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5 de julho de 2015

Nova casa, novo trabalho, África do Sul, Japão e a saga da academia

Minha vida daria numa comédia bem boa, daquelas de doer a barriga de tanto rir. Sei disso porque eu mesma rio... Às vezes pra não chorar, mas rio.

Quase DOIS anos completinhos depois de dormir no topo do Monte Fuji, estou de volta. É aquela velha relação blogueiro-blog, que só as duas partes entendem. Você escreve enquanto as inspirações duram, daí você pára, depois você volta. Mas é gostoso voltar vendo o quanto o blog continuou vivo durante esse tempo. Bom saber que não escrevo só pra mim mesma.

Muita coisa mudou desde aquele agosto de 2013. O trabalho de doutorado, infinito e sofrido, acabou. Sou doutora (e, sim, isso ainda soa estranho pra mim... mas falamos sobre isso mais tarde!), voltei pro Brasil, trabalhei no Brasil, fiquei noiva no Brasil (UHUUUL!!!) e minha carreira me puxou pelo pé e me jogou na África do Sul.

Nascer do sol na África do Sul, visto do avião
“Mas menina, comassim?”, vocês perguntam. E eu respondo “O Japão, queridos... Sempre o Japão”. Lá para fins de fevereiro desse ano, em uma conversa com um amigo que também se formou no Japão – em meio às lamúrias da falta de oportunidade e das dificuldades de ser um doutor em lugares que não se mostram muito abertos para doutores, mesmo sendo as nossas casas –, soube de uma novidade... Um projeto... O mesmo projeto no qual trabalhei no mês anterior a voltar para o Brasil (lá no Japão). Uma vaga ainda estava aberta para 10 meses de trabalho na África...

Dúvidas, discussões, dúvidas, lamentos, dúvidas, esperanças, dúvidas, projetos... Já disse dúvidas? A organização de um casamento à distância, valhei-me secretária-representante-administradora-mãe... A organização de uma vida pós-casamento à distância... Visto tirado às pressas, passagem comprada às pressas... Tudo corrido, tudo suado. Ajuda de muitos amigos queridos. O pensamento focado em construir um futuro, que agora não vai ser mais só meu, seremos dois em um... E a vantagem de ter O Cara dando aquele empurrãozinho quando as coisas não pareciam ir bem.

E aqui estou eu, na África. Minha primeira vez no continente da origem... E quem diria que ia ser algo tão definitivo, né? 10 meses morando aqui, trabalhando e pesquisando aqui. Pela primeira vez uma pesquisa sobre a África. Relacionada com a pesquisa anterior sim, um pouco de ONU na jogada, mas minha primeira conexão africana.

O lugar? Bloemfontein. A fonte das flores. A cidade das rosas. A capital judicial da África do Sul (uma das três capitais, na verdade – junto a Pretória e Cidade do Cabo). Uma grande pequena cidade, com muitos shoppings, poucos prédios e cercada por fazendas. Nenhum Burguer King, nenhum Starbucks, mas um McDonald’s, um mercado de fim de semana muito legal, pessoas incrivelmente simpáticas e uma universidade fantástica. Comparada com Johanesburgo, onde estive no mês passado, Bloemfontein é muito pequena. Mas isso salva cidade de índices elevados de violência, garante o menor índice de poluição atmosférica do país e ainda dá de presente para os habitantes a melhor qualidade de água da África do Sul.

Durante esse primeiro mês não tive muitas chances de explorar meu novo endereço no planeta. A espera pelo primeiro salário é sempre angustiante. Mas pude ver algumas coisas que, em geral me intrigaram e também agradaram, na maior parte. A África do Sul é um país de pessoas amigáveis, felizes, simpáticas. Existem os “cara de orifício anal”? Existem, mas são a minoria. E não há um sorriso bem dado que não arranque um sorriso igualmente bonito. Sinto-me em casa nesse continente, realmente acho que herdamos a parte boa daqui.

Ao mesmo tempo, as semelhanças com o Brasil também são grandes no sentido não tão bom da coisa. Como na saga da academia, por exemplo...

Há três semanas encontrei a academia do campus. Isso, em si, já foi uma saga. Todos (ou uma parte das pessoas) sabem que a academia existe, ninguém sabe onde fica. Levei duas semanas para achar o lugar. Quando encontrei, achei muito legal; as academias aqui do Brasil, ops, da África do Sul são muito parecidas com as academias da África do Sul, ops, do Brasil. Cheguei na secretaria e perguntei sobre a inscrição e fui informada que só acontece às sextas-feiras. ”Ok! Volto na semana que vem!”, respondi. Uma semana depois, lá estava eu e mais uma vez não consegui me registrar, porque, segundo o funcionário, os registros aconteciam das 10h às 11h da manhã. ”Mas não me informaram isso...”, respondi ao funcionário brasileiro, ops, sulafricano. Na semana seguinte, pra ser mais precisa, na última sexta-feira, voltei à academia para ouvir que os registros não são feitos durante o mês de julho, agora só em agosto. E, ali, me senti na África do Sul, ops, no Brasil...

Brincadeiras à parte, é bem verdade... Somos semelhantes em muitos pontos. Às vezes é impossível não fazer a comparação e fica até chato repetir sempre a frase ”É, nós temos isso no Brasil também”. Para as semelhanças boas, parece uma certa necessidade de não estar por baixo. Para as coisas ruins, fica parecendo uma eterna competição de quem está mais caído...

No meio de julho recebo visita ilustre (MÔÔÔÔ!!!!) e, aí, vou poder ver mais coisas dessa terra ainda não explorada por mim. Estou animada! Acho que esse continente tem uma certa magia, me encanta...

27 de agosto de 2013

Dormindo no topo do Japão

Monte Fuji visto da quinta estação
Sou pequena, frágil, cheia das minhas frescuras e medos, não há quem diga que luto Taekwondo ou que gosto de me meter numas aventuras tenebrosas. Mas a verdade é que eu gosto, eu vou, me sujo, me machuco, me canso, me quebro, passo perrengue e tenho minhas histórias pra contar no fim. Já cruzei meio Japão de trem normal, numa viagem de 18hs, já fiz trilha de chinelo etc. Semana passada resolvi colocar mamãe de cabelo em pé (de novo) e fui sozinha escalar o Monte Fuji, o pico mais alto do Japão e também um vulcão ativo.

Existem vários relatos de como é a experiência de escalar o Fuji. Li muitos antes de ir, pra poder me preparar. Mas, sinceramente, nenhum deles conta exatamente como é a subida ou a descida. Nenhum deles consegue resumir exatamente o sentimento ou o que é necessário. No fim, concluí que nada como a experiência em si pra nos ensinar onde erramos e onde acertamos, que parte é simples e qual é a complicada. O que é possível e o que não é.

Depois de quase 3 anos e meio no Japão, minha última chance de escalar o Fuji foi agora. Todo ano, as trilhas e estações da montanha são abertas no verão, entre julho e agosto. Em geral, a temporada de escalada acontece entre a primeira semana de julho e o dia 31 de agosto. Algumas variações de dias podem acontecer, devido às condições climáticas, mas, resumindo bastante, temos esse intervalo de dois meses pra visitar o topo do mundo nipônico.

Desde que cheguei aqui tinha muita vontade de ir e empurrei com a barriga por preguiça, outros planos etc. A verdade é que a ida exige uma certa preparação material e de atualização com o clima. Cinco dias antes de ir (ou decidir a data da minha ida), comecei a checar a previsão do tempo no topo, para garantir que a subida não seria em condições ruins e que o meu nascer do sol (evento máximo da escalada) estaria garantido. O site da Agência Meteorológica Japonesa se mostrou muito complicado, então fui atrás de sites mais específicos, como o Mountain Forecast ou o Mt. Fuji Climbing. Consegui encontrar uma “janela”, em uma semana que prometia tempo nublado, juntei minhas tralhas e fui.

No trem, a caminho.
Minha programação era: ir de trem (trem-bala + trem normal), subir até a quinta estação de ônibus, começar a trilha por volta de 3 horas da tarde, subir com tranquilidade, passar a noite no topo, ver o nascer do sol, andar um pouco em torno da cratera, descer e voltar pra casa. Consegui seguir de certa forma o que tinha programado, mas os “extras “ são sempre a parte boa da aventura, né?

Existem quatro opções de trilhas para a escalada do Monte Fuji: Yoshida, Subashiri, Gotemba e Fujinomiya.
Trilha Yoshida
As três tem características diferentes: Yoshida começa na cidade de Fuji-Yoshida, é a mais fácil e com mais assistência (muitos banheiros, casas de hospedagem e lojas); Subashiri começa na cidade de Oyama, é coberta por vegetação até a sexta estação e se une à Yoshida na oitava estação; Gotemba é a trilha mais longa, começa na cidade de mesmo nome e tem pouca assistência para quem escala, pelo menos até a oitava estação; Fujinomiya também começa em cidade homônima, é a trilha mais curta de todas, porém a mais inclinada e complicada, além de apresentar poucos locais de assistência.

Para a subida, escolhi a trilha Yoshida e descobri que o nível de dificuldade relatado nos sites não era o mesmo que eu acreditei que fosse. Apesar de serem trilhas, a escalada se faz escalada de verdade em certos momentos. Na Yoshida, o caminho entre a sétima e a oitava estações apresenta trechos de “rock climbing” real, com mãozinha na pedra, bracinhos fortes etc. Apesar de ser em zigue-zague, a trilha Yoshida não deixa de ser inclinada e cansativa também. Cheguei à quinta estação pouco antes das 2 horas da tarde, fiquei um pouco por lá passeando e me adaptando à altitude, iniciei a subida no horário que tinha previsto e consegui alcançar a oitava estação em 3 horas e meia. A beleza de ter começado mais cedo foi, com certeza, poder ver o show de luzes do pôr do sol.

Cajado e suas marcas
Para auxiliar a subida, comprei um cajado de madeira, que é vendido nos pontos de partida para a trilha e mesmo nas lojinhas da subida. Como comprei na estação de trem, gastei cerca de 800 ienes, mas os preços podem chegar a 1.500 ienes, conforme você sobe. A parte legal do cajado é que a cada estação você pode marcar o seu avanço com carimbos a ferro quente. Cada um com um desenho, às vezes até dizendo a altitude, a data e tudo mais. Sendo que o mais importante é, sem dúvida, o do topo, né? E, na volta pra casa, pode saber que você e seu cajado vão ser as estrelas do trem, e todos os velhinhos vão querer saber se você realmente escalou o Fuji-san. Hihihi!

Depois da oitava estação, começou a escurecer e tive que usar minha lanterna de cabeça. Sim, o ideal é deixar as mãos livres por vários motivos, entre eles o apoio nas pedras de alguns trechos e a ajuda na proteção em caso de queda. No escuro, a subida se tornou mais lenta e cuidadosa. Apesar da bênção de ter tido o clima perfeito durante todo o tempo (mesmo tendo checado previsões de tempo nublado) e só ter visto passar longe uma tempestade de raios linda, o vento chegou com força total depois do pôr do sol. E quando digo com força, não estou exagerando; eram rajadas de vento bizarras mesmo. A lua cheia também deu o ar da graça nos últimos metros de subida e compôs cenários maravilhosos, que vou guardar pra sempre na memória.

Às 22 horas cheguei ao topo do Fuji. Depois de ter iniciado a subida muito tranquila e em um ritmo bom, os últimos metros foram uma mistura de sentimentos e, incrivelmente, isso parece ser a experiência de todo mundo que resolve encarar essa aventura sozinho. O cansaço, a escuridão e os obstáculos reduzem mais sua velocidade, as dores começam a aparecer, as paradas pra descanso passam a ser mais frequentes e o fim parece cada vez mais distante. Um amigo relatou de uma forma que descreveu direitinho o que senti; o que inicialmente não tem nada de espiritual, se torna espiritual nas últimas centenas de metros de escalada. Quando tudo se junta, as lágrimas vem, a exaustão tenta te derrubar e ali, no escuro, no silêncio, no vazio, você sente a presença de Deus. Eu senti, esse amigo, quando subiu, também sentiu; acho que todo mundo sente. E eu chorei, rezei, agradeci por ter uma oportunidade tão única, tão especial. Quando veio o topo, não conseguia mais me conter e chorei mais, de alegria, saudade de tanta gente, gratidão. Chorei me sentindo vitoriosa, capaz. Foi uma sensação incrível, que eu compartilhei somente com Deus, minha única e mais que poderosa companhia.

Lua cheia, na parte final da subida
Depois que a oitava estação desaparece sobre o ombro, durante a noite, a nona estação é somente uma ruína abandonada e o topo é deserto. As pessoas só começam a chegar e se acumular a partir das 2 horas da manhã. Antes disso, só os poucos lunáticos (eu). Assim, fui obrigada a passa a noite na porta de uma das lojas, encolhida embaixo do que levei para me proteger do frio e, quando não apagando por pura exaustão, tremendo muito, enquanto o sol nascente não vinha. Esse foi o meu primeiro aprendizado: roupas mais quentes e mais estruturas pra se proteger do frio, se você é suficientemente louco pra resolver dormir no topo. Meu “jeitinho” foi me enrolar na capa de chuva, deitar no chão e me cobrir com uma lona e uma manta que tinha levado, além do meu casaco mais pesado e minhas luvas. Não foi perfeito, eu parecia uma mendiga, mas me salvou de alguma forma do vento cortante. Enquanto no nível do mar a temperatura era de 37 graus, na montanha, a 3.767 metros, a temperatura era de 37 divididos por 10. Enquanto passava frio, acreditei piamente no que li sobre como já é inverno no Fuji a partir de meados de setembro. O fundo da cratera já apresentava até um pequeno (bem pequeno) acúmulo de neve.

Às 3 horas da manhã as lojas no topo abriram. Espertamente, todos começaram a vender bebidas quentes e oferecer refeições. Um detalhe importante sobre a escalada é: levem dinheiro, bastante dinheiro. Apesar de ser possível, como eu fiz, levar comida, dormir no frio e evitar maiores gastos, emergências acontecem, os banheiros são pagos e, na hora do frio, até eu cedi minhas ricas moedinhas por um chocolate quente e abrigo até o céu clarear. Sem contar que a necessidade faz todos os homens, principalmente os que ganham dinheiro com ela; as coisas são extremamente caras durante a subida do Fuji.

Quando o céu clareou, por volta das 4 horas da manhã, tomei meu lugar e fiz valer meu esforço, o frio e a espera. Nunca, na minha vida, tive uma experiência como o Goraiko (o nascer do sol visto do topo do Fuji). É maravilhoso! Eu fui uma das primeiras pessoas no mundo a ver o sol nascer no dia 22 de agosto de 2013.

Goraiko
Depois de passados os meus momentos com o sol nascente no topo do país do sol nascente, resolvi perseguir meu fascínio por vulcões e fui caminhar ao redor da cratera, na trilha chamada Ohachimeguri. Essa trilha também não é das mais fáceis, com algumas partes bastante inclinadas, mas é fascinante poder ver um vulcão ativo “por dentro”. Sempre tive esse fascínio suicida... Acabei escolhendo uma boa pedra, numa parte mais baixa da trilha, bem perto da cratera, pra tomar meu café da manhã e ter mais um conto pros netos. O Fuji tem baixo risco de erupção, mas continua sendo considerado um vulcão ativo e fica no encontro de 3 placas tectônicas, a Euroasiática, a Okhotsk e a das Filipinas (OMG! EU ESTIVE NO ENCONTRO DE 3 PLACAS! *-*). A última atividade do grandão aconteceu em 1707.

Kegamine ao fundo
Depois disso, subi até o pico mais alto do Fuji (3.776m), e consequentemente do Japão, chamado Kengamine. Lá ficava localizado o sistema de radar meteorológico japonês, o mais alto do mundo, e ele podia detectar fenômenos naturais a 800km de distância. Hoje os satélites o substituíram, mas a instalação ainda existe. O vento dificultou tanto a chegada ao pico e o caminho a diante era tão inclinado, que acabei voltando dali, percorrendo só metade da trilha da cratera. Mas valeu. Preferi ter tido só a experiência de chegar ao lugar mais alto e deixar de ser jogada pelo vento ou montanha abaixo ou pro fundo da cratera. Hehehe!

Inicialmente tinha decidido voltar pela Fujinomiya, por ser a mais curta e pra reduzir os gastos da passagem de volta. Mas o vento na trilha da cratera e a inclinação me fizeram voltar para a Yoshida mesmo, que também era considerada a mais fácil. Mas, se ela era a mais simples, eu certamente ia me quebrar muito na mais curta. A descida foi, definitivamente, a parte mais tensa da jornada. Subiria mais mil vezes, se não tivesse que descer nenhuma delas. Certamente a falta de um calçado próprio dificultou muito a minha vida, mas não posso colocar a culpa só no meu tênis, pois vi muita gente cair mesmo com botas específicas. Apesar de não ser muito inclinada, a descida na trilha Yoshida é uma ladeira de pedras vulcânicas soltas, que você precisa encarar cansado e, dependendo do clima, debaixo de sol o tempo inteiro. Resultado: caí 4 vezes, ralei minhas mãos, machuquei e forcei muito meus joelhos, tive queimaduras de sol (culpa toda minha) e, no fim, não conseguia nem mais andar direito. Desci em uma velocidade ridiculamente baixa, levando 5 horas. Além disso, a trilha tem apenas três locais com banheiros e bastante distanciados uns dos outros. Tenso. Mas nada disso apagou a sensação fenomenal de antes.

Na volta pra casa, apesar de cansada, me senti vitoriosa. Escalei a montanha mais alta do Japão e marquei pra sempre no coração o período da minha vida que estou passando aqui. Sou grata ao Japão por me oferecer essas oportunidades únicas. A escalada do Fuji pode não ser “mamão com açúcar”, mas não é extremamente complicada, e a recompensa que recebemos por ela é fenomenal. Recomendo muito essa aventura!



20 de maio de 2013

O que os japoneses comem?

Vocês me respondem sushi e peixe cru. E eu, citando Amy Winehouse, digo “no, no, no”.

O famoso sushi! =P
Mas, afinal, se não é só sushi ou arroz, o que os japoneses comem, né? Eu diria que eles comem de tudo, com as limitações que o solo e o espaço deles oferece. A verdade é que o cardápio japonês é bem variado, além do que nós “meros ocidentais mortais” temos conhecimento.

O arroz é o prato principal do japonês. Sim, carnes e etc. são só acompanhamentos na culinária japonesa. Os chamados okazu, que, ao pé da letra, são alimentos que acompanham o arroz. E, na culinária tradicional japonesa, esses acompanhamentos incluem muitos derivados de soja, como o tofu, o missoshiro (sopa de pasta de soja) ou o nato (que nada mais é do que grãos de soja fermentados, babentos e meio feios de ver, mas muito saudáveis e nem tão ruins assim). Outros acompanhamentos são: algas marinhas de vários tipos, em geral servidas como salada; o delicioso tamagoyaki, que é um tipo de omelete japonês (enroladinho e muito gostoso); algumas carnes, na maior parte das vezes frutos do mar, frango ou porco (lembrando que carne de vaca aqui é ouro); salada de batata; salada de repolho (lembrando que as verduras também não são assim tão acessíveis aqui, mas repolho é barato).

Bento comprado em loja especializada.
Uma “tradição” japonesa para as refeições fora de casa, no trabalho ou na escola, são os famosos Bentos. O Bento é a nossa marmita brasileira, mas um pouco mais organizada (ok, super-mega-ultra mais organizada). Essa versão japonesa de marmita traz basicamente arroz e os acompanhamentos que eu já citei aqui. Algumas podem trazer batatas fritas, macarrão, etc. Os Bentos são geralmente preparados pela própria pessoa (ou pela mamãe da pessoa), para serem levados pra rua, mas supermercados e lojas de conveniência também dão uma maozinha aos despreparados culinariamente, vendendo boas versões de marmitas já prontas. Existem também as lojas especializadas em Bento, que tem cardápios de opções de marmitas e preparam a comida na hora (pra minha alegria, passei o último ano com uma dessas lojas bem em frente de casa; meu coringa pras horas de preguiça).

Para além da “comida caseira” japonesa, existem alguns pratos muito apreciados pelos japoneses. Um dos mais famosos mundialmente é o Lamen ou Ramen. Sim, aquele prato que o Naruto e quase todos os outros personagens de anime adoram comer. O Ramen é famoso no Brasil pela marca Nissin Miojo. No Japão, apesar de vendido nos supermercados, o nosso miojo não vence as várias lojas especializadas em preparar Ramen. O Ramen, aqui, é um prato que possui versões regionais específicas e é, de fato, completamente diferente do nosso miojão de 3 minutos. Sopa, carne, verduras e massa são preparados de forma bem específica para um Ramen de verdade. Confesso que me tornei uma pessoa que aceita a água do miojo depois de aprender que aquilo ali precisa ser, na verdade, uma sopa. E hoje sou uma amante de Ramen também.

Donburi e Ramen, os queridinhos do Japão.
Outro prato muito famoso no Japão é o Donburi. Os nomes de cada tipo de Donburi são terminados em don, que quer dizer “tigela de comida”, o que é engraçado e os pratos acabam ficando com nome parecido com Pokemons e afins. Em uma tigela, adiciona-se arroz e, sobre esse arroz, vão os demais ingredientes, que podem ser: tempura (formando o Tendon), carne refogada com cebola (formando o Gyudon), frango frito (formando o Torikaraagedon) e por aí vai. Os tipos de Donburi são vários e em geral bem gostosos, são meus pratos favoritos aqui. É lógico que não são simplesmente acompanhamentos sobre arroz, tudo envolve um molho próprio pro prato, cebolinha etc. Existem restaurantes especializados em Donburi, que mais parecem, na verdade, um “fast food japonês”, servindo a comida rapidamente para aqueles que precisam só de uma refeição rápida antes de voltar ao trabalho. Um deles é a Sukiya, que já possui uma filial em São Paulo.

Além dos produtos nacionais, os japoneses também apreciam bastante comidas de outros países. As mais famosas são a chinesa (claro), a indiana e a coreana. Os restaurantes chineses servem basicamente o que nós conhecemos aí no Brasil, com a exceção dos dumplins, que não são tão conhecidos assim em terras tupiniquins. Os dumplins parecem pastéis preparados no vapor, ao invés de fritos; eles são uma massa recheada com um tipo de carne ou verduras. Existem tipos variados de dumplin, cada um mais delicioso que o outro, mas o mais famoso no Japão é o Gyoza (uma das minhas coisinhas favoritas nessa vida também). Os restaurantes indianos estão por toda parte e o curry já é parte da alimentação diária do japonês. Trazido pelos navios ingleses, no século 19, o curry indiano foi adaptado ao paladar japonês e passou a acompanhar também o arroz, formando o famoso Kare Raisu. Mas também se pode encontrar o curry indiano tradicional nesses vários restaurantes. A comida coreana é muito conhecida e apreciada no Japão também. Depois de tantos anos colonizando a península coreana, os japoneses tomaram gosto pelos temperos de lá, bem como os coreanos tomaram gosto pela comida japonesa. No Japão podemos encontrar o delicioso churrasco coreano, o kimchi, o bibimbap, o chigue, o chijimi, entre outras coisas. Um dia explico melhor a culinária coreana, mas, em geral, é um conjunto de delícias apimentadas, que eu adoro.

Dumplin chinês, Curry indiano, Pasta italiana
e a nossa amada Picanha brasileira.
Outros tipos de restaurantes também podem ser encontrados aqui, como restaurantes italianos (japoneses ADORAM pasta, apesar de terem um gosto bem específico para o tipo de pasta, e ADORAM a Itália; não sei bem o porquê, mas, sendo italiano, é bom), restaurantes espanhóis (geralmente de Paella; arroz, Japão), restaurantes do tipo americano (servindo hambúrgueres etc.) e até churrascarias do estilo brasileiro, entre outros tipos.

Cada região do Japão também possui seu prato típico, sua especialidade e isso é um tópico muito legal de conversar. No Japão você pode viajar para conhecer locais e também para conhecer sabores. O Okonomiyaki, por exemplo, é um dos pratos típicos da região de Kansai, onde eu moro. Outro prato típico é o Chanppon, de Nagasaki. E isso daria um post inteiro... Depois... Quem sabe... Hehehe!

Na ordem: Okonomiyaki de Kansai e Chanppon de Nagasaki.
De certa forma, a comida no Japão é bem variada. É possível encontrar de tudo, mas, como em qualquer país, a maior parte dessa variedade é adaptada às disponibilidades e características culturais daqui. No Japão, por exemplo, a comida tende a ser menos temperada. E, quando digo menos temperada, quero dizer em todos os sentidos. O salgado tem menos sal, o doce é menos doce e por aí vai. Eu, sinceramente, por não ser muito ligada a doces, prefiro muito os doce japoneses (tirando o doce de feijão, feijão doce não tá certo nem a pau! rs). E acho muito saudável reduzir o consumo de sal.

Uma coisa é certa, está mais do que provado que a alimentação é um dos segredos da longevidade e, no caso do japonês, acredito que essa é a poção da juventude. Em um país onde o fumo e a bebida são comuns (e bastante excessivos), só uma alimentação balanceada para salvar o povo.


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Esse post surgiu de uma ideia da senhora minha genitora, quando conversávamos no Skype. Linda como sempre, enquanto conversávamos sobre comida japonesa, ela me perguntou “Mas, então, o que os japoneses comem?”, e essa foi a deixa pra eu me lembrar que nem todo mundo conhece bem os hábitos alimentares japoneses para além do sushi e o sashimi. Que tal vocês me mandarem mais perguntas/post? O e-mail do blog é coresamoreseafins@gmail.com e a caixa de comentários também está sempre à espera de visitas. rs (^.~)

4 de setembro de 2012

A China “não-China” [parte 2]

No início de agosto, como falei no outro post, fomos nos aventurar nas regiões administrativas especiais do vizinho. Nossa aventura de 4 dias foi conhecer Hong Kong e Macau. Agora chegou a vez de falar um pouquinho sobre nossa ex-colônia irmã, Macau.

Macau

Macau é um lugar interessante, eu diria. Imaginava chegar lá e ver, como no Brasil, mais influência portuguesa, mas confesso que fiquei um pouco decepcionada. A arquitetura portuguesa é indiscutível, as placas têm, todas, informações em cantonês (a língua local) e português, é possível achar montanhas de Pastel de Belém (se você não conhece esse pedacinho de céu, Google it e vai correndo se virar pra achar um pra comer, é divino!) e ainda se vê muitos portugueses por lá. Mas não vá pra Macau esperando usar o português ou interagir com as pessoas ou ver algo tão legal quanto Hong Kong.

Apesar de ter sido colônia portuguesa até 20 de dezembro de 1999, hoje Macau é China (MENOS DE 15 ANOS DEPOIS!). Foi impressionante perceber que o que ficou de forte influência inglesa em Hong Kong não acontece em Macau, com os traços portugueses. Pode-se perceber algo na comida, é possível visitar os locais turísticos com antigas construções coloniais, mas a sensação é muito estranha. Ao mesmo tempo em que via muita semelhança arquitetônica com o Rio, via que as pessoas não tinham nada de influência daquilo. Me senti como se o Rio tivesse sido invadido e dominado pelos chineses, e eles só mantivessem algumas coisas pra usar e ganhar dinheiro com os turistas.

Mas não pense que foi um dia jogado no lixo, porque realmente não foi (apesar do meu momento desabafo acima... hehehe...). Cruzamos o delta do Rio das Pérolas (Zhujiuang) de manhã e chegamos à Macau por volta da hora do almoço. A travessia é super rápida, leva no máximo umas duas horas e é feita numa barca super legal. Logo que chegamos lá, tivemos o primeiro choque com o sistema... O transporte em Macau é meio caótico e ninguém sabe te dar informações em inglês ou é simpático. Então, se você planeja ir pra lá, use um bom guia e prepare-se pra gastar algum tempo lendo mapas e tentando se achar.

O primeiro lugar que visitamos foi o Largo do Senado, um lugar super parecido com o centro do Rio. Calçadão de pedrinhas portuguesas, prédios que me lembraram muito os prédios da Cinelândia (no Rio) e os benditos Pastéis de Belém por todos os lados. Ainda no Largo, nos embrenhamos pela Travessa de S. Domingos, uma vielinha que mais parecia aquelas de Santa Teresa (também no Rio), onde encontramos um restaurante legal e almoçamos comida portuguesa e macaense (juro que tive que pesquisar, achei que fosse ‘macauana’ ou sei lá). A culinária de Macau é muito curiosa, uma mistura deliciosa da culinária chinesa com a portuguesa. Nesse dia, comemos um chan-han (arroz frito ou arroz colorido chinês) com bacalhau, que estava maravilhoso.

Depois do almoço, visitamos a Catedral de Macau, andamos mais pelo centro histórico e subimos uma ladeira super íngreme pra chegar à Fortaleza do Monte, uma construção lindíssima, do século XVI, que hoje abriga o museu de Macau. Depois de sair da fortaleza, visitamos as Ruínas de São Paulo, que são lindas e interessantes, porque se trata da fachada (só a fachada mesmo) da Igreja da Madre de Deus, a única coisa que sobrou do incêndio que atingiu o complexo do Colégio de São Paulo em 1835 (valei-me Wikipédia, porque lá não tinha uma placa de explicação).

Depois das ruínas, visitamos o mercado que fica logo abaixo da escadaria, tomamos suco de fruta de verdade (coisa que não existe no Japão) e fomos visitar o prédio do Clube Militar, que era muito lindo, e a vila de Tai O, um típico vilarejo português, na parte sul de Macau.

O fim da nossa aventura por lá foi visitar os cassinos. Pra quem não sabe, Macau é conhecida como a “Las Vegas da Ásia” e, se você gosta de uma jogatina, vale a pena tentar. Mas acabamos não encontrando uma mesa de pôquer descente pro namorado (tadico) e fomos comer num pé sujo na estação das barcas, pra depois voltar pra Hong Kong.

Macau foi, eu acho, o primeiro lugar que eu saí sem dizer que gostaria de voltar, como vocês devem ter percebido ao longo do post. Mas não me levem a mal, foi a minha impressão estranha. Ainda acho que valeu a pena conhecer e foi uma experiência boa. O que digo a vocês é o seguinte: corram pra Hong Kong, curtam muito, aproveitem o lugar, depois visitem Macau por um dia (não acho que precise mais do que isso), conheçam, comam Pastéis de Belém e viagem por aí, que é sempre delicioso.

15 de agosto de 2012

A China “não-China” [parte 1]

No início do mês, eu e Carlos pegamos as trouxinhas e fomos nos aventurar por Hong Kong e Macau. Nada melhor do que uma viagem pra comemorar dois anos muito bem sucedidos de namoro, né? E foi a melhor escolha, uma das grandes viagens que fizemos desde a vinda pro Japão.

Saímos de Osaka no dia 31 de julho e voltamos no dia 5 de agosto. Durante esse tempo, passamos 3 dias em Hong Kong e um em Macau. Foi nossa primeira vez na China, ou melhor, em algo parecido com a China (hehehe!). Hong Kong e Macau, após um período de, consecutivamente, 100 e 442 anos como colônias européias, são hoje regiões administrativas da China. Macau foi “alugada” pelos portugueses em meados do século XVI, como porto comercial, e devolvida em 1999. Hong Kong, por sua vez, se tornou colônia inglesa em 1898, após a Guerra do Ópio, e foi devolvida cem anos depois, em 1997. Hoje ambas são as regiões administrativas especiais da China, possuindo certa liberdade em relação à “main land” chinesa.

Hong Kong

Hong Kong é um lugar muito legal. Bastante organizado, limpo, com um transporte invejável e com um comércio sempre borbulhante. Tive a impressão de que em Hong Kong as marcas inglesas ficaram com muito mais força do que as portuguesas em Macau.

Algo que realmente nos chocou em Hong Kong (num bom sentido, é claro), foi a receptividade das pessoas. Por três ou quatro vezes, fomos abordados por pessoas que nos viram checando o mapa e vieram oferecer ajuda. Não querendo ser chata e reclamona, mas isso não é o tipo de coisa que vivemos no Japão. Foi algo que achamos diferente e positivo.

No primeiro dia, andamos pelo centro da ilha de Hong Kong, visitamos a torre do Bank of China, a Catedral de S. João, toda a parte histórica,andamos de ‘tram’ (o nosso famoso ‘bonde’ - lá, no estilo inglês, com dois andares), comemos o melhor ‘noodle’ das nossas vidas, visitamos mercados, chegamos ao templo Man Mo, andamos pela Hollywood Road, tomamos um chopp e subimos pro ponto mais alto da cidade, pra ter uma maravilhosa vista noturna da Baía de Vitória.

O segundo dia foi uma agradável surpresa. Não estávamos muito bem organizados, só sabíamos que o objetivo era visitar o Buda Tian Tan. Mas acabamos descobrindo q o Buda não ficava assim tão perto e que havia a possibilidade de fazer um roteiro litorâneo muito bom, na ilha de Lantau (lembrando que a região de Hong Kong possui uma parte continental e outras insulares). No fim, pudemos visitar a vila de Ngong Ping, no alto de uma montanha, onde fica o Buda e o Monastério dos Mil Budas. Visitamos a aldeia de pescadores de Tai O, toda de palafitas, peixes secos, comida maravilhosa e coisas legais. Fizemos um assustador passeio de barco e ainda voltamos pro centro de Hong Kong a tempo de pegar a barca e ter uma bela vista noturna, dessa vez de dentro da Baía de Vitória.

Após nossa ida a Macau, por um dia, o último dia em Hong Kong foi uma mistura de compras, muitas compras, comida chinesa maravilhosa e mais andança. Andamos tanto durante essa viagem, que voltamos com as pernas malhadas e o corpo doendo. No último dia, depois de visitar vários mercados, não agüentávamos mais nada e partimos pro aeroporto, pra esperar lá pelo vôo e aproveitar nossa última refeição local.

O mais interessante em Hong Kong foi ver o quanto há um esforço de se diferenciar da China. Pareceu pra mim que todos os estereótipos de chineses são rejeitados pela população de lá e há a necessidade de mostrar a quem quer que seja que ‘Hong Kong não é China’. O mesmo que foi repetido para nós, antes e depois da viagem. E essa diferença, nós percebemos ao chegar em Macau, que, hoje em dia, é muito mais China do que Portugal.

No próximo post, conto pra vocês como foi visitar nossa ‘colônia-irmã’, Macau.

2 de julho de 2012

New York, New York!

Que semana, senhores! Que semana! No dia 3 de junho, embarquei para Nova Iorque. Fui fazer um curso intensivo sobre o sistema da ONU, o que faz parte da minha pesquisa agora e parte da minha paixão na vida. Foi uma viagem de ida MEGA COMPLEXA, com direito a avião com pane, atraso de 4 horas, mala quebrada e confusão com o táxi, mas cheguei sã e salva. O difícil foi querer sair de lá...

Na chegada a NY, peguei um táxi do aeroporto, mas, por confusão minha, fui só até a estação de trem, pois iria gastar US$130 se quisesse ir ao campus. O taxista foi muito legal e me deu um monte de dicas fantásticas enquanto eu olhava pela janela do carro a ilha de Manhattan, encantada... Que cidade bonita! E louca! E cheia de gente! E organizada na sua bagunça.

A cidade de NY fica na região nordeste dos EUA e é dividida em uma parte continental e a ilha de Manhattan. Durante todo o meu tempo lá, estive em Manhattan. Minha cidade dormitório foi a vila de South Orange, em New Jersey. Uma linda cidadezinha, onde fica a Universidade Seton Hall, que ofereceu meu curso.

Por ser um curso intensivo, era mesmo muito difícil ter tempo suficiente pra conhecer a cidade inteira. Tínhamos palestras durante todo o dia e somente as noites ficavam livres. Mas procurei aproveitar cada minutinho livre para andar e absorver o máximo que pudesse de tudo aquilo.

NY é uma cidade bastante curiosa. É impressionante como um lugar pode ser tão imensamente cosmopolita! Perdi a conta das várias línguas e dos vários costumes que vi e ouvi pelas ruas. Não só perto do quartel-general da ONU, onde obviamente tudo era um milhão de vezes mais diversificado, mas em todos os cantos de Manhattan (não tive a oportunidade de me embrenhar pela parte continental de NY). Foi a primeira vez, fora do meu país, que me senti incluída, me identifiquei com um lugar e pude me ver vivendo lá. Os programas de TV que eu assisto, na maior parte seriados, estavam anunciados nos outdoors, a música era a mesma que eu escuto e a comida, procurando MUITO BEM, até que era gostosa. Me senti em casa. Tudo era tão diferente do Japão...

Visitei a ponte do Brooklyn, andei várias vezes por Times Square, fui a um espetáculo da Broadway (sonho realizado), vi a ‘grande maçã’ de cima do Empire State Building, comi um Wendy’s (haja colesterol), visitei a catedral de St. Patrick, fui ao Rockfeller Center, tirei quase 400 fotos, comprei coisinhas com o clichê ‘I ♥ NY’... E amei, amei muito essa cidade.

Assisti ‘Marry Poppins’, em cartaz no Amsterdam Theater e fiquei boquiaberta com a qualidade da produção, o elemento mágico da peça e como a Broadway é realmente maravilhosa. Meu amor por musicais foi multiplicado por 500 mil. Estive também no Grand Central Terminal, lembrei de todos os milhares de filmes que vi com aquele lugar (sim, incluindo Madagascar... hahaha!) e percebi que nenhum deles fez jus à beleza daquele prédio. Entrei no Chrysler Building crente que estava no Empire State, paguei mico com os amigos, mas vi o quanto aquele prédio é fantástico por dentro e por fora. O Empire State que me perdoe, mas o Chrysler é bem mais bonito. Num dos meus passeios solitários – coisa que adoro fazer quando viajo –, passei pelo Bryant Park e achei o lugar mais fofo e tranqüilo, mesmo estando a um quarteirão da sempre fervente Times Square. Achei mesmo que NY é uma cidade grande, movimentada e barulhenta, mas ao mesmo tempo acolhedora e agradável. Um lugar apaixonante.

O curso foi muito maravilhoso para a minha pesquisa e para o que planejo pra minha vida. Além de ter aprendido muito, minha paixão por tudo aquilo só cresceu. Eu pude ver as entranhas da organização que é meu sonho desde criança, eu entrei no prédio, eu ouvi membros do secretariado falando sobre o que é ser uma partezinha da ONU. Meu coração quase transbordou pelos meus olhos na primeira vez que vi aquelas bandeirinhas ao vento. Foi aquela famosa sensação de “isso existe mesmo, é de verdade”. E foi maravilhoso estar lá dentro, assistir uma reunião do Conselho de Segurança, andar pelo lobby, gastar uma fortuna na livraria e sonhar mais e mais com o dia em que voltarei praquele prédio. E eu vou voltar, eu sei, eu quero.

25 de fevereiro de 2012

Desfecho Épico

Akeome! [de ‘Akemashite omedetou’, a versão japonesa do bom e velho ‘Feliz Ano Novo’] Não escrevo no blog desde o ano passado, que loucura! Tá, ok, piadinhas fail por toda parte... 2012 tá aí e seja o que Deus quiser; esperando, é claro, que os Maias não estivessem certos.

Tenho me recuperado, nos últimos tempos, de um fim de ano tão maravilhoso e cheio de acontecimentos que não sei nem por onde começar... Ou melhor, sei, mas não sei dar continuidade... Enfim! Meu irmão veio pro Japão e eu tive os melhores 15 dias dos últimos meses.

O ‘moleque’ chegou dia 20 de dezembro e começaram minhas andanças por esse Japão. Ser anfitriã é assim, né gente? Tem que mostrar tudo bonitinho, ainda mais pro menino que é alucinado por Japão. Eu e Júlio sempre tivemos muitas coisas em comum, principalmente os gostos; gostamos de estilos de música parecidos, gostamos de história, gostamos de viajar e gostamos de cultura oriental. E nada melhor do que começar nossas mil viagens por Kyoto.

Antes disso, ainda no dia 20, almoçamos um ramen de verdade e fomos a um não tão tradicional, porém famoso, kaitenzushi. Sabe aquele restaurante de sushi onde os pratinhos ficam passando numa esteira? Então... E esse ainda tem o plus de ter um joguinho a cada 5 pratos acumulados. O Júlio fez o favor de ganhar DUAS VEZES! Quando eu, que moro do lado do estabelecimento, NUNCA ganhei. Mas beleza...

Kyoto é a cidade que todo turista quer ver no Japão. Ponto. Tudo aquilo que você imagina, de samurais e pessoas de kimono pra tudo quanto é lado, tá lá. Templos milenares, casas tradicionais, castelos... HISTÓRIA. E assim foi, visitamos os templos mais badalados, como o Kiyomizudera e Inari, e chegamos até a ver geishas [falsas, mas vale pra ilustração]. E assim foi também nosso segundo dia de andanças, dessa vez em Nara e com direito a Buda gigante, veadinhos por todo lado, palácio de 1300 anos e um delicioso kare [de curry] como almoço.

Os dias seguintes foram mais tranqüilos e menos históricos. Passeamos por Kobe, a cidade do meu coração no Japão, visitamos o guardião [Tetsujin-28], o porto, Chinatown e voltamos pra casa. O dia seguinte já era véspera de Natal e o rapazinho me ajudou a limpar a casa e organizar tudo. Foi um Natal lindo, divertido e especial. Ganhei uma Polaroid clássica do namorado que foi um presente f*#$. No dia 25, andamos por Osaka, visitamos o castelo e nos preparamos para mais uma semana de viagens.

A segunda pós-Natal foi a mais épica e, talvez, a viagem mais marcante pro Júlio e, confesso, pra mim também foi uma agradável surpresa. Fomos pra cidade de Mimasaka, na província de Okayama. Não, ninguém conhece esse lugar... Até checar na nossa amiga Wiki, o nome antigo do lugar e suas conexões históricas. Mimasaka nada mais é do que a cidade natal de Miyamoto Musashi, um dos mais famosos samurais da história do Japão. Visitamos o museu, a casa onde ele nasceu, o templo dedicado ao cara e até o túmulo dele. Isso tudo debaixo de uma nevasca fenomenal, que rendeu fotos muito legais! A primeira neve da vida, na cidade do ídolo mor, foi tipo uma conjunção de orgasmos múltiplos e coloridos, como diria Carol.

O dia seguinte também foi muito legal e rendeu experiências fantásticas. Fomos à cidade dos ninjas, Iga-Ueno, na província de Mie. Visitamos uma casa de ninjas original, com todas aquelas passagens secretas e alçapões. Fomos a dois museus ninjas, contando toda a história e etc. Depois passamos pelo castelo e voltamos pra Osaka, pra comer um tradicional e delicioso Okonomiyaki [prato típico daqui e nova paixão do um irmão]; e esse ainda era de várzea, num restaurantezinho minúsculo e super delícia [vantagem pra quem tem guia ‘residente’].

O dia seguinte foi mais ‘grupal’. Juntamos a galera e fomos pro castelo de Himeji. Atualmente o castelo está passando por uma restauração, mas descobri uma tal visita à obra e lá fomos nós bisbilhotar o ‘trabalho de chinês’ de restaurar todo o telhado de um dos poucos castelos ainda originais do Japão. A visita ainda rendeu andanças pela enorme área do castelo, inclusive as muralhas. Depois partimos pra um almoço mais tradicional e delicioso. O dia seguinte guardava 8 horas de viagem de trem normal até Tokyo, com o bom e velho 18 kippu voltando a ser citado nesse blog; cansativa, mas com direito a ver de perto o Mt. Fuji lindíssimo.

Tokyo, como sempre, estava exuberante, agitada e cheia de novidades. Visitamos a Torre de Tokyo, Roppongi, o famoso templo Yasukuni [meu favorito, por razões profissionais], Shinjuku, Ginza, Harajuku, o templo Meiji, o parque Yoyogi [com lindas pinturas no chão da entrada! *-*], Shibuya, Asakusa, Okubo [e sua ‘Korea Town’, onde tivemos um jantar delicioso].

O marco da nossa viagem pra Tokyo, além de eu e Carol, gripadas e vencendo a gripe apenas com nossos sistemas imunológicos bem estabelecidos, foi a virada do ano. Fomos pra Shibuya, encontrar um enorme grupo de estrangeiros, que estavam com nossa menina Jams [garota carioca, suingue sangue bom], num restaurante com karaokê. Mais tarde também fomos contemplados com a presença de nossa menina Tatá [também garota carioca, suingue sangue bom]. A virada foi uma loucura. Sim, no Japão às vezes [muito raramente] isso acontece, ok? Shibuya é o lugar do cruzamento mais famoso do mundo. Conhecem? [Nop? Google it!] Pois então... Perto da virada, com todos devidamente bêbados e entretidos depois do karaokê, fomos pro cruzamento. Os telões da contagem foram apagados, pra evitar confusão [sim, isso é Japão], a polícia estava alucinada e ficamos lá, acompanhando a chegada do ano, cada um em seu próprio relógio. O ano novo veio e a forma de comemorar, além do clássico “Feliz Ano Novo”, foi ficar cruzando a rua sempre que o sinal abria, com pulinhos, gritos e no meio de uma multidão. Júlio e Carlos viraram melhores amigos de infância e best friends forever. Foi hilário e eu confesso que também atravessei a rua umas duas vezes. Hahaha!

A volta pra casa nos deu a deixa pra uma passada rápida em Kamakura, onde visitamos o Buda gigante e foi muito legal também, porque conseguimos entrar na estátua. Isso aí, penetramos o Budão. O maninho também teve seus momentos, comprou incenso, etc etc. E, mesmo depois de mortos de cansaço com a viagem de volta, ainda tivemos a cerimônia de soroban [aquela que eu já citei aqui]. Estávamos cansados, mais foi muito legal e ainda fizemos um monte de coisas tradicionais, como o shodo de ano novo, chamado Kakizome [a primeira escrita do ano].

Triste foi me despedir, viu? Ainda mais depois de um período de viagens, “aventuras”, diversão, papos só nossos e amizade, como foi esse. Estava mesmo sentindo falta disso, de ter um dos meus pimpolhos por perto e poder me sentir realmente em casa. Obrigada por ter vindo, Rolha, e por me mostrar que não importa a distância, não importa o que aconteça, amizade e família são pra sempre. Espero que esse período aqui tenha também sido uma oportunidade de você se divertir, conhecer novas pessoas, fazer novas amizades e abrir os olhos pra quanta coisa esse mundo ainda tem pra te mostrar. Te amo, meu irmão!

11 de outubro de 2011

[Japan Tent] Kanazawa & Nanao

A 2a grande aventura das minhas férias, ou melhor, a 3a... Porque, no meio desse tanto de viagem e exploração, parei um fim de semana em Osaka pro Summer Sonic, um festival de rock que já fiz carteirinha e vou todo ano. Mas isso fica pra um outro post. Voltando ao assunto, a 3a grande aventura das minhas férias foi o Japan Tent.

O Japan Tent é um evento organizado pelo governo da província de Ishikawa, pouco conhecida pelos estrangeiros e até mesmo pelos próprios japoneses, com o propósito de mostrar aos estudantes estrangeiros no Japão um pouco da cultura tradicional do país, além de apresentar a região. É um tipo de intercâmbio cultural, onde os estrangeiros são divididos em grupos e enviados, primeiramente, a uma cidade do interior da província por três noites e, depois, passam o resto da semana na capital, Kanazawa. Durante esse período, os estudantes estrangeiros ficam ‘alojados’ em casas de família, vivendo o dia-a-dia japonês, estudando da maneira mais proveitosa a língua [que é conversar com os japoneses] e aprendendo mais sobre o Japão. Foi minha 1a experiência com as famosas ‘host families’ japonesas e confesso que foi muito melhor do que imaginava ou fiquei sabendo através de amigos com experiências ruins nas ‘host famílias’ [como passei a chamar] deles.

Minha 1a parada em Ishikawa, depois de toda a OBRIGATÓRIA e DESNECESSÁRIA orientação, foi Nanao. E o 1o pensamento foi: ‘Fuuuu!’. Nanao é uma cidade BASTANTE pequena. Sabe aquelas cidades do interior onde todo mundo se conhece e qualquer coisinha vira o maior evento do mundo? Sim, Nanao. Quando chegamos, já imaginei uma família muito tradicional, de velhinhos ‘kibishi’ [=rigorosos] japoneses, que iam me transformar em um robô. Hahaha! Mas Nanao foi uma agradável surpresa. Cada cidade que recebia um grupo de estudantes tinha sua programação especial para acolhê-los, escolhia as melhores famílias e nos recebia de forma calorosa.

Minha ‘host família’ lá foram os Aoki, uma família de duas pessoas, ‘papi’ e ‘mami’ [não, não conseguia chamá-los de nada além de Aoki-san... sei lá, tenho mãe, sabe...? hahaha!], que trabalhavam na prefeitura, conheciam a cidade inteira e eram bastante providos de meios, vamos dizer assim. Os Aoki moravam numa linda casa tradicional, gigantesca pros padrões japoneses, com 2 andares, vários quartos e até um jardinzinho de inverno. Era realmente linda e eu fiquei encantada. A casa ficava num bairro ainda mais afastado do centro, onde realmente era a ‘roça’. Hehehehe! Aliás, fenomenal a quantidade de arroz que esse povo planta aqui! Jesus! Hehehehe!

Em Nanao, visitamos os pontos mais turísticos da cidade, vimos golfinhos nadando felizes no mar, fomos ao aquário e vimos os que não tiveram tanta sorte na vida, fizemos churrasco [japonês, ok? Nada de picanha, mas muita abóbora, frango e carna vermelha com gordura...], pescamos [eu só alimentei peixes e acho q eles adoraram comer camarão], etc. Tudo isso acompanhados pela TV local. Sim, fomos celebridades em Nanao durante todos os dias. E, quando passamos o dia com nossas ‘host famílias’, elas nos levaram pra conhecer lugares muito legais também. A minha, especialmente, foi muito legal, passeou comigo e com a minha ‘host irmã’ chinesa, nos levando pra lugares fantásticos. Só pra dar uma idéia, almoçamos em um templo, num dos restaurantes mais bonitinhos que eu já vi. Além de que, quando ‘em casa’, fazíamos as melhores refeições ever! Voltei 20 mil kg mais gorda dessa viagem.

O ruim mesmo são as despedidas... Logo quando estava me acostumando com a comidinha caseira de Nanao, fizemos as malas e voltamos pra cidade grande. Dessa vez pra conhecer nossas ‘host famílias’ no. 2 e passar o resto dos dias que nos restavam no programa de Kanazawa. Mesmo dentro de Kanazawa, ainda estávamos separados por áreas e tivemos programas diferenciados [o que me deixou meio assim, porque queria ter aula de Kyudo e não pude]. Mas, na cidade do ouro [fama de Kanazawa], nos diverimos muito; até ‘hashi’ foleado a ‘host família’ nos levou pra fazer.

Na capital, fiquei no distrito de Nonoichi-machi, uma cidade que se separou de Kanazawa há bem pouco tempo e ainda é pequenininha e nova. Em Nonoichi, minha ‘host família’ foram os Ito, dessa vez [sem menosprezar os Aoki] uma família com o tamanho que eu gosto, ou quase ele. Os Ito eram 4: ‘mami’, ‘papi’, Ren-kun (6) e Kan-chan (2). Fiquei imensamente feliz de ter crianças na família! Finalmente ia poder brincar com alguém da mesma idade mental! Hehehe! Jogamos muito vídeo game, brincamos de luta, brincamos de procurar cidades no mapa, fiz cosquinha, fingi de morta... Olha! Foi meu parque de diversões. E pude treinar mais meu japonês, porque em Nanao acabei ficando com uma menina já fluente, o que me deixou meio travada, mas em Nonoichi eu era a que mais falava [não sei como], e dava espaço pra minha ‘host irmã’ indonésia treinar bastante também, então acho que foi mais proveitoso.

Dentro do programa da cidade tivemos poucas atividades. Primeiro fomos a um sítio arqueológico, aprendemos um pouco sobre os japoneses primitivos e fizemos nossas próprias ‘tama-dama’, uma pedra polida que esses povos primitivos usavam para proteção. Também tivemos uma festa de boas-vindas muito boa. No mesmo dia do sítio, minha ‘host família’ teve um compromisso e fomos obrigadas a roubar a ‘host família’ de outras duas meninas, ou melhor, nos juntar a eles. E foi muito legal! Tirando o fato que era uma família mais velha e eles convidaram várias velhinhas japonesas que nem sempre fazem comentários simpáticos, foi FENOMENAL! Tivemos um banquete de almoço, fizemos origami, cantamos em japonês, vestimos ‘yukata’ [=kimono de verão] e... TIVEMOS UMA AULA DE ‘SHAMISEN’! Vocês sabem o que é um ‘shamisen’? Please Google it! Sério, gente! Agora! Porque vocês precisam saber. A ‘host mamãe’ chamou uma professora que devia ter 160 anos pra dar aula pra gente e foi muito lindo. Uma experiência que eu nunca mais vou ter na vida. Mais tradicional que isso, só depois que inventarem a máquina do tempo...

No último dia em Kanazawa, passeamos com nossas ‘host famílias’, tivemos evento e fui escolhida como uma das embaixadoras do Japan Tent. É como se fosse uma representante do evento quando eles precisarem de algo relativo ao Brasil. Legal, né? Me senti até importante. Hehehe! E, no fim desse evento, rolou uma super festa com barraquinhas com comidas de vários lugares do mundo! Uma delícia! Comi um churrasquinho maravilhoso...

O dia seguinte foi dia de despedidas, de novo, chorei muito me despedindo dos meus pimpolhos e da ‘okaa-san’ [lá chamávamos de ‘okaa-san’ e ‘otou-san’ mesmo, por causa das crianças]. Ela também chorou muito, foi bonitinho. As crianças também não queriam nos largar. Acabei me ligando muito a eles e pretendo manter contato sim. Já até telefonei pra lá um dia desses... Hehehe! E, segundo eles próprios, ano que vem recebo visita e vou ter que acompanhar certos pimpolhos ao Universal Studios. Hehehehe! E vou com muito prazer.

O Japan Tent foi uma experiência maravilhosa de aprendizado, convivência, linguagem, além de ter sido bom, depois de um tempão longe de convivência familiar, ter tido ‘irmãos mais novos’ e ‘pais’ por perto. Já fica super recomendado pra quem um dia quiser vir estudar no Japão.

21 de setembro de 2011

Nagasaki

Férias são o período mágico de descanso e relaxamento, onde as pessoas tiram folga do trabalho ou dos estudos, para viver um pouco ou só para dormir. Pena do corpo dessa pessoa que vos escreve, porque ele nunca descansa, mas sempre vive. (rs) Sim, sou dessas. Hiperativa toda a existência, não consigo ficcar mais de 2 dias sem fazer nada em casa. Os últimos (quase completos) 2 meses foram as minhas férias de verão e posso encher a boca pra dizer que VIAJEI E CONHECI MUITO. Então preparem-se para uma série de posts do “Por onde andei”...

Minha primeira parada foi a província de Nagasaki, ao sul do Japão. Seria extremo sul, se não fosse por Okinawa, mas é bem lá na pontinha, na ilha de Kyushu. Peguei meu espírito aventureiro, fiz reserva no hostel mais fofo da terra (Kagamiya), comprei um 18 kippu e fui de TREM NORMAL até lá. No Brasil chamaríamos a província de Nagasaki de roça, porque é mesmo isso aí. Plantações de arroz sem fim, cidades minúsculas e muita beleza natural. A capital, maior e mais famosa (por motivos não tão alegres), é um pouco maior e mais cheia de coisas pra fazer. Um lugar muito bonito, cheio de história e que eu passei a amar.
Nagasaki tem 447.419 habitantes e recebeu o estatudo de cidade antes de 1500, deixando o Brasil com a cara na poeira. (rs) O legal de Nagasaki não é só conhecer os locais marcados pela bomba (fato q deixou a cidade mundialmente conhecida), ela vai além... Talvez seja isso que faz da cidade tão diferente do q é Hiroshima, apesar de possuir também os famosos ‘street cars’. Primeiramente, é bom lembrar que Nagasaki não foi completamente destruída pela bomba, por ser cercada de montanhas; sendo assim, grande parte da história anterior a isso foi conservada.
Meu roteiro tentou cobrir o máximo de locais possível no tempo que eu tinha, já que gastei um dia inteiro pra ir e outro pra voltar. O primeiro lugar que visitei foi ‘Glover Garden’, um jardim com casas tipicamente ocidentais, construído por holandeses que viviam em Nagasaki nos séculos XVI e XVII. Não é muito animador visitar lugares de estilo comum para nós, mas é bonito e tem uma bela vista para a cidade. Saindo de lá passei na Oura Church, uma igreja católica que fica próxima ao outro parque e, por dentro, parece uma igrejinha barroca do interior de Minas. Foi a primeira vez que entrei numa igreja aqui no Japão.
O lugar que mais me facinou no primeiro dia foi, sem dúvida, o Templo Confucionista de Nagasaki. Que lugar fantástico e estupidamente lindo. Uma mistura do vermelho com as cores típicas de templos chineses, as estátuas de sábios... O Museu de História Chinesa, que também fica no mesmo lugar, não ficava pra trás e eu fiquei louca por ter visto pela primeira vez um Guerreiro de Terracota ao vivo. Eles são muito perfeitos, de tamanho real e tem até seus cavalos (tbm em tamanho real). Lindos, lindos.
Depois encontrei, do nada, uns amigos na rua (sim, sabia que eles estavam lá; não, não tinha combinado nada além do jantar) e fomos visitar mais locais. Um foi a Ponte Óculos, que tem esse nome por motivos visualmente óbvios. Outro foi Dejima. Dejima foi uma ilha artificial, construída na baía de Nagasaki no século XVI para ser um entreposto comercial entre o Japão e o exterior. A ilha era um lugar onde viviam somente os letrados, trabalhando sob comando de um capitão holandês. Em Dejima, fui abduzida por um senhor vestido de samurai que me deu uma verdadeira aula de história sobre o lugar. Foi fantástico.
Mas o dia seguinte foi aquele que mexe com a historiadora. Dia de Cerimônia da Paz, lembrando aquele trágico 9 de agosto. Depois de enfrentar uma verdadeira tempestade pra chegar no lugar, pude ver de perto e marcar na minha vida mais um dos meus ‘momentos’. Em Nagasaki a cerimônia é mais longa e existe uma inclusão de nomes de vítimas a cada ano. Mais uma vez presenciei a primeira aparição de um representante norte-americano em cerimônia da bomba, dessa vez lá. No lugar dos sinos e da música triste de Hiroshima, soa a marcante sirene de alerta de bombardeio e o som é de cortar o coração. O Parque da Paz de Nagasaki apresenta, também, estátuas doadas por diversos países em forma de homenagem e pedido de paz. O museu, apesar de menor se comparado ao de Hiroshima, é igualmente traumatizante e um soco no estômago da sociedade violenta que construímos.
Outro lugar marcante, além obviamente do epicentro da bomba, é a Catedral de Urakami, que foi completamente destruída pela explosão e reconstruída anos depois. A catedral mantém do lado de fora imagens multiladas pela bomba, como lembrança da destruíção que sofreu, além de apresentar a imagem ‘Bomb Mary’, que é a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora, da qual apenas os olhos foram arrancados pela explosão.
Nagasaki é uma mistura de um passado mais antigo, com um passado recente marcante. Uma cidade linda, com pessoas amáveis e comida deliciosa. Lá é tradicional o ‘Castela’, que nada mais é do que o nosso bolo fofinho aí no Brasil. Outos pratos tradicionais são ‘Sara Udon’ e ‘Chanpon’, que misturam massas e frutos do mar. Se pretendo voltar algum dia? Com certeza!
O último dia em Kyushu foi passado, em grande parte, na cidade de Shimabara. Um lugar bonito, litorâneo, com aquelas praias vulcânicas bem cinzas, bastante plantação de arroz, pontos turísticos minúsculos e nada para se fazer... Essa foi a parte decepcionante da viagem. Por isso nem vou me estender muito nisso...

Depois de Kyushu, voltei a Osaka e parti para outra aventura. Mas isso fica pra um próximo post, senão fica muito longo e vocês não vão ler nada... Hahaha!