impede de juntar outros ingredientes ao arroz de suihanki. Carne seca, bacon, pedacinhos de liguiça, salsicha, camarão, milho, ervilha, cenoura, brócolis, kimchi. Já me aventurei num arroz com brócolis e bastante alho; não foi em vão, ficou uma delícia.

Indo um pouquinho mais além, nem só de arroz vive uma suihanki. Sendo essa panelinha super especial, ela prepara coisas que muita gente duvida. Uma amiga já prepara bolos e tortas na panela de arroz e diz que funciona muito bem (ainda não tentei, mas pretendo e, depois de tentar, conto pra vocês como foi). Outro amigo prepara feijão (sim, nosso feijão brasileiro) na suihanki e jura que dá certo (essa eu já tentei, mas a primeira tentativa não foi muito bem sucedida). Eu preparo espaguete e digo pra todo mundo ouvir: é o melhor macarrão que eu já provei. Por cozinhar tudo ali, misturadinho na água, a suihanki deixa a massa do espaguete muito saborosa e o tempero “pega” mesmo!

Nas minha tentativas, já falhei, fiz papinha ao invés de macarrão e tudo mais. Mas nada por culpa da máquina e sim por falha humana mesmo. Usei a massa errada, com a quantidade errada de água. Acontece...

Eu, sinceramente, ainda pretendo testar minha panela de arroz pra muitas outras coisas. Acredito que ainda não alcancei o limite dessa belezura. E mamãe já pode ficar feliz, porque logo logo vai ter uma dessas em casa também.

Pros brasileiros no Japão ou pra quem tem suihanki no Brasil, fica a receitinha do meu “Macarrão de Suihanki”.


Você vai precisar de:
- Espaguete (quantidade dependendo do tamanho da panela e das bocas pra alimentar);
- Bacon em cubinhos;
- Provolone, também em cubinhos;
- Queijo processado, em fatias (no Japão, de preferência, o do tipo torokeru);
- Cebolinha, pimenta do reino, cheiro verde, alho e cebola granulada a gosto.

Pra preparar essa massa, vc só precisa quebrar o espaguete em até três partes, colocar uma quantidade de água suficiente pra cobrir o macarrão no fundo da panela e mais um pouquinho (tomem cuidado em deixar a massa no fundo mesmo, pra quantidade de água não ficar grande demais), adicionar todos os ingredientes, tomando o cuidado de rasgar grosseiramente o queijo processado, e pronto. É só apertar o botão e esperar.

O cheiro, enquanto a suihanki realiza a magia, é de agitar as lombrigas. Vocês vão sentir... E é um prato que não dá trabalho por mais de 10 minutinhos, além do “trabalho” de comer. Hahaha!

E é por essas e outras que eu AMO MINHA SUIHANKI!!!!

30 de maio de 2012

Tattoo

“Tattooing has been practiced for centuries in many cultures spread throughout the world. The Ainu, an indigenous people of Japan, traditionally had facial tattoos. Today, one can find Berbers of Tamazgha (North Africa), Māori of New Zealand, Hausa people of Northern Nigeria, Arabic people in East-Turkey and Atayal of Taiwan with facial tattoos. Tattooing was widespread among Polynesians and among certain tribal groups in Taiwan, Philippines, Borneo, Mentawai Islands, Africa, North America, South America, Mesoamerica, Europe, Japan, Cambodia, New Zealand and Micronesia. Indeed, the island of Great Britain takes its name from tattooing, with Britonstranslating as 'people of the designs' and the Picts, who originally inhabited the northern part of Britain, which literally means 'the painted people'. British people remain the most tattooed in Europe. Despite some taboos surrounding tattooing, the art continues to be popular in many parts of the world.”
[diz a tia Wikipedia]
Apesar da minha Aiquimofobia ou Belonofobia (nomes bonitos para o pavor extremo dos bichinhos do mal que são as agulhas), desde nova tive a vontade de fazer uma tatuagem. Mas tinha na cabeça, lá por volta dos meus 12/13 anos um certo preconceito em relação a isso. Vejam vocês, tô sendo bastante transparente em relação a isso. Não que eu achasse o fim ou odiasse pessoas tatuadas, a questão era que, pra mim, na minha cabeça boba de criança, eu achava que nunca ia conseguir um trabalho descente se tivesse uma tatuagem. Coisas que esse mundo besta coloca nas nossas cabeças quando somos jovens; mas há dois tipos de pessoa: as que crescem com isso e viram completos idiotas ou os que aprendem que as coisas não são assim e não é um desenho na sua pele que vai determinar seu caráter.

Conforme fui ficando mais velha, decidi de vez que um dia teria a minha (ou as minhas) tattoos. Ainda tenho em casa os desenhos que fiz. Desenhava, assistia programas, sonhava com o dia que poderia desfilar por aí com os meus rabiscos. Mas três coisas me impediam: dinheiro que não tinha, maioridade que não chegava e o pavor daquela agulha raspando em mim.

Depois que vim pro Japão, a idéia de virar ma “desenhada” foi alimentada pelo namorado, que também quer muito fazer a dele, e também pela Gisa (minha irBã), que fez sua linda borboleta no ano passado. Dos papos entre eu, Paula e Gisa, surgiu o desejo de todas fazerem suas tattoos (mesmo a Gi já tendo uma) e decidimos fazer juntas, no mesmo dia, quando estivesse no Brasil.

Com o passar do tempo, a idéia se consolidou mais e mais e resolvemos fazer algo que nos unisse pra sempre, representando nós três e o que amamos. A função de pensar em um desenho acabou sobrando pra mim e, no fim, até que tive a melhor das idéias: flores de cerejeira e os ideogramas coreanos de Taekwondo, a nossa arte-paixão. Mas o significado disso tudo não parava por aí! Seriam três flores, representando cada uma de nós e os ideogramas logo abaixo. Peguei o que podia de info e mandei pro nosso artista particular, Gabriel, que preparou um desenho lindo e único pra gente.

No mês de abril, enquanto estava no Brasil, tomei coragem, peguei meu dinheirinho e dei a cara a tapa. As meninas marcaram tudo, porque, sinceramente, se dependesse de mim e da minha coragem, não teríamos feito nada. Hahaha! E, então, horas antes de embarcar de volta pro Japão, fomos ao estúdio e fizemos nossos desenhinhos. Meu medo da dor foi por água abaixo quando quase não senti NADA durante o processo e a satisfação, depois de pronta a tattoo, fez tudo valer a pena. Ainda me gabei de ter sido muito valente e ter entrado primeiro. Hahaha! A vontade de anos virou realidade, me unindo pra sempre à duas das minhas melhores amigas nessa vida.

O mais legal da história é, também, poder responder às perguntas do tipo “o que a sua mãe disse sobre isso?” com um “a minha mãe estava dentro do estúdio e assistiu tudo”. Tem mãe mais fo** nesse mundo? Não tem, né?

Hoje me sinto muito rebelde (hahaha!), por viver num país tão cheio de preconceito com tatuagem como o Japão (apesar de ter sido um dos precursores), e, ao mesmo tempo, defendendo uma causa bem simples, mas importante, o direito que cada um tem de se expressar livremente, da forma que quiser.

Os desenhos de quando era novinha, num futuro próximo, com certeza vão virar novos desenhinhos no meu corpo.

Obrigada, meninas, por compartilharem comigo um laço, além do sentimento que temos umas pelas outras. Obrigada Gaah, pelo desenho lindo. Obrigada mãe, por ser minha mãe. Obrigada Wanderley (nosso tatuador, do Tarantula Tattoo), pelo belíssimo trabalho.

17 de maio de 2012

Brasil-Japão

Não consigo entender o que me afasta desse blog por tanto tempo. Às vezes acho que é preguiça, mas não existe preguiça quando você tenta fazer alguma coisa e simplesmente não consegue. A verdade é que canso de abrir e fechar meu Word, abro na esperança de escrever alguma coisa útil e fecho quando acaba minha energia pra pensar em algo. Também tem vezes que são tantas coisas acontecendo, que não consigo transformar em palavras de uma forma fácil, preciso digerir tudo e pensar sobre. Nunca tive muito o dom (ou a paciência) pra escrever posts mais gerais e informativos, tanto que são poucos os lugares que visitei e descrevi aqui. Devia tentar fazer isso mais vezes, me forçar... Mas, enfim...

Meus últimos meses foram uma loucura completa, mas uma loucura boa. Um período pra pensar sobre planos, coisas e pessoas.

Estive no Brasil durante todo o mês de abril, o que indica que março foi inútil e cheio de coisas pré-viagem pra resolver. Além do que também tenho o programa de verão na ONU, em junho, que me deu bastante trabalho até o dia do embarque.

Saindo do Japão por esse tempinho, me vi livre de uma série de coisas que estavam me sufocando aqui. Às vezes vem aquele monte de perguntas à cabeça, me fazendo querer pegar minha trouxinha e voltar pro lugar de onde nunca devia ter saído. E foi o que eu fiz, com os devidos meses de planejamento. Hehehe!

No dia 3 cheguei ao Rio, depois de viajar pela primeira vez com o namorado e planejando uma viagem inesquecível. Dessa vez fui já certa de que 1 mês não é tempo suficiente pra ver todos que gostaria, mas fiz o possível pra ver a maioria. E realmente encontrei com bastante gente, inclusive quem eu já não via há 2 anos, porque também não consegui ver no ano passado. Também tinha em mente uma coisa que pensei muito antes de sair do Japão; queria ver meus amigos, aqueles que podem ficar 50 anos sem me encontrar e me receber com os mesmos braços abertos de quem me viu ontem.

Acho que foi mesmo uma viagem inesquecível, pois consegui fazer exatamente o que tinha em mente o tempo todo. Tive a alegria de passar meu aniversário em casa, depois de dois anos, e com a companhia do namorado, que veio de Goiânia na época, pra conhecer minha família e, de quebra, passar a data comigo. Esse foi um dos momentos que me senti mais completa na vida. Tinha, ao meu alcance, quase todas as pessoas que amo, e quase ao mesmo tempo.

Foi uma viagem muito importante também pro nosso relacionamento, que vem amadurecendo de um jeito meio assustador. Hahahaha! Também fui para Goiânia, conhecer a família do Carlos e fiquei encantada com tudo. Uma família linda, amorosa e carinhosa; uma cidade muito bonita, tranquila e moderna.

Voltei pro Japão com o coração renovado, apesar da tristeza por não ter podido encontrar algumas pessoas, e a tranquilidade de saber que agora só falta 1 ano e 11 meses pra voltar definitivamente. Minha grande alegria nessa viagem foi confirmar, mais uma vez, o grande número de pessoas especiais que tenho na minha vida e como tenho sorte por isso. Agora é fazer valer a pena o tempo no Japão e correr atrás de oportunidades que infelizmente só tenho aqui. Mês que vem embarco pra Nova Iorque, pra realizar um dos grandes sonhos da minha vida, vou passar uma semana em um curso intensivo na ONU. *olhinhos brilhando*

28 de julho de 2011

Love Story

Hoje vou sair da minha zona de conforto e contar uma história de amor. Não que eu não saiba nada sobre histórias de amor, mas me acho melhor contando fatos ou tragédias. Sou 'drama queen' sim, perdoe. Mas, como ia dizendo, vou contar uma história de amor, a mais linda que conheço. A minha...

Há um ano e quatro meses atrás larguei minha casa e vim pro que posso sim dizer que é a maior aventura da minha vida. Logo depois de chegar aqui, como era de se esperar, me desiludi absurdamente com alguém que gostei. Não foi uma disilusão pós-viagem e nova liberdade, foi uma desilusão do que vivemos ter sido em vão pois compartilhei esse momento com algumaS outraS pessoaS - no plural sim, meu romance era quase um banho público japonês, um moonte de gente mergulhado na mesma banheira. Naquele momento fiquei triste, mas não éramos nada, nem namorados. Ousadamente, diria que foi um caso... Hahahaha! Ou uma amizade colorida. E foi... Acabou tão rápido quanto começou.

Minha vida, na verdade, sempre foi recheada de 'amores montanha russa' subiam, desciam e acabavam num piscar de olhos. Nunca soube muito bem se a culpa foi minha ou dos outros, mas sempre gostei de me culpar e sofrer. Mas essa vez foi diferente. Minha decepção já era tão aguardada, que chorei dois minutos, desliguei o computador e fui comprar uma panela de arroz em Osaka. Quer dizer... Não que o fim não seja ruim, mas dessa vez eu via muito mais no meu futuro do que em todas as outras. Resolvi deixar esse 'ciclo sem fim nos guiar' [/reileão]... E ele guiou, guiou da forma mais maravilhosa que poderia.

Brasileiros vieram comigo pra cá. Sim, até aí nenhuma novidade. Apresentei todos aqui no blog, babei sobre todos, que foram bons amigos no início. O tempo passou, tudo mudou, mas esse não é o ponto. Dos brasileiros que vieram, nosso amiguinho Carlos foi o que mais sofreu e ainda sofre. O coitado realmente deu um baita azar de arrajar um sensei intragável. Já pro fim do nosso primeiro mês aqui percebemos que o goiano, por conta de sua atarefada vida, andava isolado do resto do grupo e precisávamos resgatá-lo. Nessa época corremos atrás de colocar o rapaz no carinho do ninho que criamos. Me lembro claramente de quando pedi o e-mail dele pra combinar a Golden Week (semana com mais feriados juntos do Japão, quase férias).

Pronto, estava iniciado o processo. O goiano foi trazido de volta ao berço verde e louro. E, com isso, também foi trazido pra minha vida...

Como o Carlos ainda não tinha celular, nos comunicávamos por e-mail. Todos os dias, todas as HORAS. Trocamos vários e-mails mesmo, era o SMS 'dos caras' (interna). Nos conhecemos mais... E passei a curtir tanto o jeito daquele menino. Ele era lindo, inteligente e tinha um sorriso que me tirava o fôlego. Sempre tive uma queda por sorrisos e, ainda assim, nunca tinha visto um que tivesse um efeito tão gradioso em mim. Dadas as circusntâncias, lá estava eu... Back to the business.


De um cafuné vedo um filme, pra um carinho maior, mais abraços ( como eu gosto desse abraço), mais mesagens, mais afinidade... Até o dia do beijo. Não! Não o beijo beijo, mas o beijo... Hahaha! O goiano resolveu citar um rap no fim de um dos nossos e-mails e me deu a arma perfeita pra um primeiro 'aprochego'. Hahaha! Ele só colocou 'kiss me trought the phone' ('beije-me pelo telefone' - de uma múica do Soulja Boy, eu acho... hahaha!) e eu peguei a 'deixa'. Depois fui saber q ele super foi na inocência e eu respondi na maldade... Mas tá, essa sempre foi a minha parte favorita mesmo. Respondi o e-mail com um básico 'prefiro beijar pessoalmente'. BANG! A guerra estava declarada.

Dias depois combinamos de ir pra uma boate e essa foi a parte emocionante da história. Não por levar às lágrimas, mas porque eu achei que não ia dar certo mesmo e fiquei tensa. Primeiro queríam me 'colocar na fita' de outra pessoa, depois o dito cujo descobriu que tinha esquecido a identidade, fomos prum bar e achei que ele queria chegar numa japonesa... Mas a sorte virou quando começamos a encher a cara, fazer brasileirice no bar, conquistar o japa do lado, ganhar umas rodadasde tequila dele e ele ainda colocar todo mundo pra dentro da boate sem pagar e sem pegar fila. Sentiram? Não acredito em certas coisas, mas há quem diga que foi o destino...


Dentro da boate trabalhei no meu objetivo, mostrei o que queria e terminei a noite ganhando um café da manhã no McDonald's e o primeiro beijo de muitos. Mas isso aconteceu há 1 ano e três meses. Depois disso eu e aquele menino goiano começamos a nos conhecer. Foi tudo tão meteórico que cheguei a duvidar de que daria certo, tivemos nossas crises, demos um tempo... Até que em uma bela noite de chuva (e na chuva), com declarações de amor e a descoberta de que não conseguíamos mais viver um sem o outro, começamos a namorar. É... Hoje faz um ano daquele dia.

Um ano de companheirismo como eu jamais vivi. Amor de verdade sabe, sem essa coisa fake que todo mundo acha que é bonitinho, mas não enche o coração. Crescemos juntos nessa terra distante, nos apoiamos nos momentos difíceis, choramos juntos de saudades de casa e sozinhos de saudades um do outro quando estávamos longe. Conhecemos lugares fantásticos, ganhamos 'famílias postiças' lidinhas e construímos algo. Na verdade acho que construímos cada um algo sólido dentro do coração do outro, tanto que a idéia de demolir isso por alguma razão hipotética dói fisicamente (de trazer lágrimas aos olhos mesmo).

Más línguas chegaram a insinuar que eu forcei tudo... Más línguas dizem muito, mas sentem pouco. Talvez o veneno das pessoas seja engolido e afete o coração, porque pessoas venenosas não sabem amar.

Eu descobri que também não sabia, mas tive um ano de aprendizagem intensiva. Hoje eu sei amar, amar com o coração, a razão e o corpo. Amo com cada célula, cada átomo. Amo muito esse meu Carlos. Meu como eu sou dele...

Parabéns, meu amor. Parabéns pra tu, parabéns pra mim, parabéns pra nossa vaca! [/mulan] Hahahahaha! Pela primeira vez na vida espero sinceramente que esse seja o primeiro de muitos anos e 'que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure' [/viníciusdemoraes][/clichê].

EU TE AMO!

21 de julho de 2011

1ª formação: Blogueira amadora

Minha primeira “profissão” na vida foi a de ser blogueira. Não, não estou me gabando. Hoje ser blogueiro é profissão pra um monte de gente. Eu não me atrevo a colocar no currículo, mas gosto dessa “função amadora”. Não que eu escreva e transmita informação à massa, como alguns blogueiros consideram fazer, ou que eu escreva maravilhosamente bem e seja a próxima Maria Clara Machado. Mas escrevo e gosto, isso me basta.

Criei meu 1º blog há 8 anos. Tinha exatos 16 anos, uma enorme quantidade de tempo livre, um tanto de falta de criatividade e um monte de caraminholas na cabeça. Lendo meu antigo blog hoje, vejo uma boa versão de “Malhação” (nos áureos tempos, porque hoje é uma merda). Era tão tosca a forma com que eu escrevia lá no início! Usava um “miguxes” ridículo, declarava amor eterno a todo mundo, era a própria caçadora de popularidade. Hahahaha! De vez em quando, uma luz vinda do além, de onde não vem ninguém, batia na minha cuquinha oca e me fazia escrever coisinhas até interessantes, como no post que dei meus primeiros sinais de escolha na vida:


Bem, já começamos com o pé direito esse ano escolar né? Pufff! Parece que a gente já tá em julho! Eu já tô exausta com uma semana de aula... Já comecei a estudar, fazer exercícios... Por que? Caraca, eu vou fazer vestibular! Em abril (sim, meu presente de aniversário) já tenho prova.
Nos últimos dias pude até curtir uma folguinha. Na quinta fui pra festa de formatura do PII, zoei muito, dancei, suei, encontrei o Léo (lindinho) e cheguei em casa às 4 da manhã. No dia seguinte, ou melhor, no mesmo dia, fui pra aula. Sim, eu não posso mais dar mole, vou ficar maluca! Consegui disfarçar bem, até a aula de matemática... Não deu pra segurar, eu quase durmo na cara do professor! Pufff! Depois cheguei em casa e... E? Dormi é claro! Dormi muito por sinal!
Ontem tive palestra sobre o vestiba. Com o mesmo discurso de sempre: Vontade, dedicação, blá blá blá.
Resumindo: foi uma semana boa e, ao mesmo tempo, ruim. Que confusão! Hahahahahahahaha!
Mas tudo vai dar certo! Vou me sentir bem quando estiver na UFRJ (sonhando alto... hihihi), olhar pra trás e poder dizer que o esforço valeu a pena. As grandes realizações são resultados de grandes esforços! Imaginem vocês podendo dizer que um dia visitaram o blog ou que são amigos da embaixadora do Brasil em não sei onde? Demais né? Ai, ai...


Ou quando publiquei sobre o atentado terrorista em Madri:

Ahora España... Sin palabras...
Mais um atentado, né? Vergonhoso demais... Pelo amor de Deus, alguém concorda com uma coisa dessas?
É uma verdadeira "troca de gentilezas". Enquanto um lado menospreza a soberania de um país e mata seus habitantes sem um motivo justo, o outro faz a mesma coisa de surpresa. Ninguém merece...
Até quando isso vai durar? Eu posso dizer que até a hora em que o homem pensar mais nos outros... Ou seja, vai demorar...
"Tá bom, eu também não manejo as serras elétricas e os tratores que derrubam as árvores, também não aperto os gatilhos que acabam com as vidas de tanta gente mundo afora. Acontece que as constituições da maioria dos países, se você sabe que um crime está ocorrendo e não faz nada para impedi-lo, pode ser acusado de ser cúmplice. Isso é um pouco assustador, de um certo modo, mas tem seu lado bom. Se somos capazes de destruir, também temos a possibilidade, como seres humanos maduros, de agir contra tudo que achamos que está errado (...) Só quando nos dermos conta de que o mundo é nossa responsabilidade é que seremos dignos de nos tornarnão apenas adultos, mas gente grande. Coisa que, basta abrir o jornal para perceber, está em falta." (Antonio Prata - Capricho / 07.03.2004)
Por isso quero tanto ser diplomata, para poder participar.


Os pontos bons de “existir” na internet há tanto tempo é que pude amadurecer e aprender a usar bem o que, hoje, acho uma ferramenta muito importante. Além de toda a diversão de ter registrado boa parte das minhas aventuras adolescentes e poder matar a saudade e rir um bocado dos dramas típicos da época. Vira e mexe, me pego lendo meus posts antigos e “mimijando” de rir da minha própria cara. Como a gente é bobo quando é novinho!

É legal, também, ver e lembrar as modinhas pelas quais a gente passa. E não adianta vir com essa de “eu nunca segui modinha, sou contra rótulos”, porque isso também é seguir uma modinha. E, convenhamos, eu usava uns gifs muito maneiros! Hahaha!

Hoje, meu blog assumiu um papel um tanto mais importante na minha jornada do que era naquela época. Inicialmente, o blog era um diário. Diário no sentido literal da palavra. Todos os dias eu escrevia qualquer coisa que viesse na minha cabeça e todas as “milhares de coisas” que se passavam na minha monótona vida. Agora esse blog é muito mais um elo de conexão, “compartilhamento de dados” e desabafo do que qualquer outra coisa.

E admito, “nerdmente”, que adoooooro escrever. Adoooooro compartilhar as coisas que vem na minha cabeça. Adoooooro parar tudo, ter uma idéia e passar pro papel (leia-se Word). Blog vira vício e, convenhamos, um vício adorável. Antes de me formar historiadora, já era uma “blogueira amadora” profissional! Hehehe!

A propósito, se interessar a alguém ou alguém quiser sair da depressão, visite o meu velhinho. A diversão é certa! http://www.nina_na_net.blogger.com.br

(mas não se esqueçam que é preciso voltar para os primeiros posts no arquivo, na barra lateral!)

12 de julho de 2011

Prevendo o futuro

Quem prevê futuro é Mãe Diná, mas que atire a primeira pedra quem nunca quis prever, né? O mais engraçado é nos pegar imaginando determinadas coisas...

Por exemplo, há quase 3 semanas, nasceu a Manu, filha de uma amigona minha, amiga de infância. Manu é minha 1ª sobrinha postiça e estou adorando declamar isso aos sete ventos. Mas, com a chegada de Manu, me peguei pensando em filhos. Não que eu os queira agora, porque... Né? Não! Mas me peguei pensando em quantos filhos vou ter e o quanto vai ser bom ter só dois, até porque a Dona Cláudia, se cada um de seus filhos tiver dois filhos, vai ter 8 netos e eu acho que tá de bom tamanho. Mais engraçado do que pensar isso, foi pesar exatamente nesses termos.

Outra coisa engraçada, relativa a essa mesma amiga, foi que ela casou há mais ou menos 3 meses. PIMBA! Lá estava eu, outro dia, pensando em como vai ser meu casamento. Veja bem! Eu não imagino como eu gostaria que fosse, eu penso em como vai ser! E defini pra mim que não quero uma festa de arromba, quero uma festa gostosa. Com família, amigos de verdade e diversão. Até porque, segundo minha própria imaginação metódica, doentiamente organizada e "não-babaca" (ironia), quem alimenta desconhecido ou é voluntário da UNESCO, ou quer se mostrar, ou é otário.

A única coisa que tem me deixado "bolada" de tentar prever é a minha vida pós-volta pro Brasil. Na verdade, acho que vou ficar tentando resolver o que fazer durante uns bons meses, depois de chegar de volta em casa. Essa é a minha previsão mais acertada até agora.

Observem cuidadosamete o nível de loucura contido nesses pensamentos...

Terminadas as férias de verão - que, aqui, duram da segunda semana de agosto ao fim de setembro - pretendo me mudar do dorm. Vou ter a minha casa, as minhas áreas de higiene e a minha cozinha. Tá, não vão ser só minhas porque a outra novidade do processo é que vou dividir o apartamento (também chamado de apErtamento, no Japão) com o meu namorado, mas, prosseguindo... Vai ser o tipo de nvidade bem nova pra mim. Não só no sentido de ter a miha casa, mas no sentido de dividir com alguém que não é só um roommate.

Mas as previsões relacionadas à nova casa tem pouco a ver com o meu relacionamento, na verdade. Desde que enchi o pote desse dormitório, tenho milhares de "amostras" de mini-apartametos japoneses na minha cabeça. É tipo um catálogo de como vai ser a minha casa. Até em como eu vou viver depois que me mudar eu já penso!

Eu tenho medo de mim, às vezes... Mas nem acho tão ruim assim, ser doida desse jeito.

28 de junho de 2011

Nihongo Nouryoukushiken - Prova de Proeficiência em Língua Japonesa

Desde o ano passado, quando assumiu um novo formato, o Nouryoukushiken acontece duas vezes por ano - mais exatamente no meio e no final do ano. Quando fiz essa prova pela primeira vez, ainda estava no Brasil e tinha, acho eu, uns dois anos de estudo de japonês. Bons tempos aqueles, quando o kanji (caractere chinês) mais difícil de lembrar era o de semana (週) ou qualquer outro com mais de 5 traços.

Antigamente (ou nessa época em que fiz pela 1ª vez), o teste tinha 4 níveis (em japonês, kyu), sendo 4 o mais fácil e 1 o mais difícil. Me lembro que, no curso, achávamos nossas senseis as deusas dos kanjis por serem níveis 1 ou 2. Hoje, admiro ainda mais todas elas, porque acho a língua japonesa uma das mais difíceis para nós brasileiros aprendermos; fluência, então, é coisa de kamisama (deus) mesmo!

Hoje, depois de uma mudança que buscou igualar a dificuldade da prova e diminuir o abismo entre os níveis - que era mesmo muito grande -, o Nouryoukushiken tem 5 níveis, com o mesmo esquema de aumento de dificuldade na ordem decrescente dos números. Os conteúdos a serem estudados em cada nível não foram muito alterados, a grande diferença foi a divisão do 2º nível em dois, criando um novo nível de número 3. Ou seja, o 4º nível passou a ser o 5º, o 3º passou a 4º e, entre este antigo 3 e o 1º, foram criados dois níveis que juntos formavam o antigo número 2. Ficou muito confuso? Espero que não...

Cheguei no Japão ainda no antigo nível 4. No Brasil ainda tentei por duas vezes o 3º nível, mas por falta de estudo, stress com outras coisas e falta de vergonha na cara, nunca passei. Talvez, por isso, tenha chegado aqui muito idiota no Nihongo, mesmo depois de 4 anos de estudo. Falta de dedicação é muito, mas muito, feia! "Ai, ai, ai" pra mim! [aqui é a parte que entram as broncas das minhas senseis, quando elas lerem esse post e comentarem...]

No fim do ano passado, com quase um ano de Japão, tentei o novo nível nº 3. Passei. Descobri mesmo que estar imersa na cultura é um catalisador muito sinistro pro aprendizado da língua. Quem fica fluente estudando japonês em seus respectivos países ganhou um pequenino altar na minha casa depois disso.

No próximo domingo (sim, dia 3 de julho. sim, tá perto pra caramba. não, isso não é feliz.), acontece o primeiro teste desse ano. Fiz a bobagem ENORME de me inscrever para o nível 2. Bobagem por que? Bobagem porque não tive tempo de estudar direito de novo. Tive aulas de gramática para a prova, estudei menos de 1/3 do livro de leitura e compreensão e estamos aí, prontos para o resultado e para ter gasto ¥5,500 (correspondente a cerca de R$110), o que é bem mais caro do que no Brasil, por nada.

Mas, enfim, de qualquer forma, vai valer pela experiência e para conhecer a prova, que também é diferente dos outros níveis. A partir do segundo nível, a prova tem 2 etapas – ao contrário dos mais fáceis, que tem 3 – uma que reúne gramática, compreensão, vocabulário e kanji, outra de listening.

Espero sinceramente, que estes últimos meses lendo coisas macarronicamente difíceis, em japonês, para as minhas aulas do doutorado, tenham adiantado de alguma coisa em kanji e vocabulário. Porque minha área, em japonês, não é nada fácil. E que meu dia-a-dia na faculdade e na rua me sirvam para o listening. A única vantagem que tenho é morar aqui... Hahahahaha! Que, talvez, pro ni kyu (nível 2), não seja nada.

Vamos vivendo um dia de cada vez, nesse mundo doido. Queria compartilhar com vocês mais essa experiência, não só daqui do Japão, mas de quem estuda japonês.

25 de maio de 2011

Portugeiziu Corrétiu

No último dia 16, Carlos Eduardo Novaes publicou em sua coluna no Jornal do Brasil o seguinte texto:

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Livros pra inguinorantes, por Carlos Eduardo Novaes

Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!

A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.

A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei - como se diz? - magna.

Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.
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O mais genial de tudo é analisar a posição do governo diante de um absurdo como esse. Porque o Ministério da Educação pode não ser o dono da verdade, mas é o responsável pela educação de TODO UM PAÍS. Longe de mim querer fazer comparações culturais e políticas, mas no Japão o índice de analfabetismo é zero, o governo faz sim o controle de qualidade dos livros didáticos, de acordo com todas as regras de conteúdo e linguagem, e nem por isso existem pessoas que reclamem desse tipo de prática como algo autoritário e violador da liberdade de expressão.

Aliás, não sei se vocês chegaram a assistir esse vídeo, mas o texto me lembrou muito essa fala:




Resumindo bem a papagaiada do governo em relação à educação (que, convenhamos, É SIM o fator principal no desenvolvimento de um país): um monte de ARGUMENTOS ABSURDOS, para justificar um monte de PRÁTICAS ABSURDAS. Desse jeito, o Brasil será uma grande potência internacional, levando-se em consideração o fim do mundo em 21 de dezembro de 2012, a partir do dia 22 de dezembro desse mesmo ano.

8 de abril de 2011

BRAZIL IN MOURNING: 12 kids dead and many others injured by a psychopath that invaded a school in Rio de Janeiro.

Yesterday, April 7th, a 23 years old man went to a school in the suburb of Rio and opened fire against children between 13 and 14 years. According to the witnesses, the guy was a former student of that school and said he would do a lecture for the students. But he went to a classroom and started shooting in children. He shooted especially the girls, reaching precisely the areas of the chest and head. 10 girls and 2 boys died. Now other 13 kids are hospitalized in critical situation and others had small injuries.

The man entered in two classrooms, with two revolvers (38mm), and reloaded the weapons several times. He was going to another floor, to continue the massacre, when the police arrived. After been approached and shooted in the leg by a policeman, still inside the school, the man killed himself. Leaving a suicide letter with confusing messages about how he wanted to be buried and so on.

A very sad episode in our history... Sometimes even a violent city as Rio is shocked by a case of violence without reason like this one. Today I cried so much reading and watching the news about it. Especially when I imagined the despair of the teachers watching the massacre of them students, the suffering of the families caught by surprise and the panic among the younger, that were only living a normal school day and watched their friends been killed.

I have friends that are professors in Rio and I have my little students also in Rio. Thank God that not happened with them, but the pain of see a case like this inside a school, with so many deaths and so many dreams destroyed, is terrible.

In Brazil, now, we live 3 days of official mourning. Here in my room in Suita (Osaka, Japan), in my heart and in the hearts of all the Brazilians who live here, in the other side of the world, we live this mourning too.

8 de março de 2011

36 Horas - Uma trilogia

Se minhas viagens fossem gravadas, sério, virariam uma trilogia tipo Senhor dos Anéis. Considerando toda a parte que se passa só na minha cabeça, seria realmente como Senhor do Anéis e todo mundo dormiria no primeiro filme.

Sim, a primeira parte seria chata e envolveria meu medo de altura e a sensação "montanha russa" de decolar - bem como toda a filosofia sobre o porque do nome "montanha russa"; porque, assim, russos nem são tão radicais, porque as montanhas seriam russas enfim? Resumindo: BORING!


A segunda parte envolveria três elementos: a China, o meu namorado e o filme do Facebook. A China, o território mais fantástico que eu já vi durante a noite - não que eu já tenha visto muitos outros (só mesmo Brasil, China e Coréia), mas uma cientista humana baba com as luzes do gigante vermelho e sua VISÍVEL hiperpopulação. Meu namorado, por sua vez, além do lindo retrato constantemente colado na minha retina, apareceria em um flashback de sua recomendação sobre o vinho - sim, me embriaguei nos ares e foi fenomenal. O filme do Facebook foi a escolha da parcela Osaka-Doha, me ensinou como ser uma nerd bem sucedida e me disse "Hey! Você é uma das 500 milhões de pessoas que se expõem aqui e me dão dinheiro".


A terceira parte seria como qualquer filme sobre o livro, muita informação e poucos detalhes. Talvez mostrasse a parte em que meu pé incha tanto que não consigo tirar os sapatos. Mostraria, de fato, a chegada em Doha, com aquele mar de areia e casinhas brancas, o aeroporto que não era grandes coisas e o reembarque. Ou então, a parte em que eu vejo A Bela e a Fera da Disney e, logo depois, tento assistir o tio amputando o próprio braço em 127 Horas, em uma linda combinação macabra. Depois mostraria a chegada em São Paulo (com o moleque malandrinho da imigração fazendo piada), o encontro com o Vivs e a TAM sendo... a TAM. No fim eu encontraria as pessoas amadas e pagaria mico no aeroporto. Normal! (rs)


Dependendo do diretor, seria TUDO sobre os lugares que sobrevoei. Outro gostaria de focar no que se passa na minha cabeça... Aí ia ferrar! Ferrar tudo! Melhor se prender aos fatos ou meu terceiro filme seria uma bosta e o Gólum nunca iria cair na lava com o anel.

23 de setembro de 2010

Lembranças de uma vida passada

Passar dois meses de férias, no Japão, sem a grana que tudo isso exige, definitivamente não me fez uma pessoa melhor. Viajei? Sim. Me diverti? Fato! Meus amigos são fofurinhas lindas? Sim, as lindezas mais lindas do Japão. Mas, como pra tudo na vida, LIMITE É FUNDAMENTAL. E, como diriam as não tão más línguas, "mente vazia, casa do diabo".

Comecei a ler Crepúsculo pela 4ª vez, com as mesmas sensações de todas as outras e isso nunca foi um sinal de que minha sanidade mental estivesse de boa. No esforço de manter a prática de querer abraçar o mundo com as pernas, ao mesmo tempo estudo soroban todos os dias, estudo pra dissertação e leio o livro da @poalli - que, por sinal, inspirou fortemente esse post. Tento treinar, quando a atmosfera não conspira contra mim e me faz ficar presa no muquifu ou sair por aí tendo que tomar chuva, coisa que sempre odiei com força demais. Hoje por exemplo, dia do equinócio de outono - um dos poucos feriados do Japão - às 5 horas da manhã (sim, estava acordada porque tive insônia com os estresses dessa vida), começou uma tempestade com direito a raios trovões e vento. Durante as poucas horas que dormi (até umas 9 e pouco da manhã), choveu initerruptamente, ou melhor, a tempestade foi continua e me acordou com o quarto literalmente tremendo ao som dos trovões. O tempo ficou frio e isso é o anúncio do outono que teremos e um prelúdio do inverno que tá batendo ae daqui a pouco. Ou seja, inferno pra qualquer carioca.

E neste ócio, eu sinto falta de casa. Em casa, o ócio não seria assim tão ocioso. Alguém ligaria pro cel e diria "Nina, tá fazendo o quê? Vamos pro Subway? Hoje é quinta...", e eu iria juntar as moedas e partir pro Subway. Ou essa mesma pessoa me diria "Para de drama, eu te amo. Vamos comer no Burger King!" e a gente comeria no Burger King e ficaria rindo da cara dos outros. Outra pessoa poderia ligar e perguntar "Irmã, vai fazer o que hoje?" e eu diria que nada, que estou bolada, sozinha e mexendo na internet, e ela diria "Então vamos andar no shopping e conversar sobre". Ainda uma outra pessoa poderia chegar e falar "Marina, vamos pro Calabouço hoje?" e eu diria que estou sem saco e a resposta seria "Deixa de viadagem e vamos encher a cara", com uma segunda voz dizendo "Deixa de ser viada!". Outra pessoa também poderia brotar na minha casa, com uma garrafa de Martini e nós a secaríamos com certeza, falando mal da vida, como boas drama queens que somos. E, amanhã, eu acordaria renovada, como se nada tivesse acontecido. Pronta pra próxima, como se meu coração despedaçado ontem estivesse super bem só 48 horas depois.

A verdade é que a distância aumenta tudo, como uma lupa cruel. Odeio esse excesso de drama. Quero recuperar a Nina, que virava e "Ahã! Foda-se, não ligo. Beijo", mais vezes, mas aqui é mais difícil. Já fui mais forte, mas acho q alguns dos meus "carregadores de bateria" ficaram no Brasil e as energias pra algumas coisas estão acabando lentamente. E ouvir a MIX de madrugada (no Brasil) ajuda? NÃO! Todas as músicas que podem me deprimir na vida já tocaram... [comentário non sense cabível ao momento em que o post está sendo escrito]

Espaço de desabafo? A gente vê por aqui também. Blog é diário, originalmente, né? E, às vezes, a perfeição não é tão perfeita.

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ATENÇÃO: As "pessoas" citadas no texto são reais e fazem parte da lista de grandes amores da minha vida. Saudades...

19 de junho de 2010

We'll always have each other...


Esse post é dedicado aos meus amigos no Brasil, meus queridos. Aqueles que fazem falta a cada segundo nessa minha nova vida. São tantas as coisas que eu queria compartilhar com vocês e só posso contar por e-mail, Skype ou MSN. Nossa! Às vezes bate um banzo chato por causa disso...

Em especial pra Mila. Porque essa é a nossa música, Dig do Incubus, e foi ela que fez a imagem pra mim (e publicou no site dela:
http://myowngroove.tumblr.com/ - perfeito, só tem Incubus! *-*). E eu sinto falta do colo, dos abraços, dos Martinis e das conversas sem fim.

We all have a weakness
Some of ours are easy to identify
Look me in the eye
And ask for forgiveness

We'll make a pact
To never speak that word again
Yes, you are my friend

We all have something that digs at us
At least we dig each other
So when weakness turns my ego up
I know you'll count on the me from yesterday

If I turn into another dig me up from under
What is covering the better part of me, sing this song
Remind me that we'll always have each other
When everything else is gone, oh

We all have a sickness
That cleverly attaches and multiplies
No matter how we try

We all have someone that digs at us
At least we dig each other
So when sickness turns my ego up
I know you'll act as a clever medicine...

2 de fevereiro de 2010

Militares

Mais uma vez a Globo me dá razões pra deixar meus posts bonitinhos de lado e postar protestos. Tá brabo!

Me preocupa que a imprensa, sempre vigilante sobre a censura que sofre, tomando a posição de "voz do povo", censure o próprio povo. É muito grave a manipulação de informações que ocorre, assim como a calúnia que esse tipo de manipulação pratica sobre o lado da história que é suprimido.

Na semana passada, foi exibida a reportagem sobre a suposta "tortura no Colégio Naval". A informação, tomada de forma superficial [e, diga-se de passagem, sem nenhuma preocupação com um maior aprofundamento] acusava veteranos e oficiais de praticarem tortura psicológica e humiliação com os adaptandos e candidatos a alunos do CN. Tendo resultado na internação de um rapaz de 15 no Instituto de Saúde Mental da Marinha.

Acho hilário o fato de a Globo não ter procurado em momento nenhum um veterano ou oficial do colégio para verificar. Nenhum dos 217 meninos, que receberam platina na 6ª feira e passaram pela mesma adaptação do rapaz que surtou, foi procurado.

HEY! SENHORA CECÍLIA MENDES [editora-chefe do RJ TV 1ªed.]! SENHOR MARCELO MOREIRA [editor-chefe do RJ TV 2ªed.]! FALTOU MOSTRAR OS SEGUINTES POSTS DO TÓPICO "TORTURA NO COLÉGIO NAVAL", DO ORKUT:

Aventureiros x Militares
CN forma homens de guerra, e não meros alunos de 2º grau!
A pressão psicológica e o alto nível de dedicação à causa exigido durante a formação é absolutamente necessária para separar os aventureiros dos verdadeiros homens dispostos a encarar os horrores de um campo de batalha em nome do país e de seus civis (sim, esses mesmos que criticam as instituições militares!).
Veja: se um candidato acha trote olhar para o sol, o que ele vai achar quando receber o comando de avançar no campo de batalha dominado por inimigos bem armados?
Desde que o mundo é mundo militar é uma classe a parte na sociedade, justamente por não serem compreendidos em seus métodos.
Mas o fato é que quando a coisa aperta, são homens fardados que chegam aos lotes em caixões coberto pela bandeira (vide Haiti!). Portanto, deixem eles trabalharem pois se um dia o tambor da guerra tocar por aqui (e não duvide disso!), os civis estarão em casa só torcendo - ou nem isso....
[29 de janeiro]

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[...]
Somos homens que não nos importamos em sacrificar nossas vidas em prol da Nação e da Instituição, pois para o militar não há maneira mais gloriosa para morrer (já que um dia todos morreremos) que defendendo a nação.
Os fuzileiros navais que estão no Haiti colocam em risco suas próprias vidas, por ideal, de ajudar pessoas necessitadas e promover a justiça, sacrifciam suas vidas por pessoas que nem ao menos são seus compratriotas. Isso demonstra que tipo de pessoas, nós militares somos! Pessoas honradas, compomos um dos poucos lugares onde os valores éticos, morais e o caráter ainda são inabalados.
[...] Fui aluno e adaptador no CN e acabo de sair da adaptação da EN, e posso dizer que passei por muitos momentos difíceis em minha vida, mas nunca fraquejei, nunca pedi cargas mais leves, e sim ombros mais fortes para suportar cada vez mais o que viesse pela frente!
E o que me fez crescer como pessoa e militar foram as cobranças/pessões impostas à mim por veteranos e oficiais, todas paltadas no respeito e na ética militar!O fato é que ao invés de procurar a verdade e praticá-la a imprenssa prefere publicar calúnias para aumentar a vendagem, prefere descredibilizar uma instituição secular pela para ganhar alguns milhões
a mais!
Infelizmente a maioria dos civis nunca saberão o que é ser militar, nossas tradições, nossas cultos, não saberão o que é amar e ter orgulho de sacirficar-se pela instituição toda vez que assim se fizer necessário!

Aspirante Renan Pereira Dantas
[29 de janeiro]

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O engraçado é que a Globo mostra o caso do garoto que,aparentemente, já tinha problemas antes de ingressar no colégio naval, mas não mostra os outros 217 casos dos atuais alunos do primeiro ano que receberam as platinas essa 6ª e realizaram o sonho de entrar pra Marinha e seguir uma carreira em prol de um ideal.Mas, pra que mostrar?! Pra que mostrar o que não vende, alias, pra que resolver mostrar esperança e patriotismo, se o sensacionalismo e a violência tão dando IBOPE?!
Tenho orgulho da tv brasileira! ;]
Sempre colaborando pra união, o crescimento e a melhora do país!
To achando que vou até "de baixa"* pra fazer novela^^
[31 de janeiro]

* ir "de baixa" significa desistir de ser aluno/aspirante/cadete das escolas militares

7 de setembro de 2009

7 de setembro - Jogo dos 7 erros

Antes de tudo, quero brincar... Passei a semana passada inteirinha pensando nisso e quero compartilhar. Vamos dar uma olhadinha na imagem abaixo:


"O Grito do Ipiranga", de Pedro Américo. Sim senhores!

Não podemos negar, esse quadro é bonito. É a imagem que todos nós queremos ter de nossa independência. Mas, como todos sabem, não é a verdade. Vamos aos detalhes malignos que destróem nossas ilusões [sim, fazer história é tornar-se a tia que conta pra criança que Papai Noel não existe!].

1º detalhe: Todo mundo bonitinho? Oi? Quando o tio Pedro avisou que ia gritar, todo mundo lavou o rosto, colocou a melhor farda e formou uma roda pra assistir? Come on, né gente? Quando que uma comitiva à cavalo que já vinha de uma longa viagem de Minas tá toda linda? Os Dragões da Independência [que eu amo, por sinal] estão magníficos! Olhem as roupinhas brancas perfeitas!
2º detalhe: Lembram da história da carta de José Bonifácio? Pois bem... Falha da historiografia, confesso, mas não dá a impressão de que tio Pedrinho leu a cartinha em cima do cavalo, sacou a espada e gritou pra galera "Independência ou mooorte!" e o povo "Opa! Belê! Tamo independente!"??? Tudo faz parte de um processo, meus amores. Tudo!
3º detalhe: Já pararam pra pensar o quanto a imagem do grito às margens do Ipiranga parece mais boba do que a imagem do "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico"?
4º detalhe: Sente o camponês ali no canto. Viu? Aquele rapaz robusto, cheio de vida e visivelmente encantado com a cena? Ele é você, eu e todo mundo cantando junto. Ele representa o povo. Pedro Américo colocou ali aquele pobre homem como representante do brasileiro. Obrigada Pedro Américo!
5º detalhe: Além da comitiva de Pedrinho, são só mais duas as pessoas presentes na imagem. Além do "todo em um só" cuidando do gado ali no canto, temos o senhor no cavalo logo atrás do pessoal que "fechou" com o Pedrinho. Sim! Ele é o dark side. Veja como ele não está feliz. Se o quadro tivesse balões de fala, ele estaria falando coisas feias.
6º detalhe: Vejam a posição dos cavalos da guarda... Olharam? Sentiram o mesmo nervoso que eu??? Sim! A impressão é de que tudo acabou em uma comédia pastelão, com todo mundo no chão. De onde eles viriam correndo? Por que correriam? Ali embaixo já é o rio, estão vendo. Pois é...
7º detalhe: O último e MAIS IMPORTANTE detalhe é de que o cavalo, meus queridos, era uma mula e o tio Pedrinho tava com dor de barriga. Ou seja, nada de pose bonita, grito alto etc.

Mas, ainda sim, amo essa data e tudo que ela representa. Palhaçadas com "O Grito do Ipiranga" são comuns, mas devemos observar que é importante construirmos um belo simbolismo em torno de um acontecimento fundamental na nossa História.

Brincadeiras à parte, hoje, 7 de setembro de 2009, comemoramos 187 anos de independência do Brasil. Uma independência um tanto dependente, mas ainda sim importante.

Somos um país grande e poderoso na medida do possível. Com todos os problemas de uma ex-colônia, o Brasil é hoje um Estado com destaque internacional. Como nação, nos falta organização e competência na maior parte das vezes, mas ainda vejo esperançosa os passinhos de formiga que estamos dando rumo a uma situação muito boa; economicamente boa, pra ser mais específica.

Além do nosso lento, mas visível crescimento, não posso negar o quanto me alegra o coração olhar esse pedaço de terra perfeito, de clima maravilhoso, natureza exuberante e povo gentil. Que me desculpem os outro, mas eu AMO essa terra e duvido que qualquer outro canto do mundo seja melhor do que aqui.

Me preocupam episódios como o da cantora Vanusa. Aquela cena deplorável só nos traz, mais uma vez, o aviso de que é preciso cuidar mais do nosso país. Abram os olhos, ok?