26 de outubro de 2012

Omelete-pizza

Em uma coisa acho que todos concordam...

E se essa pizza for super fácil de fazer, diferente e ficar deliciosa? Melhor ainda!!! Essa receita foi inventada, inventada mesmo, pela senhora minha genitora, mas eu dei umas adaptadas pra tudo acabar em pizza. O segredo da base de tudo é a nossa amiga omelete. Mamãe gosta de fazer omelete aberto, misturando todos os ingredientes com os ovos batidos e jogando na frigideira. Fica uma delícia, sempre adorei quando ela fazia isso lá em casa. Aqui no Japão, resolvi dar uma repaginada na coisa...

Você vai precisar de:

- 4 ovos;
- Parmesão ralado;
- 1 dente de alho picado;
- ½ cebola (cortada em cubinhos);
- a carne de sua preferência (também cortada em cubinhos);
- mussarela ralada (eu uso o queijo que tiver, né? rs);
- orégano e pimenta do reino a gosto.

Primeiro bata os ovos com a quantidade de parmesão que você considerar justa, misture o alho picado e coloque em uma frigideira média. Espere o ovo cozinhar um pouquinho e adicione a cebola picada. Espere mais um pouquinho a omelete ficar mais durinha e adicione a carne, o queijo, o orégano e a pimenta. Tampe a panela e espere o queijo derreter delícia e o meio da omelete cozinhar. E lembre-se de fazer tudo isso no fogo mais baixo, ok? Ou então teremos uma omelete-pizza-carvão bem bacana.

O legal dessa Omelete-pizza é que a omelete faz o papel da massa e a ‘cobertura’ pode ser do jeito que você quiser. Eu usei kani, queijo e cebola. Mas nada te impede de fazer uma Calabresa (fritando a lingüiça calabresa antes, lógico), uma Margherita (mandando ver no tomate e no manjericão) ou uma de pepperoni. Nada te impede também de esperar mais um pouquinho o ovo cozinhar e colocar um molho de tomate antes do resto da ‘cobertura’.

O legal também é o tempo que leva pra preparar isso. Nada daquele tempão preparando massa e tudo mais. Em uns 15 minutos, tá pronto. É perfeito pra um lanche da noite.

Vai ficar gostoso! Pode acreditar! Essa receita também tem o selo de aprovação do senhor namorado. rs

20 de outubro de 2012

IRASHAIMASE!!!!!!!

Muitos de vocês já viram essa cena, da série “The Big Bang Theory”:



Uma coisa é certa, depois de viver no Japão, o mundo se torna mais barulhento e silencioso, ao mesmo tempo. Hoje vou contar pra vocês como é a vida diária no Japão, quando o assunto é barulho.

Algo engraçado sobre esse país são os extremos. No Japão, o oito e o oitenta estão tão próximos, que se esbarram. Como diz Amelie Nothomb, escritora de uma das mais perfeitas obras no que diz respeito à compreensão de “mente e sociedade japonesas” - o livro “Medo e Submissão”, você pode ser o quão 'freaky' você desejar no Japão, mas dentro de um padrão japonês das coisas. E nem ouse pensar em desrespeitar as regras dessa sociedade (somente no caso de você não ser um japonês, claro). Fazer aqueles tipos de coisa extremamente irritantes que só bêbados fazem (tipo gritar vomitar ou encher o saco dos outros) é muito normal, mas falar no telefone, no trem, não pode. Às vezes fico tão confusa, que não sei dizer se a maluca sou eu ou se as regras aqui são realmente o oposto de tudo que mamãe me ensinou. Mas a gente vai aprendendo que estar longe de casa é também estar na terra dos outros, na cultura dos outros e tendo que aturar os outros.

O silêncio e a falta dele têm um limite muito tênue, no meio de todas essas regras.

Num país onde desastres naturais são mais comuns do que colheitas bem sucedidas, as construções são, obviamente, feitas do material mais leve possível, impedindo soterramentos mortais ou sendo mais maleáveis em casos de tremores. Isso é muito aceitável do ponto de vista de SOBREvivência, mas extremamente desagradável do ponto de vista de CONvivência. Não espere por privacidade em um apartamento japonês, até seu ronco pode ser ouvido através das paredes (sim, eu já ouvi o ronco do vizinho). E não pense que a compreensão de uma estrutura mais leve torna seus 'barulhinhos' perdoáveis para os implacáveis vizinhos nipônicos. As reclamações vão ser mais constantes do que você imagina, ainda mais se você é um 'baka gaijin' ('estrangeiro idiota'), que indiscutivelmente nunca vai entender a forma correta de se viver no Japão. Use chinelos, porque posso ouvir seus passos, ou ponha um tapete na sua casa, pra abafar o som das suas terríveis idas à geladeira ou ao banheiro. Instrumentos musicais? NUNCA! Animais de estimação? Talvez peixes. Amigos visitando? Ensine-os bons modos.

Outras regras rígidas sobre barulho tem a ver, principalmente, com celulares. Nunca entendi muito bem a diferença de uma conversa com um amigo pessoalmente e uma conversa por telefone no Japão. Acompanhado de um amigo, é claro que se pode conversar dentro de um trem. Mas nem pense em atender ao telefone na mesma situação. Já vi situações embaraçosas, onde idosos deram boas “carraspanas” em alguns jovens, por estarem falando no telefone. Preferi aceitar, na minha cabeça, que é muito chato ouvir uma conversa unilateral, os japoneses gostam mesmo de ouvir o pacote completo. Hahaha!

O oposto de tudo isso também está em cada esquina do país.

Não pense que a cena do Sheldon é invenção da TV! Sim, os japoneses têm o costume de receber clientes, em restaurantes ou lojas de qualquer tipo, gritando e mostrando entusiasmo. Eles têm a intenção, na realidade, de mostrar ao cliente que ele é bem vindo ou que pode voltar sempre ou que todos são muito agradecidos pela preferência. É também costume das lojas usarem musiquinhas e barulhinhos sonoros, sempre que possível.

‘Irashaimase’ (‘seja bem vindo’), é o mantra no momento de entrada na loja ou sempre que um funcionário passa por você. É claro que existem as variações, de acordo com o grau de formalidade, mas o basicão é o ‘irashai’. ‘Arigatou gozaimasu! Mata okoushikudasaimase!’ (‘Muito obrigado! Até a próxima!’) é a calorosa despedida, nos mostrando o quão acolhedora e grata é a loja e o quanto nós somos esperados novamente.

Cortesias à parte, é extremamente desagradável comer, fazer compras ou qualquer outra coisa com esses gritos. Imagine em uma loja muito movimentada, quantas vezes a cada 5 minutos somos obrigados a ouvir isso? Às vezes chega a ser desesperador, dependendo da vozinha que a vendedora escolher fazer (o que também é muito comum entre as mulheres japonesas, fazer vozes ‘kawaii’ para se mostrarem bonitinhas).

Pachinkos, os famosos caça-níqueis japoneses, são portões do inferno pra aqueles que preferem um pouco mais de sossego. Passar na calçada de um desses “centros de lazer” nos leva a pensar em quanto tempo seria possível sobreviver dentro de um lugar como aquele e como as pessoas conseguem, às vezes, passar dias inteiros dentro daqueles lugares.

O resumo da ópera é: ao vir para o Japão, lembre-se sempre que andar dentro do seu próprio apartamento pode ser um incômodo mortal para o seu vizinho, mas, se gritarem no seu ouvido no meio do jantar, é só gentileza.

E, depois de 2 anos e meio aqui, passei a falar baixo demais pra padrões brasileiros, praticar a arte de andar em ovos sem quebrá-los sempre que estou dentro de casa e estranhar a falta de gritos quando entro ou saio do McDonald’s (ou qualquer outro restaurante) fora do Japão.

10 de outubro de 2012

Temaki

Isso ae mesmo! Hoje vamos falar sobre aquela delicinha que, já há alguns anos, você pode comprar em qualquer esquina do Brasil – o famoso temaki. O único problema de comprar o temaki no Brasil é a ‘bagatela’ (puff!) que cobram por qualquer tipo de comida japonesa na nossa terra tupiniquim, né? Outro dia ouvi de uma amiga que um potinho pequeno de conserva de gengibre custa R$5 numa famosa rede de ‘temakerias’ do Rio. Credo, né gente? Vamos fazer em casa, que é mais barato, gostoso e leva o ingrediente que a gente quiser.

O temaki é, tradicionalmente, um rolinho japonês. Existem milhares de tipos de sushi; alguns deles nem são originários do Japão, são mesmo invenções nossas aí no ocidente, como o famoso e delicioso ‘Hot Filadélfia’ (meu favorito). Por incrível que possa parecer, o temaki, como nós conhecemos no Brasil e no resto do mundo, não é tão famoso no Japão. Confesso que é complicado encontrar um restaurante ou bar que venda os ‘beneditos’ por aqui.

Os japoneses gostam mais do makizushi, que é um rolinho japonês fechado, não em forma de cone. Vocês podem achar que nunca viram mais gordo, mas comeram várias e várias vezes, só que cortadinho. E eu, por sorte, achei um brinquedinho aqui que ajuda muito a fazer makizushis deliciosos...

Quem sabe os amigos não se dão bem e comem alguns lá em casa, quando eu voltar pro Brasil, né? rs

Mas, voltando ao temaki... Parece doideira, mas é uma das coisas mais fáceis de fazer NA VIDA! Aprendi com uma das minhas queridas professoras de japonês, quando visitei sua casa, há uns 4 anos (Deus, o tempo voa... O.O).

Você vai precisar de:

- Arroz japonês (nunca tentei com outro e aconselho que seja o japonês mesmo, porque precisa ser empapadinho, o Momiji é famoso e barato no Brasil);
- Nori (alga japonesa, vendida em lojas especializadas e em alguns supermercados, o Extra, por exemplo);
- Recheios (eu uso: maionese japonesa, pepino cortado em tirinhas, kani, atum enlatado, milho, salmão cru, cream cheese, etc.)

Semana passada fiz uma ”Noite de temaki” lá em casa, com o namorado, e preparei um tutorial rapidinho. Olha como é fácil!

1 – O nori é vendido assim, num formato retangular grande. Corte em retângulos menores (2 ou 3, dependendo do tamanho original);

2 – Posicione a metade de um dos retângulos na palma da sua mão;

3 – Com uma colher, espalhe um pouco de arroz nessa metade (seja parcimonioso, se o arroz for demais, o temaki não fecha e vai ser uma zona! rs), pressionando de leve, pra dar uma achatada;

4 – Por cima do arroz, espalhe os recheios que você quiser, de preferência na diagonal, a final você pretende ainda fazer um cone com tudo isso. No meu, usei kani, pepino, cream cheese e cebolinha.

5 – Agora vem a parte de enrolar seu temaki. Sim, essa é a parte tensa do processo e meus “pupilos em temaki” (rs) nunca conseguem de primeira. O segredo é pegar a ponta da alga e dobrar na direção do centro do retângulo, formando um triângulo (aulas de geometria culinária... hahaha!).

6 - Mantenha o lado dobrado com uma mão e puxe o lado livre do nori para fechar o cone.

7 – PRONTO! ^^

O namorado foi mais literal e preparou um real TE-maki pra gente... Hahahaha! Pra quem não sabe (a maioria esmagadora do universo), ’te’ significa ‘mão’ em japonês e ’maki’ é ‘rolo’. Tá aí o TE-maki do moço:

O sushi é o alimento tradicional do japonês. [Veja bem, tradicional não quer dizer o mesmo que o arroz com feijão significa pra nós. Não se come sushi todos os dias, bem como não comemos feijoada todos os dias.] E, hoje em dia, é mais barato e divertido comê-los nos famosos Kaitenzushi (lugar onde o sushi fica dando voltas numa esteira). Além de gostoso, o sushi é, sem dúvida nenhuma, saudável e até light (se considerarmos os ingredientes leves e ignorarmos os carboidratos do arroz ou considerarmos que nem é tanto assim). Então, gente, SE JOGA NO TEMAKI CASEIRO! =P

24 de setembro de 2012

Lasanha de Berinjela

Eu sei bem que a maioria da galera não gosta de berinjela, então já vou dizendo aqui, no início, que eu vou mudar sua vida. Porque não há nada que uma boa dose de queijo não mude na vida de uma pessoa, ok? E uma berinjela bem feita é a diferença que falta pra você.

Parece mais um daqueles contos de ‘internê’, mas a berinjela é um alimento super saudável e é famosa por reduzir o colesterol. Além de, definitivamente, reduzir muito a quantidade de calorias de uma lasanha, porque substitui toda aquela quantidade de massa e carboidratos que a nossa amada e tradicional lasanha traz.

A receitinha que eu tenho pra vocês hoje é muito simples, rápida e mudou a opinião do senhor meu namorado sobre berinjela na segunda-feira passada, ok? O moço chegou a me dizer que possivelmente não conseguiria comer a lasanha, quando soube que a berinjela não era o recheio e sim a massa. No fim, não sobrou um cantinho de lasanha pra contar a história, porque o rapaz comeu TUDO, ok? Então fiquem comigo, me acompanhem e vamos mudar essa imagem feia da berinjela que as pessoas têm.

Você vai precisar de:
- 3 berinjelas
- mussarela ralada (realmente não sei a quantidade exata, fui no ‘olhometro’ e, aqui no Japão, usei o queijo que tem pra usar; você pode usar fatias se quiser, acho que o resultado pode ficar até melhor)
- 300g de carne moída
- 1 pct de molho de tomate - 1 cebola
- 2 dentes de alho
- pimenta do reino, sal manjericão e cheiro verde a gosto

Preparar tudo é muito simples. Corte as berinjelas em rodelas (prefiro rodelas, porque facilita o corte da lasanha depois de pronta e, sim, eu sou preguiçosa com comida difícil de cortar) e ferva em uma panela com água, sal, pimenta e o manjericão. O manjericão foi jogada de mestre, no fim, porque deixou as berinjelas cheirosas e muito saborosas mesmo; então deixe tudo chegar à fervura e ficar por uns 5 minutos ou até a berinjela mudar um pouco de aspecto.

Depois de cozidas as berinjelas, vamos preparar o molho à Bolonhesa DELÍCIA. Refogue a cebola e o alho, como mamãe fazia, no azeite. Adicione a carne e deixe cozinhar. Antes de todo o processo, deixei a carne marinar no sal, pimenta do reino e alecrim, mas isso cada um faz como quer. Eu prefiro assim, porque pega mais o tempero. Depois de cozida a carne, adicione o molho de tomate, deixe ferver e vá acertando o tempero, até ficar do seu gosto a quantidade de sal, pimenta do reino e cheiro verde (ou o que mais você quiser usar).

Com tudo pronto, vamos montar essa delícia. Repita camadas de berinjela, molho e queijo, quantas vezes o recipiente que você escolheu te permitir. Dando umas ‘apertadinhas’ com uma espátula de vez em quando, pra caber mais e ter mais delícia, né gente?

Lasanha montada? Agora é colocar no forno até o queijinho derreter, dourar e seduzir você de dentro do forno.

Sério, fica bem delicioso! Minha próxima tentativa com ela vai ser uma aos 4 queijos, se eu conseguir o milagre de encontrar queijo de verdade nesse país. Pros ‘haters’ de berinjela, só digo uma coisa: “VOU MUDAR A SUA VIDA!”. rs

21 de setembro de 2012

Purikura – A ‘arte’ japonesa das fotos emperequetadas

Todo mundo que conhece um pouquinho de Japão e gosta da louca cultura pop daqui sabe o que é uma Purikura. O nome é a abreviação de Purinto Kurabu, o ‘ajaponesamento’ de Print Club. As purikuras nada mais são do que fotos adesivas, feitas em máquinas um pouco maiores do que as tradicionais máquinas de 3x4, que salvam a gente na hora do aperto do “Preciso de uma 3x4 pra amanhã!”.
A diferença básica da purikura pra uma fotografia de máquina normal são as formalidades, eu diria. Vocês, certamente, não estariam dispostos a decorar com brilhinhos, flores, corações, balões e carinhas fofinhas a sua 3x4, estariam? Hahaha!
A purikura é uma invenção japonesa da década de 90, que dominou toda a Ásia. O sucesso das pequenas fotos adesivas foi e continua sendo imenso no Vietnã, na China, em Hong Kong, Taiwan, Tailândia, nas Filipinas e, principalmente, na Coréia do Sul. Nas duas vezes que estive na Coréia, tirei purikuras; vestindo roupas coreanas tradicionais, na primeira vez, e algo mais ‘normal’ na segunda.
Minhas purikuras coreanas
O sucesso no Japão continua sendo tão imenso que tirar fotos com os amigos nessas máquinas é um programa que exige dedicação e tempo hoje em dia. As lojas com as famosas máquinas estão por toda parte e oferecem opções um tanto curiosas (pras nossas cabeças ocidentais). Numa das maiores lojas de fliperama de Shinsaibashi (um dos maiores centros comerciais de Osaka), é oferecido aluguel de roupas e existem espaços especiais, com espelhos etc., pra maquiagem.
Máquinas de purikura em Shinsaibashi
A máquina de Purikura é ENORME e consegue abrigar até um pouco mais de cinco pessoas. Em geral, os usuários ficam de pé, em frente a um engenhoso equipamento, que inclui a câmera fotográfica e a aparelhagem de iluminação. O fundo do cenário é sempre verde, para permitir a inclusão das montagens depois de feitas as fotos. E o processo para fotografar é relativamente barato e fácil para o resultado. Parece bobagem, mas as fotos ficam com uma qualidade muito boa.
A aparelhagem que tirou essa foto minha com a Carol
Depois de tiradas as fotos, é hora de ir para o espaço reservado, em outro ‘compartimento’ da máquina e ‘emperequetar’ suas fotos. As máquinas oferecem opções de incluir datas, carimbos, imagens, escrita, bordas, coloração de olhos/cabelos/pele, e tudo isso nas mais variadas formas. Você pode, realmente, transformar tudo em você e no cenário.
Jimin decorando nossas purikuras em Daegu, Coréia. E o resultado...
Algo ainda mais curioso sobre as máquinas de purikura na Ásia são os olhos. Todas elas dão destaque aos olhos, aumentando-os consideravelmente e deixando nosso rosto um tanto estranho ou expressivo demais. É lógico que isso é explicável e a maior parte das meninas orientais não gostam de ter olhos puxadinhos, fechadinhos e tal. Eu não sei... Acho que os olhos são sempre a parte problemática da coisa e sempre procuro as máquinas que tem esse efeito um pouco menos exagerado. Porque acho que o tamanho dos olhos já está naturalmente certinho com o nosso formado de rosto e tal... Melhor não mexer em time que não está perdendo (pode não estar ganhando, mas perdendo não ta não! Hahahaha!), né?
Pessoalmente, gosto muito de purikuras. Não sei se é por juntar frescurada de menininha, fotografia e um ‘photoshop style’ (três coisas que eu adoro), ou se é só porque gosto de guardar lembranças de momentos legais, ou tudo isso junto e mais um pouco. Adoro virar, depois de um jantar especial e mandar um: “Gente! Vamos tirar purikura?!?”
Algumas das minhas vááárias purikuras.
Acho que talvez as máquinas de purikura farão falta quando eu voltar pro Brasil...

11 de setembro de 2012

Going GLOBAL!

O quão global é você, querido leitor? Digamos que tanto eu quanto você, aí, lendo, do outro lado dessa linhazinha – nos conectando no meio dessa rede imensa –, somos bastante globais. Quer argumento melhor do que o fato de estarmos, cada um, em um ponto diferente do planeta (mais especificamente, cada um de um lado do planeta!) e, ainda assim, recebermos as idéias uns dos outros? Eu, aqui, do Japão, escrevendo pra vocês, aí, onde quer que vocês estejam... E mais milhares de pessoas escrevendo para outros milhares... Essa é a internet, essa é a nossa realidade.

Há, não exagerados, 15 anos atrás, eu era uma menininha de 10 anos. O computador da minha casa era um dinossauro, o telefone era ruim, celulares eram monstros pré-históricos e os orelhões eram os salvadores da distância, apesar de raramente funcionarem bem. Antes disso, na época dos meus pais, computadores eram máquinas que ocupavam uma sala inteira, ninguém tinha acesso, a internet não existia e os orelhões, suas filas e fichinhas (confesso que ainda usei fichinhas de orelhão, porque, sim, eu sou dessa época) eram os salvadores das distâncias. Nem cito celulares nessa última parte, porque seria obviamente ridículo.

Afortunadas criancinhas de hoje em dia nascem num mundo onde suas carinhas já estão à disposição para milhões, apenas algumas horas depois de nascidas. Isso quando a magia da ultra-sonografia computadorizada E 3D não expõe suas minúsculas figurinhas, antes mesmo delas resolverem vir ao mundo. Com pouco mais ou pouco menos da idade que eu tinha quando criei meu primeiro blog (12 anos), as criancinhas de hoje já tem seus celulares, isso porque, com MUITO menos idade, toda já sabem mexer em computadores muito melhor do que muito marmanjo por aí.

Hoje temos: Twitter, Facebook, Skype, Tumblr, Orkut (ainda não falecido), Google+, YouTube, 9gag, Skoob, Foursquare, MySpace... Só no Brasil, hoje, existem 50 redes sociais listadas pela Wikipedia. E nós sabemos que isso é bem pouco pra realidade do número de redes existentes no mundo. A própria Wikipédia acaba se tornando uma rede, a partir do momento em que alguém se preocupa em escrever um artigo informativo que será usado por mais um monte de gente. Afinal, redes não são formadas somente pela obrigatória troca de informações, mas também pelo simples fato de uma informação ser passada a diante, atingindo mais e mais gente, ‘going global’. Isso sem contar com a imensidade de outras possibilidades que os moderníssimos smart phones trouxeram pras nossas vidas, tanto em termos de interação entre conhecidos como no sentido de possibilitar um maior acesso e uma maior inserção de informação na rede. Graças ao meu iPhone, hoje eu posso falar gratuitamente com a minha família, do outro lado do mundo a hora que quiser, bem como posso fazer updates no meu Twitter ou postar aqui nesse blog na hora que bem entender.

E isso, amiguinho, gera uma circulação de informação que era inimaginável lá na época de papai e mamãe. Em tempo real, é possível saber sobre desastres naturais, por exemplo, antes mesmo de as agências laçarem notificações oficiais. É possível acompanhar eventos de qualquer parte do planeta ao vivo. É possível saber sobre as reações populares a acontecimentos dentro de seus respectivos países na hora em que esses eventos ocorrem. Hoje eu falo com o meu pai quando quiser, pra saber se ele já melhorou da gripe (outro exemplo), enquanto sei que na época dele, se ele conseguia ligar pra casa do exterior, pelo menos uma vez por semana, era uma vitória.

Resolvi escrever sobre isso, porque estava aqui, mais uma vez, fascinada com o fato de nunca ter sido tão fácil conseguir informações. E nunca ter sido tão simples gerar informações. Na verdade, nunca na história foi tão fácil ser um cientista humano (historiador, sociólogo etc.). Nunca foi tão rápido se ‘transportar’ para qualquer lugar do mundo. Hoje somos moradores do mundo, somos globais, capazes de receber de qualquer lugar qualquer dado que tenhamos interesse. Hoje somos capazes de agir mais em prol de um todo, de protestar, de mostrar nossos pontos de vista, de nos manter cientes sobre nós mesmos.

Pela primeira vez o homem rompeu as antigas barreiras estatais e descobriu o quão legal pode ser assumir a posição de ser humano, para além de sua identidade nacional. A realidade que vivemos é a da descoberta de uma ferramenta que nos coloca na posição de atores globais. Os homens e mulheres de hoje são aqueles que geram uma amedrontadora ‘opinião pública’, são aqueles que geram ‘primaveras’ por aí... O que antes era domínio da mídia passou às mãos de todos nós. Transferir informação deixou de ser privilégio de quem tinha a tecnologia pra tal, porque a tecnologia passou a ser de todos. Tendo acesso à rede, todos nós somos capazes de informar e sermos informados.

Apesar das ‘desgraças da inclusão’ que encontramos por aí (Pelo amor de Deus, alguém já parou pra ler comentários de sites de notícias? Eu morro um pouquinho a cada vez que me dou ao trabalho. Mas, como dizem as más línguas, opinião é q nem...Vesícula Biliar, cada um tem a sua... õ.o), a grande rede se tornou uma máquina poderosíssima. Cada um de nós se tornou global em um clique, literalmente.

7 de setembro de 2012

Cachorro de Forma

Hoje vou inovar o blog mais um pouquinho e começar a contar pra vocês minhas aventuras culinárias. Então o site vai passar a ter sua categoria “Comidinhas”; de vez em quando, vou compartilhar umas invenções malucas que dão certo e, porque não, as que não dão certo também, que acabam sendo muito divertidas/traumáticas.

Já tenho algumas coisinhas registradas, que logo-logo posto aqui, mas, essa semana, eu tive uma vontade louca de cozinhar e meti a mão na massa. Literalmente. Ontem o namorado não tinha idéia do que comer, eu também. Sabia que tinha umas linguicinhas na geladeira, então pensei: cachorro-quente! Mas, como, sem pão do cachorro-quente?

Tive uma idéia maluca na hora e fui tentar... Morrendo de medo de ficar uma porcaria! Hahahahaha! Uma vez ouvi que umedecer o pão de forma e amassá-lo, fazia com que a massa ficasse fácil de modelar, então a idéia foi fazer um cachorro-quente de pão de forma. Assim nasceu o “Cachorro de Forma”. Fica a receita...

Você vai precisar de:

- fatias de pão de forma (quantas você quiser; cada fatia vale um rolinho);
- lingüiça (lingüiças são mais finas e mais fáceis de enrolar);
- fatias de queijo;
- mostarda/molho de tomate/ketchup (o que você achar mais gostoso num cachorro-quente).

Fazer os rolinhos é muito fácil. Sério! Leva menos de cinco minutos! A não ser que você queira fazer uma produção em massa...

Primeiro, corte as cascas do pão de forma. Já descascado, umedeça a massa com as mãos, apertando enquanto faz isso. Parece complexo, mas não é. É só você ir molhando a mão e apertando o pão num prato ou tábua. A massa vai ficar com uma aparência estranha, bem compactada, mas é isso mesmo que você precisa fazer pra dar certo. Não é preciso molhar o pão demais, é só umedecer um pouco mesmo, deixar a massa meio molenga e o menos quebradiça possível.

Depois de umedecido, espalhe sobre o pão a mostarda, o molho de tomate ou o ketchup ( ou os três, com parcimônia... rs). Enrole a lingüiça na fatia de queijo e, gentilmente, faça o mesmo com o pão. Tomando cuidado pra não quebrar a fatia (fica bem mais difícil de quebrar com o pão molhado, por isso todo aquele processo no início).

No fim, é colocar numa assadeira e levar ao forno até dourar. O resultado foi totalmente aprovado pelo senhor meu namorado, e esse entende (e gosta muito) de uma comidinha gostosa, viu? Espero que a experiência maluca dê certo pra vocês também!

4 de setembro de 2012

A China “não-China” [parte 2]

No início de agosto, como falei no outro post, fomos nos aventurar nas regiões administrativas especiais do vizinho. Nossa aventura de 4 dias foi conhecer Hong Kong e Macau. Agora chegou a vez de falar um pouquinho sobre nossa ex-colônia irmã, Macau.

Macau

Macau é um lugar interessante, eu diria. Imaginava chegar lá e ver, como no Brasil, mais influência portuguesa, mas confesso que fiquei um pouco decepcionada. A arquitetura portuguesa é indiscutível, as placas têm, todas, informações em cantonês (a língua local) e português, é possível achar montanhas de Pastel de Belém (se você não conhece esse pedacinho de céu, Google it e vai correndo se virar pra achar um pra comer, é divino!) e ainda se vê muitos portugueses por lá. Mas não vá pra Macau esperando usar o português ou interagir com as pessoas ou ver algo tão legal quanto Hong Kong.

Apesar de ter sido colônia portuguesa até 20 de dezembro de 1999, hoje Macau é China (MENOS DE 15 ANOS DEPOIS!). Foi impressionante perceber que o que ficou de forte influência inglesa em Hong Kong não acontece em Macau, com os traços portugueses. Pode-se perceber algo na comida, é possível visitar os locais turísticos com antigas construções coloniais, mas a sensação é muito estranha. Ao mesmo tempo em que via muita semelhança arquitetônica com o Rio, via que as pessoas não tinham nada de influência daquilo. Me senti como se o Rio tivesse sido invadido e dominado pelos chineses, e eles só mantivessem algumas coisas pra usar e ganhar dinheiro com os turistas.

Mas não pense que foi um dia jogado no lixo, porque realmente não foi (apesar do meu momento desabafo acima... hehehe...). Cruzamos o delta do Rio das Pérolas (Zhujiuang) de manhã e chegamos à Macau por volta da hora do almoço. A travessia é super rápida, leva no máximo umas duas horas e é feita numa barca super legal. Logo que chegamos lá, tivemos o primeiro choque com o sistema... O transporte em Macau é meio caótico e ninguém sabe te dar informações em inglês ou é simpático. Então, se você planeja ir pra lá, use um bom guia e prepare-se pra gastar algum tempo lendo mapas e tentando se achar.

O primeiro lugar que visitamos foi o Largo do Senado, um lugar super parecido com o centro do Rio. Calçadão de pedrinhas portuguesas, prédios que me lembraram muito os prédios da Cinelândia (no Rio) e os benditos Pastéis de Belém por todos os lados. Ainda no Largo, nos embrenhamos pela Travessa de S. Domingos, uma vielinha que mais parecia aquelas de Santa Teresa (também no Rio), onde encontramos um restaurante legal e almoçamos comida portuguesa e macaense (juro que tive que pesquisar, achei que fosse ‘macauana’ ou sei lá). A culinária de Macau é muito curiosa, uma mistura deliciosa da culinária chinesa com a portuguesa. Nesse dia, comemos um chan-han (arroz frito ou arroz colorido chinês) com bacalhau, que estava maravilhoso.

Depois do almoço, visitamos a Catedral de Macau, andamos mais pelo centro histórico e subimos uma ladeira super íngreme pra chegar à Fortaleza do Monte, uma construção lindíssima, do século XVI, que hoje abriga o museu de Macau. Depois de sair da fortaleza, visitamos as Ruínas de São Paulo, que são lindas e interessantes, porque se trata da fachada (só a fachada mesmo) da Igreja da Madre de Deus, a única coisa que sobrou do incêndio que atingiu o complexo do Colégio de São Paulo em 1835 (valei-me Wikipédia, porque lá não tinha uma placa de explicação).

Depois das ruínas, visitamos o mercado que fica logo abaixo da escadaria, tomamos suco de fruta de verdade (coisa que não existe no Japão) e fomos visitar o prédio do Clube Militar, que era muito lindo, e a vila de Tai O, um típico vilarejo português, na parte sul de Macau.

O fim da nossa aventura por lá foi visitar os cassinos. Pra quem não sabe, Macau é conhecida como a “Las Vegas da Ásia” e, se você gosta de uma jogatina, vale a pena tentar. Mas acabamos não encontrando uma mesa de pôquer descente pro namorado (tadico) e fomos comer num pé sujo na estação das barcas, pra depois voltar pra Hong Kong.

Macau foi, eu acho, o primeiro lugar que eu saí sem dizer que gostaria de voltar, como vocês devem ter percebido ao longo do post. Mas não me levem a mal, foi a minha impressão estranha. Ainda acho que valeu a pena conhecer e foi uma experiência boa. O que digo a vocês é o seguinte: corram pra Hong Kong, curtam muito, aproveitem o lugar, depois visitem Macau por um dia (não acho que precise mais do que isso), conheçam, comam Pastéis de Belém e viagem por aí, que é sempre delicioso.

22 de agosto de 2012

Novo visual

Oie!

Passei só pra mostrar a nova cara do blog. Bonitinho? =D
Lutei contra a idade pra relembrar o que sabia de HTML, quando era uma jovem 'manceba' (essa palavra existe? acho que não... hahahaha!), e tá aí, meu novo template.
O novo post vai estar online logo logo, então não fiquem longe por muito tempo, ok?

Beijo!

15 de agosto de 2012

A China “não-China” [parte 1]

No início do mês, eu e Carlos pegamos as trouxinhas e fomos nos aventurar por Hong Kong e Macau. Nada melhor do que uma viagem pra comemorar dois anos muito bem sucedidos de namoro, né? E foi a melhor escolha, uma das grandes viagens que fizemos desde a vinda pro Japão.

Saímos de Osaka no dia 31 de julho e voltamos no dia 5 de agosto. Durante esse tempo, passamos 3 dias em Hong Kong e um em Macau. Foi nossa primeira vez na China, ou melhor, em algo parecido com a China (hehehe!). Hong Kong e Macau, após um período de, consecutivamente, 100 e 442 anos como colônias européias, são hoje regiões administrativas da China. Macau foi “alugada” pelos portugueses em meados do século XVI, como porto comercial, e devolvida em 1999. Hong Kong, por sua vez, se tornou colônia inglesa em 1898, após a Guerra do Ópio, e foi devolvida cem anos depois, em 1997. Hoje ambas são as regiões administrativas especiais da China, possuindo certa liberdade em relação à “main land” chinesa.

Hong Kong

Hong Kong é um lugar muito legal. Bastante organizado, limpo, com um transporte invejável e com um comércio sempre borbulhante. Tive a impressão de que em Hong Kong as marcas inglesas ficaram com muito mais força do que as portuguesas em Macau.

Algo que realmente nos chocou em Hong Kong (num bom sentido, é claro), foi a receptividade das pessoas. Por três ou quatro vezes, fomos abordados por pessoas que nos viram checando o mapa e vieram oferecer ajuda. Não querendo ser chata e reclamona, mas isso não é o tipo de coisa que vivemos no Japão. Foi algo que achamos diferente e positivo.

No primeiro dia, andamos pelo centro da ilha de Hong Kong, visitamos a torre do Bank of China, a Catedral de S. João, toda a parte histórica,andamos de ‘tram’ (o nosso famoso ‘bonde’ - lá, no estilo inglês, com dois andares), comemos o melhor ‘noodle’ das nossas vidas, visitamos mercados, chegamos ao templo Man Mo, andamos pela Hollywood Road, tomamos um chopp e subimos pro ponto mais alto da cidade, pra ter uma maravilhosa vista noturna da Baía de Vitória.

O segundo dia foi uma agradável surpresa. Não estávamos muito bem organizados, só sabíamos que o objetivo era visitar o Buda Tian Tan. Mas acabamos descobrindo q o Buda não ficava assim tão perto e que havia a possibilidade de fazer um roteiro litorâneo muito bom, na ilha de Lantau (lembrando que a região de Hong Kong possui uma parte continental e outras insulares). No fim, pudemos visitar a vila de Ngong Ping, no alto de uma montanha, onde fica o Buda e o Monastério dos Mil Budas. Visitamos a aldeia de pescadores de Tai O, toda de palafitas, peixes secos, comida maravilhosa e coisas legais. Fizemos um assustador passeio de barco e ainda voltamos pro centro de Hong Kong a tempo de pegar a barca e ter uma bela vista noturna, dessa vez de dentro da Baía de Vitória.

Após nossa ida a Macau, por um dia, o último dia em Hong Kong foi uma mistura de compras, muitas compras, comida chinesa maravilhosa e mais andança. Andamos tanto durante essa viagem, que voltamos com as pernas malhadas e o corpo doendo. No último dia, depois de visitar vários mercados, não agüentávamos mais nada e partimos pro aeroporto, pra esperar lá pelo vôo e aproveitar nossa última refeição local.

O mais interessante em Hong Kong foi ver o quanto há um esforço de se diferenciar da China. Pareceu pra mim que todos os estereótipos de chineses são rejeitados pela população de lá e há a necessidade de mostrar a quem quer que seja que ‘Hong Kong não é China’. O mesmo que foi repetido para nós, antes e depois da viagem. E essa diferença, nós percebemos ao chegar em Macau, que, hoje em dia, é muito mais China do que Portugal.

No próximo post, conto pra vocês como foi visitar nossa ‘colônia-irmã’, Macau.