Mostrando postagens com marcador Cores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cores. Mostrar todas as postagens

27 de agosto de 2013

Dormindo no topo do Japão

Monte Fuji visto da quinta estação
Sou pequena, frágil, cheia das minhas frescuras e medos, não há quem diga que luto Taekwondo ou que gosto de me meter numas aventuras tenebrosas. Mas a verdade é que eu gosto, eu vou, me sujo, me machuco, me canso, me quebro, passo perrengue e tenho minhas histórias pra contar no fim. Já cruzei meio Japão de trem normal, numa viagem de 18hs, já fiz trilha de chinelo etc. Semana passada resolvi colocar mamãe de cabelo em pé (de novo) e fui sozinha escalar o Monte Fuji, o pico mais alto do Japão e também um vulcão ativo.

Existem vários relatos de como é a experiência de escalar o Fuji. Li muitos antes de ir, pra poder me preparar. Mas, sinceramente, nenhum deles conta exatamente como é a subida ou a descida. Nenhum deles consegue resumir exatamente o sentimento ou o que é necessário. No fim, concluí que nada como a experiência em si pra nos ensinar onde erramos e onde acertamos, que parte é simples e qual é a complicada. O que é possível e o que não é.

Depois de quase 3 anos e meio no Japão, minha última chance de escalar o Fuji foi agora. Todo ano, as trilhas e estações da montanha são abertas no verão, entre julho e agosto. Em geral, a temporada de escalada acontece entre a primeira semana de julho e o dia 31 de agosto. Algumas variações de dias podem acontecer, devido às condições climáticas, mas, resumindo bastante, temos esse intervalo de dois meses pra visitar o topo do mundo nipônico.

Desde que cheguei aqui tinha muita vontade de ir e empurrei com a barriga por preguiça, outros planos etc. A verdade é que a ida exige uma certa preparação material e de atualização com o clima. Cinco dias antes de ir (ou decidir a data da minha ida), comecei a checar a previsão do tempo no topo, para garantir que a subida não seria em condições ruins e que o meu nascer do sol (evento máximo da escalada) estaria garantido. O site da Agência Meteorológica Japonesa se mostrou muito complicado, então fui atrás de sites mais específicos, como o Mountain Forecast ou o Mt. Fuji Climbing. Consegui encontrar uma “janela”, em uma semana que prometia tempo nublado, juntei minhas tralhas e fui.

No trem, a caminho.
Minha programação era: ir de trem (trem-bala + trem normal), subir até a quinta estação de ônibus, começar a trilha por volta de 3 horas da tarde, subir com tranquilidade, passar a noite no topo, ver o nascer do sol, andar um pouco em torno da cratera, descer e voltar pra casa. Consegui seguir de certa forma o que tinha programado, mas os “extras “ são sempre a parte boa da aventura, né?

Existem quatro opções de trilhas para a escalada do Monte Fuji: Yoshida, Subashiri, Gotemba e Fujinomiya.
Trilha Yoshida
As três tem características diferentes: Yoshida começa na cidade de Fuji-Yoshida, é a mais fácil e com mais assistência (muitos banheiros, casas de hospedagem e lojas); Subashiri começa na cidade de Oyama, é coberta por vegetação até a sexta estação e se une à Yoshida na oitava estação; Gotemba é a trilha mais longa, começa na cidade de mesmo nome e tem pouca assistência para quem escala, pelo menos até a oitava estação; Fujinomiya também começa em cidade homônima, é a trilha mais curta de todas, porém a mais inclinada e complicada, além de apresentar poucos locais de assistência.

Para a subida, escolhi a trilha Yoshida e descobri que o nível de dificuldade relatado nos sites não era o mesmo que eu acreditei que fosse. Apesar de serem trilhas, a escalada se faz escalada de verdade em certos momentos. Na Yoshida, o caminho entre a sétima e a oitava estações apresenta trechos de “rock climbing” real, com mãozinha na pedra, bracinhos fortes etc. Apesar de ser em zigue-zague, a trilha Yoshida não deixa de ser inclinada e cansativa também. Cheguei à quinta estação pouco antes das 2 horas da tarde, fiquei um pouco por lá passeando e me adaptando à altitude, iniciei a subida no horário que tinha previsto e consegui alcançar a oitava estação em 3 horas e meia. A beleza de ter começado mais cedo foi, com certeza, poder ver o show de luzes do pôr do sol.

Cajado e suas marcas
Para auxiliar a subida, comprei um cajado de madeira, que é vendido nos pontos de partida para a trilha e mesmo nas lojinhas da subida. Como comprei na estação de trem, gastei cerca de 800 ienes, mas os preços podem chegar a 1.500 ienes, conforme você sobe. A parte legal do cajado é que a cada estação você pode marcar o seu avanço com carimbos a ferro quente. Cada um com um desenho, às vezes até dizendo a altitude, a data e tudo mais. Sendo que o mais importante é, sem dúvida, o do topo, né? E, na volta pra casa, pode saber que você e seu cajado vão ser as estrelas do trem, e todos os velhinhos vão querer saber se você realmente escalou o Fuji-san. Hihihi!

Depois da oitava estação, começou a escurecer e tive que usar minha lanterna de cabeça. Sim, o ideal é deixar as mãos livres por vários motivos, entre eles o apoio nas pedras de alguns trechos e a ajuda na proteção em caso de queda. No escuro, a subida se tornou mais lenta e cuidadosa. Apesar da bênção de ter tido o clima perfeito durante todo o tempo (mesmo tendo checado previsões de tempo nublado) e só ter visto passar longe uma tempestade de raios linda, o vento chegou com força total depois do pôr do sol. E quando digo com força, não estou exagerando; eram rajadas de vento bizarras mesmo. A lua cheia também deu o ar da graça nos últimos metros de subida e compôs cenários maravilhosos, que vou guardar pra sempre na memória.

Às 22 horas cheguei ao topo do Fuji. Depois de ter iniciado a subida muito tranquila e em um ritmo bom, os últimos metros foram uma mistura de sentimentos e, incrivelmente, isso parece ser a experiência de todo mundo que resolve encarar essa aventura sozinho. O cansaço, a escuridão e os obstáculos reduzem mais sua velocidade, as dores começam a aparecer, as paradas pra descanso passam a ser mais frequentes e o fim parece cada vez mais distante. Um amigo relatou de uma forma que descreveu direitinho o que senti; o que inicialmente não tem nada de espiritual, se torna espiritual nas últimas centenas de metros de escalada. Quando tudo se junta, as lágrimas vem, a exaustão tenta te derrubar e ali, no escuro, no silêncio, no vazio, você sente a presença de Deus. Eu senti, esse amigo, quando subiu, também sentiu; acho que todo mundo sente. E eu chorei, rezei, agradeci por ter uma oportunidade tão única, tão especial. Quando veio o topo, não conseguia mais me conter e chorei mais, de alegria, saudade de tanta gente, gratidão. Chorei me sentindo vitoriosa, capaz. Foi uma sensação incrível, que eu compartilhei somente com Deus, minha única e mais que poderosa companhia.

Lua cheia, na parte final da subida
Depois que a oitava estação desaparece sobre o ombro, durante a noite, a nona estação é somente uma ruína abandonada e o topo é deserto. As pessoas só começam a chegar e se acumular a partir das 2 horas da manhã. Antes disso, só os poucos lunáticos (eu). Assim, fui obrigada a passa a noite na porta de uma das lojas, encolhida embaixo do que levei para me proteger do frio e, quando não apagando por pura exaustão, tremendo muito, enquanto o sol nascente não vinha. Esse foi o meu primeiro aprendizado: roupas mais quentes e mais estruturas pra se proteger do frio, se você é suficientemente louco pra resolver dormir no topo. Meu “jeitinho” foi me enrolar na capa de chuva, deitar no chão e me cobrir com uma lona e uma manta que tinha levado, além do meu casaco mais pesado e minhas luvas. Não foi perfeito, eu parecia uma mendiga, mas me salvou de alguma forma do vento cortante. Enquanto no nível do mar a temperatura era de 37 graus, na montanha, a 3.767 metros, a temperatura era de 37 divididos por 10. Enquanto passava frio, acreditei piamente no que li sobre como já é inverno no Fuji a partir de meados de setembro. O fundo da cratera já apresentava até um pequeno (bem pequeno) acúmulo de neve.

Às 3 horas da manhã as lojas no topo abriram. Espertamente, todos começaram a vender bebidas quentes e oferecer refeições. Um detalhe importante sobre a escalada é: levem dinheiro, bastante dinheiro. Apesar de ser possível, como eu fiz, levar comida, dormir no frio e evitar maiores gastos, emergências acontecem, os banheiros são pagos e, na hora do frio, até eu cedi minhas ricas moedinhas por um chocolate quente e abrigo até o céu clarear. Sem contar que a necessidade faz todos os homens, principalmente os que ganham dinheiro com ela; as coisas são extremamente caras durante a subida do Fuji.

Quando o céu clareou, por volta das 4 horas da manhã, tomei meu lugar e fiz valer meu esforço, o frio e a espera. Nunca, na minha vida, tive uma experiência como o Goraiko (o nascer do sol visto do topo do Fuji). É maravilhoso! Eu fui uma das primeiras pessoas no mundo a ver o sol nascer no dia 22 de agosto de 2013.

Goraiko
Depois de passados os meus momentos com o sol nascente no topo do país do sol nascente, resolvi perseguir meu fascínio por vulcões e fui caminhar ao redor da cratera, na trilha chamada Ohachimeguri. Essa trilha também não é das mais fáceis, com algumas partes bastante inclinadas, mas é fascinante poder ver um vulcão ativo “por dentro”. Sempre tive esse fascínio suicida... Acabei escolhendo uma boa pedra, numa parte mais baixa da trilha, bem perto da cratera, pra tomar meu café da manhã e ter mais um conto pros netos. O Fuji tem baixo risco de erupção, mas continua sendo considerado um vulcão ativo e fica no encontro de 3 placas tectônicas, a Euroasiática, a Okhotsk e a das Filipinas (OMG! EU ESTIVE NO ENCONTRO DE 3 PLACAS! *-*). A última atividade do grandão aconteceu em 1707.

Kegamine ao fundo
Depois disso, subi até o pico mais alto do Fuji (3.776m), e consequentemente do Japão, chamado Kengamine. Lá ficava localizado o sistema de radar meteorológico japonês, o mais alto do mundo, e ele podia detectar fenômenos naturais a 800km de distância. Hoje os satélites o substituíram, mas a instalação ainda existe. O vento dificultou tanto a chegada ao pico e o caminho a diante era tão inclinado, que acabei voltando dali, percorrendo só metade da trilha da cratera. Mas valeu. Preferi ter tido só a experiência de chegar ao lugar mais alto e deixar de ser jogada pelo vento ou montanha abaixo ou pro fundo da cratera. Hehehe!

Inicialmente tinha decidido voltar pela Fujinomiya, por ser a mais curta e pra reduzir os gastos da passagem de volta. Mas o vento na trilha da cratera e a inclinação me fizeram voltar para a Yoshida mesmo, que também era considerada a mais fácil. Mas, se ela era a mais simples, eu certamente ia me quebrar muito na mais curta. A descida foi, definitivamente, a parte mais tensa da jornada. Subiria mais mil vezes, se não tivesse que descer nenhuma delas. Certamente a falta de um calçado próprio dificultou muito a minha vida, mas não posso colocar a culpa só no meu tênis, pois vi muita gente cair mesmo com botas específicas. Apesar de não ser muito inclinada, a descida na trilha Yoshida é uma ladeira de pedras vulcânicas soltas, que você precisa encarar cansado e, dependendo do clima, debaixo de sol o tempo inteiro. Resultado: caí 4 vezes, ralei minhas mãos, machuquei e forcei muito meus joelhos, tive queimaduras de sol (culpa toda minha) e, no fim, não conseguia nem mais andar direito. Desci em uma velocidade ridiculamente baixa, levando 5 horas. Além disso, a trilha tem apenas três locais com banheiros e bastante distanciados uns dos outros. Tenso. Mas nada disso apagou a sensação fenomenal de antes.

Na volta pra casa, apesar de cansada, me senti vitoriosa. Escalei a montanha mais alta do Japão e marquei pra sempre no coração o período da minha vida que estou passando aqui. Sou grata ao Japão por me oferecer essas oportunidades únicas. A escalada do Fuji pode não ser “mamão com açúcar”, mas não é extremamente complicada, e a recompensa que recebemos por ela é fenomenal. Recomendo muito essa aventura!



21 de setembro de 2012

Purikura – A ‘arte’ japonesa das fotos emperequetadas

Todo mundo que conhece um pouquinho de Japão e gosta da louca cultura pop daqui sabe o que é uma Purikura. O nome é a abreviação de Purinto Kurabu, o ‘ajaponesamento’ de Print Club. As purikuras nada mais são do que fotos adesivas, feitas em máquinas um pouco maiores do que as tradicionais máquinas de 3x4, que salvam a gente na hora do aperto do “Preciso de uma 3x4 pra amanhã!”.
A diferença básica da purikura pra uma fotografia de máquina normal são as formalidades, eu diria. Vocês, certamente, não estariam dispostos a decorar com brilhinhos, flores, corações, balões e carinhas fofinhas a sua 3x4, estariam? Hahaha!
A purikura é uma invenção japonesa da década de 90, que dominou toda a Ásia. O sucesso das pequenas fotos adesivas foi e continua sendo imenso no Vietnã, na China, em Hong Kong, Taiwan, Tailândia, nas Filipinas e, principalmente, na Coréia do Sul. Nas duas vezes que estive na Coréia, tirei purikuras; vestindo roupas coreanas tradicionais, na primeira vez, e algo mais ‘normal’ na segunda.
Minhas purikuras coreanas
O sucesso no Japão continua sendo tão imenso que tirar fotos com os amigos nessas máquinas é um programa que exige dedicação e tempo hoje em dia. As lojas com as famosas máquinas estão por toda parte e oferecem opções um tanto curiosas (pras nossas cabeças ocidentais). Numa das maiores lojas de fliperama de Shinsaibashi (um dos maiores centros comerciais de Osaka), é oferecido aluguel de roupas e existem espaços especiais, com espelhos etc., pra maquiagem.
Máquinas de purikura em Shinsaibashi
A máquina de Purikura é ENORME e consegue abrigar até um pouco mais de cinco pessoas. Em geral, os usuários ficam de pé, em frente a um engenhoso equipamento, que inclui a câmera fotográfica e a aparelhagem de iluminação. O fundo do cenário é sempre verde, para permitir a inclusão das montagens depois de feitas as fotos. E o processo para fotografar é relativamente barato e fácil para o resultado. Parece bobagem, mas as fotos ficam com uma qualidade muito boa.
A aparelhagem que tirou essa foto minha com a Carol
Depois de tiradas as fotos, é hora de ir para o espaço reservado, em outro ‘compartimento’ da máquina e ‘emperequetar’ suas fotos. As máquinas oferecem opções de incluir datas, carimbos, imagens, escrita, bordas, coloração de olhos/cabelos/pele, e tudo isso nas mais variadas formas. Você pode, realmente, transformar tudo em você e no cenário.
Jimin decorando nossas purikuras em Daegu, Coréia. E o resultado...
Algo ainda mais curioso sobre as máquinas de purikura na Ásia são os olhos. Todas elas dão destaque aos olhos, aumentando-os consideravelmente e deixando nosso rosto um tanto estranho ou expressivo demais. É lógico que isso é explicável e a maior parte das meninas orientais não gostam de ter olhos puxadinhos, fechadinhos e tal. Eu não sei... Acho que os olhos são sempre a parte problemática da coisa e sempre procuro as máquinas que tem esse efeito um pouco menos exagerado. Porque acho que o tamanho dos olhos já está naturalmente certinho com o nosso formado de rosto e tal... Melhor não mexer em time que não está perdendo (pode não estar ganhando, mas perdendo não ta não! Hahahaha!), né?
Pessoalmente, gosto muito de purikuras. Não sei se é por juntar frescurada de menininha, fotografia e um ‘photoshop style’ (três coisas que eu adoro), ou se é só porque gosto de guardar lembranças de momentos legais, ou tudo isso junto e mais um pouco. Adoro virar, depois de um jantar especial e mandar um: “Gente! Vamos tirar purikura?!?”
Algumas das minhas vááárias purikuras.
Acho que talvez as máquinas de purikura farão falta quando eu voltar pro Brasil...

4 de setembro de 2012

A China “não-China” [parte 2]

No início de agosto, como falei no outro post, fomos nos aventurar nas regiões administrativas especiais do vizinho. Nossa aventura de 4 dias foi conhecer Hong Kong e Macau. Agora chegou a vez de falar um pouquinho sobre nossa ex-colônia irmã, Macau.

Macau

Macau é um lugar interessante, eu diria. Imaginava chegar lá e ver, como no Brasil, mais influência portuguesa, mas confesso que fiquei um pouco decepcionada. A arquitetura portuguesa é indiscutível, as placas têm, todas, informações em cantonês (a língua local) e português, é possível achar montanhas de Pastel de Belém (se você não conhece esse pedacinho de céu, Google it e vai correndo se virar pra achar um pra comer, é divino!) e ainda se vê muitos portugueses por lá. Mas não vá pra Macau esperando usar o português ou interagir com as pessoas ou ver algo tão legal quanto Hong Kong.

Apesar de ter sido colônia portuguesa até 20 de dezembro de 1999, hoje Macau é China (MENOS DE 15 ANOS DEPOIS!). Foi impressionante perceber que o que ficou de forte influência inglesa em Hong Kong não acontece em Macau, com os traços portugueses. Pode-se perceber algo na comida, é possível visitar os locais turísticos com antigas construções coloniais, mas a sensação é muito estranha. Ao mesmo tempo em que via muita semelhança arquitetônica com o Rio, via que as pessoas não tinham nada de influência daquilo. Me senti como se o Rio tivesse sido invadido e dominado pelos chineses, e eles só mantivessem algumas coisas pra usar e ganhar dinheiro com os turistas.

Mas não pense que foi um dia jogado no lixo, porque realmente não foi (apesar do meu momento desabafo acima... hehehe...). Cruzamos o delta do Rio das Pérolas (Zhujiuang) de manhã e chegamos à Macau por volta da hora do almoço. A travessia é super rápida, leva no máximo umas duas horas e é feita numa barca super legal. Logo que chegamos lá, tivemos o primeiro choque com o sistema... O transporte em Macau é meio caótico e ninguém sabe te dar informações em inglês ou é simpático. Então, se você planeja ir pra lá, use um bom guia e prepare-se pra gastar algum tempo lendo mapas e tentando se achar.

O primeiro lugar que visitamos foi o Largo do Senado, um lugar super parecido com o centro do Rio. Calçadão de pedrinhas portuguesas, prédios que me lembraram muito os prédios da Cinelândia (no Rio) e os benditos Pastéis de Belém por todos os lados. Ainda no Largo, nos embrenhamos pela Travessa de S. Domingos, uma vielinha que mais parecia aquelas de Santa Teresa (também no Rio), onde encontramos um restaurante legal e almoçamos comida portuguesa e macaense (juro que tive que pesquisar, achei que fosse ‘macauana’ ou sei lá). A culinária de Macau é muito curiosa, uma mistura deliciosa da culinária chinesa com a portuguesa. Nesse dia, comemos um chan-han (arroz frito ou arroz colorido chinês) com bacalhau, que estava maravilhoso.

Depois do almoço, visitamos a Catedral de Macau, andamos mais pelo centro histórico e subimos uma ladeira super íngreme pra chegar à Fortaleza do Monte, uma construção lindíssima, do século XVI, que hoje abriga o museu de Macau. Depois de sair da fortaleza, visitamos as Ruínas de São Paulo, que são lindas e interessantes, porque se trata da fachada (só a fachada mesmo) da Igreja da Madre de Deus, a única coisa que sobrou do incêndio que atingiu o complexo do Colégio de São Paulo em 1835 (valei-me Wikipédia, porque lá não tinha uma placa de explicação).

Depois das ruínas, visitamos o mercado que fica logo abaixo da escadaria, tomamos suco de fruta de verdade (coisa que não existe no Japão) e fomos visitar o prédio do Clube Militar, que era muito lindo, e a vila de Tai O, um típico vilarejo português, na parte sul de Macau.

O fim da nossa aventura por lá foi visitar os cassinos. Pra quem não sabe, Macau é conhecida como a “Las Vegas da Ásia” e, se você gosta de uma jogatina, vale a pena tentar. Mas acabamos não encontrando uma mesa de pôquer descente pro namorado (tadico) e fomos comer num pé sujo na estação das barcas, pra depois voltar pra Hong Kong.

Macau foi, eu acho, o primeiro lugar que eu saí sem dizer que gostaria de voltar, como vocês devem ter percebido ao longo do post. Mas não me levem a mal, foi a minha impressão estranha. Ainda acho que valeu a pena conhecer e foi uma experiência boa. O que digo a vocês é o seguinte: corram pra Hong Kong, curtam muito, aproveitem o lugar, depois visitem Macau por um dia (não acho que precise mais do que isso), conheçam, comam Pastéis de Belém e viagem por aí, que é sempre delicioso.

22 de agosto de 2012

Novo visual

Oie!

Passei só pra mostrar a nova cara do blog. Bonitinho? =D
Lutei contra a idade pra relembrar o que sabia de HTML, quando era uma jovem 'manceba' (essa palavra existe? acho que não... hahahaha!), e tá aí, meu novo template.
O novo post vai estar online logo logo, então não fiquem longe por muito tempo, ok?

Beijo!

15 de agosto de 2012

A China “não-China” [parte 1]

No início do mês, eu e Carlos pegamos as trouxinhas e fomos nos aventurar por Hong Kong e Macau. Nada melhor do que uma viagem pra comemorar dois anos muito bem sucedidos de namoro, né? E foi a melhor escolha, uma das grandes viagens que fizemos desde a vinda pro Japão.

Saímos de Osaka no dia 31 de julho e voltamos no dia 5 de agosto. Durante esse tempo, passamos 3 dias em Hong Kong e um em Macau. Foi nossa primeira vez na China, ou melhor, em algo parecido com a China (hehehe!). Hong Kong e Macau, após um período de, consecutivamente, 100 e 442 anos como colônias européias, são hoje regiões administrativas da China. Macau foi “alugada” pelos portugueses em meados do século XVI, como porto comercial, e devolvida em 1999. Hong Kong, por sua vez, se tornou colônia inglesa em 1898, após a Guerra do Ópio, e foi devolvida cem anos depois, em 1997. Hoje ambas são as regiões administrativas especiais da China, possuindo certa liberdade em relação à “main land” chinesa.

Hong Kong

Hong Kong é um lugar muito legal. Bastante organizado, limpo, com um transporte invejável e com um comércio sempre borbulhante. Tive a impressão de que em Hong Kong as marcas inglesas ficaram com muito mais força do que as portuguesas em Macau.

Algo que realmente nos chocou em Hong Kong (num bom sentido, é claro), foi a receptividade das pessoas. Por três ou quatro vezes, fomos abordados por pessoas que nos viram checando o mapa e vieram oferecer ajuda. Não querendo ser chata e reclamona, mas isso não é o tipo de coisa que vivemos no Japão. Foi algo que achamos diferente e positivo.

No primeiro dia, andamos pelo centro da ilha de Hong Kong, visitamos a torre do Bank of China, a Catedral de S. João, toda a parte histórica,andamos de ‘tram’ (o nosso famoso ‘bonde’ - lá, no estilo inglês, com dois andares), comemos o melhor ‘noodle’ das nossas vidas, visitamos mercados, chegamos ao templo Man Mo, andamos pela Hollywood Road, tomamos um chopp e subimos pro ponto mais alto da cidade, pra ter uma maravilhosa vista noturna da Baía de Vitória.

O segundo dia foi uma agradável surpresa. Não estávamos muito bem organizados, só sabíamos que o objetivo era visitar o Buda Tian Tan. Mas acabamos descobrindo q o Buda não ficava assim tão perto e que havia a possibilidade de fazer um roteiro litorâneo muito bom, na ilha de Lantau (lembrando que a região de Hong Kong possui uma parte continental e outras insulares). No fim, pudemos visitar a vila de Ngong Ping, no alto de uma montanha, onde fica o Buda e o Monastério dos Mil Budas. Visitamos a aldeia de pescadores de Tai O, toda de palafitas, peixes secos, comida maravilhosa e coisas legais. Fizemos um assustador passeio de barco e ainda voltamos pro centro de Hong Kong a tempo de pegar a barca e ter uma bela vista noturna, dessa vez de dentro da Baía de Vitória.

Após nossa ida a Macau, por um dia, o último dia em Hong Kong foi uma mistura de compras, muitas compras, comida chinesa maravilhosa e mais andança. Andamos tanto durante essa viagem, que voltamos com as pernas malhadas e o corpo doendo. No último dia, depois de visitar vários mercados, não agüentávamos mais nada e partimos pro aeroporto, pra esperar lá pelo vôo e aproveitar nossa última refeição local.

O mais interessante em Hong Kong foi ver o quanto há um esforço de se diferenciar da China. Pareceu pra mim que todos os estereótipos de chineses são rejeitados pela população de lá e há a necessidade de mostrar a quem quer que seja que ‘Hong Kong não é China’. O mesmo que foi repetido para nós, antes e depois da viagem. E essa diferença, nós percebemos ao chegar em Macau, que, hoje em dia, é muito mais China do que Portugal.

No próximo post, conto pra vocês como foi visitar nossa ‘colônia-irmã’, Macau.

7 de maio de 2011

Menina Bolha


Sou dessas, crio uma bolha e tento manter dentro dessa bolha tudo de lindo. Aqueles que considero amigos, as coisas que eu gosto, minha família e fico lá dentro, presa, achando que o mundo é bom, Sebastião, e que as pessoas que eu escolhi jamais seriam capaz de me desapontar, porque as trato muito bem dentro da minha bolha.

O problema todo é que essa bolha sobe e sobe, sem fim. Chega na extratosfera e, quando não tem mais jeito de eu me salvar quando cair, a bolha estoura e BAM! Lá estou eu espatifada no chão, como quando um desenho animado cai de muito alto e cola no chão, como um tomate podre quando é jogado em algum político corrupto por esse mundo afora. Totalmente estrupiada...

Não há raiva ou ódio mortal que seja mais cruel que a decepção, isso aprendi há alguns anos e resolvi pra mim e para o bem da minha mania de viver numa bolha que a decepção seria o sentimento desejado a todos os algozes da minha vida. Pisou na bola comigo? Me decepciono, não te odeio. Fico triste, não te xingo. E acredite, a decepção é só o passo número 1 de um processo de desapego que vai te cortar lentamente da minha vida.

A menina bolha sempre foi daquelas que corria atrás das pessoas implorando amizade, chorando por afeto e clamando por compreensão. Bem EMO, eu sei. Mas um dia ela descobriu que sua imunidade aos males do mundo não era o problema e sim a sua cabeça, que a mimava de forma irremediável e achava por bem mantê-la em uma bolha, para que o mundo não a fizesse mal. As dores da vida estavam aí para serem vividas e se transformarem em força.

No dia em que a menina bolha descobriu isso, sua vida mudou para sempre. Mesmo adotando algumas pessoas como moradores de seu coração, já não fazia parte de seu estilo implorar por amor e os relacionamentos passaram a ser uma grande estrada de mão dupla no seu coração, que fechava facilmente no caso de só uma das mãos funcionarem.

Assim, a menina bolha viveu feliz para sempre. Tropeçando às vezes, mas vivendo muito mais sentimentos verdadeiros.

12 de janeiro de 2011

2010 ou 2000 mudanças?


Mais um post pessoal... Mas fazer blog de diário é meu hobby desde os meus 12 anos. Sou uma pseudo-escritora frustrada.

Vou explicar, nesse primeiro post de 2011, o que o ano de 2010 representou pra mim.

Depois de 23 anos com papai e mamãe, resolvi meter a cara no mundo. Com tanta força, que saí
do outro lado, cercada de um monte de pessoinhas de olho puxado e falantes de língua estranha. By myself in the other side of the world. Mas, como fui criada para a sobrevivência em terreno hostil, até que me virei bem.

Na minha “Land of Oz”, eu encontrei uma
família. Uma família completamente doida, e que cresce a cada dia, sempre com muita elegância e carinho. Fiz também o grande achado da minha vida, entre trancos e barrancos. Hoje sei que o amor que eu procurava no Brasil estava mesmo lá, só que tínhamos de nos encontrar aqui, bem aqui, com todos os fatores que agem sobre nós. E o que sentimos hoje cresceu nos últimos tempos o que nunca vi crescer em nenhum outro relacionamento (falido) que já tenha me acontecido, amadurecemos juntos.

Em 2010
conheci, finalmente, a tal Marina Magalhães. Vi uma moça tímida demais, mas dura na queda. Não posso negar que fiquei orgulhosa em conhecê-la, com seus incontáveis defeitos, mas com qualidades aceitáveis e, talvez, até admiráveis. Confesso que vi muito dos pais dela em sua personalidade e a vi mulher. O que assustou, mas deu uma injeção de confiança.

Visitei
lugares, no ano que passou, aos quais as visitas nunca passaram de sonhos distantes. Tanta magia, tanta realidade, tanto sonho e conhecimento, que nunca na vida imagino uma oportunidade tão maravilhosa quanto a que eu estou tendo. E por isso, talvez, os últimos meses desse ano de 2010 tenham sido de uma tentativa voraz de me agarrar aos meus desejos e realizações. Uma mobilização um tanto egoísta, mas necessária para uma realização que trará bons frutos um dia, e não só pra mim.

Que venha 2011, com mais luta, mais vontade, mais energia e mais realizações (se for possível). E, talvez, menos
saudade e menos lágrimas. Para todos nós...

FELIZ ANO NOVO!


5 de novembro de 2010

Temos todo o tempo do mundo...


[A Persistência da Memória - Dali]


Vivo a pecaminosa vida de não atualizar meu blog há mais de um mês. No meu mundo isso é motivo de punições mentais graves, ainda mais quando tenho sempre tanta coisa transbordando pela boca, pelos ouvidos, pelos poros. Penso demais... Tenho coisa demais para contar. Mas a preguiça me pega de jeito às vezes e eu não resisto; a preguiça, definitivamente, tem pegada.

Na última vez que escrevi aqui, estava magoada, saudosa, ferida... E mais um trilhão de adjetivos, que cabem a um momentozinho de fraqueza. Acontece. E, hoje, já não cabem mais esses adjetivos. Aos que se perguntam como andará a Marina, ela vai muito bem. Ela tem tentado se organizar numa chuva contínua de funções, trabalhos, realizações, planos e decisões futuras. A vida não é fácil pra ninguém, em lugar nenhum do mundo, mas não deixa de ser prazerosa nos seus detalhes, bons ou ruins.

A verdade é que todos nós temos todo o tempo do mundo. A morte é única certeza da vida, mas ainda assim não está certa a sua data. Ou seja, ela nem é tão certa assim. Pensei isso hoje, equanto organizava infinitamente meu calendário até março do ano que vem. Ah...! Março do ano que vem... Tão distante e tão próximo na minha expectativa...

Entre o último post e hoje, várias coisas aconteceram, como deveria ser. E a vida seguiu, também como deveria ser. Estudei, descobri prazos, chorei, briguei, fiquei p***, ri, me diverti, dancei... E decidi um monte de coisas importantes. Afinal, é assim mesmo, o tempo todo, com todo mundo. Pode parecer bobagem, mas estamos sempre decidindo coisas pequenas, mas que não deixam de ser fundamentais (ou vocês realmente acham que decidir parar e comer alguma coisa é inútil?).

Nas últimas semanas decidi meus próximos 3 anos. Sim, 3 anos. TEMPO QUE NÃO ACABA MAIS! Vou fazer meu doutorado, vou fazer valer a pena estar aqui, sofrer de saudades aqui, me descobrir adulta aqui. Cresci tanto desde que cheguei, que já me vejo criança em fotos do ano passado, me sinto uma gigante. Ao mesmo tempo, pegar uma gripe na segunda-feira me fez chorar que nem bebê e pedir que a minha mãe estivesse aqui pra cuidar de mim, porque tive medo.

E vou seguindo, inconstante, apesar de dando sempre a cara a tapa... Nessa terra distante... Nessa terra inatingível do Brasil, mas tão comum depois de vista de perto... Vou seguindo sendo eu mesma, essa mistura louca de pensamentos mais loucos ainda, mas de desejos bem concretos, bem comuns.

--
Criancinhas brasileiras criadas a leite com pêra e ovomaltino (sic), ler é legal e inspira. Inspira e muito. Meu blog que o diga...

--
Esse post foi escrito em 15 minutos contados no relógio... Sério! Isso acaba de mudar minha percepção de preguiça de escrever no blog para noção de "Pelo amor de Deus, Marina! Você só precisa de 15 min! Deixa de ser lesada!".

14 de julho de 2010

Esquadros


Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

[Adriana Calcanhoto]

2 de junho de 2010

For a pessimist, I'm pretty optimistic

Saindo um pouco da rotina de narrar as "nipponicidades" pra vocês, hoje vou escrever um pouco sobre mim. De nada adianta escrever sobre as coisas sem uma pitadinha do que sentimos sobre elas.

O meu Japão está sendo muito meu. Do jeitinho que eu gostaria que fosse quando sonhava estar aqui algum dia, ainda pequena, tentando aprender toscamente e sozinha alguma coisa sobre esse lado do planeta. Me lembro de quantas vezes eu e meu irmão - Júlio - dissemos que um dia viríamos pra cá e ainda sonho com o dia em que poderei mostrar tudo daqui pra ele, pessoalmente, andando no meio dessa loucura gostosa que é Osaka.

Conversando com a minha mãe, outro dia, me vi mais forte do que imaginava que estaría quando cheguei aqui. Me preparei bem pra essa viagem, pra esse momento. Foram anos de planejamento... (rs) Pelo menos é o que eu acho agora. Não vim esperando um mar de rosas, vim esperando tufões, terremotos e erupções vulcânicas; vim esperando dificuldades enormes e uma adaptação difícil; vim esperando não conseguir me virar tão bem longe da minha casa, longe da minha vida. Afinal, estou morando longe do ninho pela primeira vez...

É melhor esperar o pior do que criar uma expectativa furada de paraíso e se decepcionar. Prefiro me surpreender com as coisas boas...

Assim eu encaro o Japão com mais leveza, com mais tranquilidade. Não quero dizer que a saudade não arranque dolorosamente, a cada dia, um pedacinho da minha alma; mas fica mais fácil de controlar.

No sábado (05/06) é a entrega de espadim do Júlio, no fim do ano a formatura do João e a Bel vai crescendo e ficando linda e nunca vou me perdoar por não ter estado por perto, como sempre estive; bancando a irmã babona, tirando fotos, chorando, procurando atenta os meus motivos de orgulho o meio da multidão. Essa é a parte difícil do Japão... Ser tão longe de tantas pessoas que a gente ama. Não ter a opção de dar um pulinho ali pra ganhar o colo da irmã-melhor amiga do universo. Não ter a chance de marcar um rodízio com os mais amados ou conversar todos os dias com o mestre. Não poder tomar café com os pais e conversar infinitamente sobre qualquer coisa que venha à pauta.

Ver o guardinha tirar a bandeira todos os dias e explicar para os meus amigos o porquê lembra o meu pai. Andar pela rua e ver as crianças lembra a minha mãe. Ver as coisas legais nas ruas lembra os meus irmãos. Passar por situações "bafônicas" lembra as minhas amigas amadas. Estar na terra do Miyazaki lembra o meu amigo amado... Tudo lembra um pouco de alguém que mora no meu coração.

E essa dificuldade não é para alguns, é para todos aqui. Para os que vêm de longe e os que vêm de perto. Para os que falam português ou os que falam russo. Para os que odeiam o Japão ou para os que amam.

Ninguém, que ame de verdade, escapa da dor da saudade!

Não vejo nada de errado nessa minha nova vida. Tirando a falta dos queridos, tudo está no seu devido lugar. Novos amigos queridos, nova rotina arrasadora, coração renovado, tudo nos eixos. E assim vou levando, sorrindo e chorando. Aproveitando cada minuto dessa oportunidade louca e única, no meu atual lugar favorito do mundo.

24 de abril de 2010

海に囲まれた島国

Continuando de onde parei, com a demora de 1 mês cabível à adaptação dessa que vos fala... rs
Sobrevoar o Japão foi mesmo sensacional... A ficha de que estava aqui só caiu depois do segundo ou terceiro dia, mas começar a ver as ilhotas aparecendo lá embaixo me deram a sensação de estar descobrindo um "novo mundo". Solidarizei com Colombo e Cabral, descobrir é mesmo fantástico; dá uma sensação muito gostosa.
O velhinho que estava do meu lado, quando viu o brilho nos meus olhos até abriu mais a janela e me deixou olhar em silêncio. Admirar aquelas ilhotas abarrotadas de gente. O tempo não estava muito bom, ainda era muito cedo, mas era como se o sol brilhasse com toda a força.
Confesso que estava muito nervosa na chegada ao Japão, o que meus amigos confirmaram, agora, depois de 1 mês aqui, ter percebido. Tinha medo daquele último fator que poderia estragar tudo, a última desgraça que poderia acontecer... Sei lá! Vai que na alfândega falam "Volta mais tarde, beijo!", né? Ou a mala vai parar na Ucrânia... Sei lá!!! Mas ser bolsista do governo nos garante... Haha!
O aeroporto de Kansai foi tranquilo. Saímos em bando, os brasileiros, e assim estamos até hoje. A primeira pessoa que conheci e está em Osaka, foi a Daise, a 1ª bolsista da região norte nos últimos 8 anos. Depois conheci a Lê, de Curitiba. Isso ainda em Frankfurt. E os meninos [Marcos, Carlos e Marcelo] só conheci em Kansai, quando começamos nossa lista de brasileirices... Num esquema malandro-mór (na foto ao lado), conseguimos vir para o dormitório pela metade do preço que pagaríamos. Me perguntem como e eu direeeei! rs O tio, motorista de táxi/transporte/afins veio oferecer o serviço! No início achamos que seríamos sequestrados e mortos, mas deixamos rolar... Se nos dissessem que a gente teria que atravessar a baía nadando, nós acreditaríamos mesmo. Estávamos mais perdidos que Mr. Magoo no Pachinko e o Tales (senpai) idem... rs
Depois disso foi só relaxar e olhar embasbacada as coisas em volta durante a nossa viagem de 1h até a roça. Porque moramos na roça! Suita é muito roça e Minami-senri é a roça dentro da roça! Hahaha! Mas é bom morar aqui...
Chegamos na melhor semana possível! As Sakuras tinham acabado de florir e o país inteiro estava eufórico. Minha primeira observação sociológica foi: "Cara, isso é interessante! Todo ano é a mesma coisa e, mesmo assim, todo ano tem festa por causa das Sakuras!". rs Aí aprendi que a primavera é o início de tudo pro japonês. A florada das Sakuras simboliza o recomeço, depois do inverno frio e deprimente. Japoneses e seus simbolismos... Acho muito bonito!
Como diz a regra, tivemos que fazer um "hanami", né? O Felipe, nosso senpai querido (historiador, né? tinha q ser "o cara"), nos levou pro parque e comemos o nosso 1º "obentou" (marmitão japa). "Hanami" é aquele "pic-nic" que o povo faz debaixo da Sakura. Depois que cheguei, fui nuns 3 ou 4... Fácil! Em uma semana já não aguentava mais Sakura! Hahaha!

A partir do primeiro dia exaustivo e tenso em vários sentidos (por mais que saiba um pouco de japonês, rola um choque com a língua, e meu inglês tava daquele jeito...), tivemos uma semana de voltas por aí, compras, adaptação, orientações (foram umas 500 mil! rs), "jikoushoukai" (me apresentei pra vários grupos umas 15 vezes, sem brincadeira!), milhares de fotos e muita coisa boa. Todos chegamos com um pouco de noção de vida nova, apesar de as primeiras semanas ainda terem aquela sensação de viagem de férias.
O tempo nos fez formar uma família meio doida. Mas isso fica pro próximo post...

--

* 海に囲まれた島国 [umi ni kagomareta shimaguni] = País insular cercado pelo mar (meio idiota, mas essa é a tradução; "shimaguni" [país insular] às vezes é usado como metáfora para Japão)

7 de setembro de 2009

7 de setembro - Jogo dos 7 erros

Antes de tudo, quero brincar... Passei a semana passada inteirinha pensando nisso e quero compartilhar. Vamos dar uma olhadinha na imagem abaixo:


"O Grito do Ipiranga", de Pedro Américo. Sim senhores!

Não podemos negar, esse quadro é bonito. É a imagem que todos nós queremos ter de nossa independência. Mas, como todos sabem, não é a verdade. Vamos aos detalhes malignos que destróem nossas ilusões [sim, fazer história é tornar-se a tia que conta pra criança que Papai Noel não existe!].

1º detalhe: Todo mundo bonitinho? Oi? Quando o tio Pedro avisou que ia gritar, todo mundo lavou o rosto, colocou a melhor farda e formou uma roda pra assistir? Come on, né gente? Quando que uma comitiva à cavalo que já vinha de uma longa viagem de Minas tá toda linda? Os Dragões da Independência [que eu amo, por sinal] estão magníficos! Olhem as roupinhas brancas perfeitas!
2º detalhe: Lembram da história da carta de José Bonifácio? Pois bem... Falha da historiografia, confesso, mas não dá a impressão de que tio Pedrinho leu a cartinha em cima do cavalo, sacou a espada e gritou pra galera "Independência ou mooorte!" e o povo "Opa! Belê! Tamo independente!"??? Tudo faz parte de um processo, meus amores. Tudo!
3º detalhe: Já pararam pra pensar o quanto a imagem do grito às margens do Ipiranga parece mais boba do que a imagem do "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico"?
4º detalhe: Sente o camponês ali no canto. Viu? Aquele rapaz robusto, cheio de vida e visivelmente encantado com a cena? Ele é você, eu e todo mundo cantando junto. Ele representa o povo. Pedro Américo colocou ali aquele pobre homem como representante do brasileiro. Obrigada Pedro Américo!
5º detalhe: Além da comitiva de Pedrinho, são só mais duas as pessoas presentes na imagem. Além do "todo em um só" cuidando do gado ali no canto, temos o senhor no cavalo logo atrás do pessoal que "fechou" com o Pedrinho. Sim! Ele é o dark side. Veja como ele não está feliz. Se o quadro tivesse balões de fala, ele estaria falando coisas feias.
6º detalhe: Vejam a posição dos cavalos da guarda... Olharam? Sentiram o mesmo nervoso que eu??? Sim! A impressão é de que tudo acabou em uma comédia pastelão, com todo mundo no chão. De onde eles viriam correndo? Por que correriam? Ali embaixo já é o rio, estão vendo. Pois é...
7º detalhe: O último e MAIS IMPORTANTE detalhe é de que o cavalo, meus queridos, era uma mula e o tio Pedrinho tava com dor de barriga. Ou seja, nada de pose bonita, grito alto etc.

Mas, ainda sim, amo essa data e tudo que ela representa. Palhaçadas com "O Grito do Ipiranga" são comuns, mas devemos observar que é importante construirmos um belo simbolismo em torno de um acontecimento fundamental na nossa História.

Brincadeiras à parte, hoje, 7 de setembro de 2009, comemoramos 187 anos de independência do Brasil. Uma independência um tanto dependente, mas ainda sim importante.

Somos um país grande e poderoso na medida do possível. Com todos os problemas de uma ex-colônia, o Brasil é hoje um Estado com destaque internacional. Como nação, nos falta organização e competência na maior parte das vezes, mas ainda vejo esperançosa os passinhos de formiga que estamos dando rumo a uma situação muito boa; economicamente boa, pra ser mais específica.

Além do nosso lento, mas visível crescimento, não posso negar o quanto me alegra o coração olhar esse pedaço de terra perfeito, de clima maravilhoso, natureza exuberante e povo gentil. Que me desculpem os outro, mas eu AMO essa terra e duvido que qualquer outro canto do mundo seja melhor do que aqui.

Me preocupam episódios como o da cantora Vanusa. Aquela cena deplorável só nos traz, mais uma vez, o aviso de que é preciso cuidar mais do nosso país. Abram os olhos, ok?

4 de agosto de 2009

Mar

"Aquela que vem do mar", assim definem meu nome e, sinceramente, não vejo nada melhor para definir alguém como eu. As motivações dos meus pais foram óbvias, mas isso vai além da nomenclatura, é uma conexão de essências.

O mar, em toda sua transparência, reflete o que o cerca sem deixar de demonstrar sua verdade. O cinza chumbo dos dias nublados se soma à maré revolta, que destrói e lava. O azul de dias claros vem junto à tranqüilidade e da mansidão da correnteza. O verde, próprio das águas rasas cercadas por matas, aparece em conjunto com uma natureza exuberante e em constante renovação.

Quem nunca presenciou uma de minhas conversas silenciosas com minha parte gigante, não me conhece por completo. Já chorei tantas vezes em seus ombros. Já sorri, alegre, em seus braços. Já decidi muito da vida em debates acalorados.

Sempre acabamos demonstrando o mesmo estado de espírito, pois compartilhamos sim - e não há quem me convença do contrário - da mesma essência. Somos passionais, apesar de disciplinados; cheios de vida, apesar de tímidos; incompreendidos, apesar de verdadeiros.

Não existe mar traiçoeiro, existe, sim, quem não entenda nada sobre o mar.



4 de junho de 2009

Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar.

[Saber Viver]

Texto de uma das maiores poetisas deste país. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, vulgo Cora Coralina, viveu 96 anos (1889-1985) de uma vida intensa, verdadeira e pura. E há quem não valorize nosso "produto nacional".

Adoro literatura estrangeira. AMO! Mas nada me faz menosprezar a do meu país. E cabe a cada um de nós dar valor ao que há de bom nesta terrinha de 8.514.876,599 quilômetros quadrados, diante de tanta coisa ruim que presenciamos aqui.

E tem mais, meus amores! Não há francês que tenha moral para falar da segurança do meu aeroporto, ok? Cogitar que seria muito fácil o embarque de um terrorista no avião porque a segurança no aeroporto do Rio é falha... Ficar jogando a culpa de um lado pro outro em uma situação como essas... É aquela história do irmão mais novo; "Ai de quem bater no meu irmão! O irmão é meu e a única que pode bater nele sou eu!". Hã...!

21 de abril de 2009

1670km/h

[Ipanema - Rio de Janeiro]
O mundo gira rápido demais. Essa é a realidade. Afinal, quem imagina como deve ser dar uma pirueta a uma velocidade aproximada de 1670km/h? Nessa velocidade, eu iria ao Japão em apenas 11h. O que seria maravilhoso, mas não vem o caso. A questão é: fugindo de todos os clichês com a velocidade de rotação da Terra, as coisas mudam muito rápido nas nossas vidas mesmo.

Às vezes páro pra pensar em como ontem uma coisa pode acontecer e, hoje, tudo estar diferete na nossa cabeça. Ou como ontem podemos estar vivendo algo e, hoje, aquilo ter se transformado tanto que você nem sabe como as coisas podiam ser de outro jeito.

Os ventos da mudança estão aí pra quem quiser ver...

9 de março de 2009

Across the universe


Não há nada que você possa fazer que não possa ser feito
Nada que você possa cantar que não possa ser cantado
Nada que você possa dizer, mas você pode aprender como jogar o jogo
É fácil
Não há nada que você possa fazer que não se possa fazer
Ninguém a quem você possa salvar que não possa ser salvo
Nada que você pode fazer, mas você pode aprender como ser com o tempo
É fácil
Não há nada que você possa saber que não possa ser conhecido
Nada que você possa ver que não possa ser visto
Nenhum lugar onde você possa estar que não seja onde você quer estar
É fácil
Tudo o que você precisa é amor
Amor é tudo o que você precisa
[All you need is love - The Beatles]
Nos últimos tempos tenho assistido mais filmes. Por motivos que eu desconheço, há uns 5 anos atrás, não era tão fã de cinema quanto sou agora. Estranho... Talvez fosse parte da preguiça de assistir os filmes ou então de não conseguir ver sentido nas histórias. Pode parecer bobagem, mas meu curso abriu minha mente pra tantas coisas que a gente pode ver em um filme; fiquei chata, muito chata com os detalhes.
No mês passado o HBO começou a passar o musical Across the Universe. Sinceramente não entendo como determinados filmes não são exibidos amplamente no Brasil. Isso me irrita bastante.
Fiz uma resenha para este filme no site http://www.tempopresente.org/ há duas semanas; uma parte dela é essa aqui:

Com direção de Julie Taymor, também diretora do sucesso Frida, a produção conta a história de um casal de jovens apaixonados - Jude e Lucy - que vive a intensa década de 60. O musical, com trilha sonora integralmente constituída por músicas dos Beatles, traz em seu enredo os principais acontecimentos do período no qual se passa a história, entre eles a Guerra do Vietnã, os movimentos de contracultura que surgem na sociedade americana naquele momento, até mesmo a morte de Martin Luther King.
Indicado ao Grammy de Mehor Trilha Sonora, ao Globo de Ouro de Melhor Filme e ao Oscar de Melhor Figurino, o filme traz atores/cantores de extrema qualidade, a ponto de 90% das canções terem sido gravadas sem nenhuma dublagem pós-produção e sim diretamente no set de filmagem. Os nomes dos personagens foram, todos, retirados, também, de músicas dos Beatles - como Jude, de "Hey Jude", e Lucy, de "Lucy in The Sky With Diamonds" -, assim como o nome do filme "Across The Universe". Além das referências a Jimi Hendrix e Janis Joplin, com os personagens de JoJo e Sadie.
[...]
Além de agradar àqueles que possuem bom gosto musical e apreciam belas atuações e vozes, esta produção traz uma exposição poética da década de 60 e os fatos que este momento da história os EUA envolveu.
[Across The Universe - Resenha Cinematográfica - Cine TEMPO]

A história de amor, por sua vez é MARAVILHOSA. Minha resenha tende mais para a parte histórica, que é o objetivo real do site, mas não posso deixar de comentar que é apaixonante.
Recomendo!

18 de fevereiro de 2009

Un hommé déserté

Tu sais il a tout jeté
Tes polaroids et tes papiers
C'est brûlé enterré classé
Toi l'ex cleptomane tu ne lui a rien laissé
Il a tout jeté Ses tendres espoirs et son passé
Tu as pillé son corps et son cœur
Sont une galerie sans décor
J'ai fouillé pour trouver une âme
Mais j'ai trouvé un homme déserté
J'ai trouve un homme déserté
Tu sais j'ai tout donné
Mon amour et mon humilité
Dans ce cimetière des sentiments
J'ai fait danser
Danser les morts
J'ai fouillé pour trouver une âme
Mais j'ai trouvé un homme déserté
J'ai trouve un homme déserté
J'ai fouillé pour trouver une âme
Et j'ai trouvé des trésors qui t'avaient échappé
Des sourires dont tu avais perdu la clé
Un homme déserté
[Un hommé déserté - Camille]


A vida é feita de escolhas e, nem sempre, nossas escolhas são 100% corretas. Logicamente as escolhas erradas não são feitas por querermos errar, mas a vontade de acertar não caminha obrigatoriamente de mãos dadas com a razão.

Acredito que, talvez, a razão se perca no momento em que nos envolvemos demais com os fatos e acontecimentos. Podemos escolher pessoas, sentimentos, ações e pensamentos errados. Já vi mulheres se envolverem além do necessário com os homens errados, já fui a errada. Já vi amigos sentirem o que não deviam e agirem de forma apressada. Até pesamentos distorcidos já destruíram pessoas.

Há quem se aproveite das escolhas errôneas de outros para se beneficiar, o que parece egoísta, mesquinho e, na maior parte das vezes, exemplos de falta de caráter. O que não deixa de ser uma escolha errada. O problema é se tornar un hommé déserté - um homem abandonado -, alguém sem amizade, amor, companheiros, por causa de nossas escolhas.

Muito importante esse negócio de escolher as coisas... Mais ainda o de pensar antes de agir.

23 de setembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira


Minha pós-modernidade intrínseca me impede de afirmar uma interpretação única pra esse filme. Eu luto, mas caio na mesma história sempre.
Bem no senso comum, acredito que esse seja um bom tapa na cara da sociedade. Fugindo de um discurso socialista ou de qualquer outro rótulo desse tipo, acho mesmo que a estória tenha um fundo de crítica ao individualismo que está nos assolando, cada vez mais. A cegueira tem um significado que vai tão além da doença... Talvez demonstre o estágio em que a pessoa deixa mesmo de ver, deixa de enxergar o que o rodeia e se preocupa apenas com o que é palpável. E é fundamental como, após a tal epidemia, com a doença, o que realmente importa acaba tornando-se paupável. E não se pode negar o fato de que tal cegueira atinja a todos, sem nenhuma distinção. Não são apenas brancos ou ricos que estão perdendo a noção do que vale a pena, são todos, do asiático rico ao latino pobre, do Bill Gates ao senhor que dorme na porta da minha faculdade. É uma espécie de crítica a uma inversão de valores por todos nós.
Há uma espécie de "evolução" naquela pequena sociedade formada de maneira forçada. O filme também mistura um pouco de teoria política. Não sei se eu estou ficando louca de vez com essa minha vidinha acadêmica, mas percebi um pouco de Hobbes... A sociedade que sai do estado selvagem e, sem governo, ruma para o caos. A necessidade da autoridade para defender e gerar a paz é uma das teses defendidas por Hobbes no Leviatã. Aquele "micro cosmos" da reclusão para a quarentena acaba tornando-se um tipo de sociedade e, na medida em que essa sociedade começa a organizar-se rejeitando o estabelecimento de uma autoridade, um representante escolhido por todos, o caos se instala, os direitos e liberdades deixam de ser respeitados. Daí toda a trama envolvendo a personagem do ator Gael García Bernal. Mas como ando um tanto imaginativa e não sou mestra em ciência política, posso mesmo estar totalmente errada.
Mas uma das cenas que me derrubou, logo no início do filme, foi o encontro do casal de japoneses [interpretados por Yusuke Isseya e Yoshino Kimura], já dentro do alojamento de quarentena. Além de falada em japonês, o que já mexe comigo naturalmente, a cena mostra um amor tão profundo. Foi impressionante a forma com que fica evidente o amor que une aquelas duas pessoas. Eles se encontram mesmo que não enxerguem um ao outro. E isso tem um peso enorme! [Pelo menos para mim...] Entre outras cenas, como o caso das mulheres... Enfim! Não cabe a mim contar o filme e acho que me odiariam por isso.
Conto nos dedos os momentos em que chorei de forma tão "doída" no cinema. Não que eu tenha coração de pedra, mas não sou tão manteiga derretida. A verdade é que, quando juntamos 2 mais 2 e dá 4, não tem jeito. Foi um filme que mexeu comigo de uma forma assustadora e achei digno escrever sobre. Me senti um tanto vazia e pequena quando saí daquela sala de cinema...

2 de março de 2008

P&B

A presença e a ausência.
A cor e a não-cor.
A alegria e a tristeza.
O completo e o incompleto.

Quando é tristeza, é profunda tristeza.
Quando é alegria, é uma alegria tão profunda, que, mesmo sem cor, é alegre.